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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 23 de junho de 2018


“Investimento” sem retorno em carnaval é desperdício de dinheiro público

“Investimento” sem retorno em carnaval é desperdício de dinheiro público

Embora sejam importantes e respeitáveis manifestações culturais, os desfiles de escola de samba nunca geraram negócios significativos para o Distrito Federal.

Por Hélio Doyle/r7 - 11/05/2018 - 11:17:42

Carnaval de rua precisa de apoio do poder público, não de dinheiro público para financiar blocos e músicos. Claro que o apoio — policiament, interdição de vias, banheiros químicos, limpeza — custa dinheiro público, mas isso se justifica por se tratar de uma grande festa popular e expressiva manifestação cultural. O governo não pode se omitir diante de um evento desse porte, mas não se justifica patrocinar blocos carnavalescos com recursos financeiros do Estado.

Muitos que defendem que o Estado patrocine o carnaval alegam o retorno do “investimento” pela repercussão positiva na cadeia dos negócios vinculados ao turismo. O dinheiro voltaria pelo pagamento de impostos e a população ganharia com a geração de empregos e atividades por conta própria, ainda que efêmeras. Esse argumento geralmente é usado para justificar os gastos do governo em desfiles de escolas de samba.

É preciso, porém, não confundir o carnaval de rua com desfiles de escolas de samba. O carnaval de rua deve ser entendido como festa popular acessível a todos, já os desfiles são espetáculos, exibições artísticas e, muitas vezes, é preciso comprar ingressos para assisti-los. Não há porque o Estado financiar essas apresentações — a não ser, como no caso do Rio de Janeiro, se elas efetiva e comprovadamente dão à população um retorno compensador, pelo aumento do fluxo turístico.

Embora sejam importantes e respeitáveis manifestações culturais, os desfiles de escola de samba nunca geraram negócios significativos para o Distrito Federal. Têm pequena repercussão na vida da cidade e por isso as escolas de samba não conseguem patrocínios privados suficientes para arcarem com seus custos. Gastar dinheiro público com esses desfiles, em Brasília, não é investimento, como no Rio — é gasto mesmo, a fundo perdido e sem retorno.

É verdade que o carnaval de rua tem atraído para Brasília muita gente de cidades próximas. Mas ainda não há dados confiáveis para medir a repercussão econômica real disso. Os números alardeados por autoridades e empresários geralmente são chutados — sempre para cima — e a imprensa os acolhe sem contestação e checagem – para o jornalismo preguiçoso é mais fácil atribuir a informação a alguém do que verificar se é mesmo verdadeira.

Caso em algum dia se comprove efetivamente que desfiles de escola de samba e blocos de rua (ou um ou outro) sejam importantes atrações turísticas para Brasília, e que os investimentos públicos representam retorno compensador para a cidade, pode-se pensar em algumas modalidades de financiamento parcial pelo Estado. Até lá, porém, é desperdício de dinheiro que poderia estar sendo mais bem aplicado em benefício da população.

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