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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 23 de junho de 2018


O Uruguai tem queda nos crimes do narcotráfico após a lei permitir a venda de maconha

O Uruguai tem queda nos crimes do narcotráfico após a lei permitir a venda de maconha

Há pressão para que o governo libere a venda para turistas.

Por Jornal O Sul / Foto: idepe.org - 12/01/2018 - 03:32:16

No Uruguai, quatro anos depois de aprovada, a Lei da Maconha já produz alguns resultados positivos. O governo comemora a redução em 18% de crimes relacionados ao narcotráfico e o fim das filas nas farmácias, que sofreram com a falta de abastecimento durante o início da implementação do sistema, em julho.

Hoje, segundo a legislação, estão vigentes três formas de acesso à erva: cultivo individual de até seis plantas, clubes de cultivo (que podem ter de 15 a 45 membros) e venda em farmácias.

Em todos os casos, os usuários devem ser registrados, ter mais de 18 anos e possuir nacionalidade uruguaia ou residência permanente no país. Cultivadores particulares e clubes de cultivo são visitados regularmente para conferir se estão sendo respeitados os limites de produção.

Agora, está em curso o cultivo para a produção de remédios para a indústria farmacêutica.

Um dos principais desafios deste verão, temporada em que as praias uruguaias recebem milhares de turistas, é esclarecer que não é permitida a venda a estrangeiros.

Há uma campanha com publicidade nas ruas e controle de alguns clubes de cultivo que começaram a oferecer tours como fazem as adegas, cobrando até US$ 250 (R$ 800) a visita, mais a degustação da droga. Dois dos que praticavam esse tipo de “passeio” foram fechados.

A reportagem percorreu algumas praias na região de Punta del Este. Apesar de ter testemunhado consumo ao ar livre (a posse para uso pessoal é permitida), não encontrou nenhum estrangeiro que tenha comprado legalmente.

Turismo

Há pressão para que o governo libere a venda para turistas. “Passamos a ideia de país vanguardista, e o estrangeiro chega aqui e não pode comprar? Está errado, pois de algum modo ele chegará ao produto, via mercado ilegal, que era justamente o que se queria combater”, diz Eduardo Blasina, diretor do Museu da Cannabis de Montevidéu.

Outro problema que não teve solução formal, mas que tem sido driblado, é a resistência de alguns bancos estrangeiros a manter contas de farmácias ligadas ao negócio.

Alguns ameaçaram cancelá-las. O governo enviou uma comissão aos EUA para debater caso a caso. Por ora, não houve nenhum cancelamento, mas os bancos dizem estar em consulta. Enquanto isso, o governo uruguaio recomenda às farmácias transferirem suas contas ao Banco da República do Uruguai.

O movimento nas lojas agora flui normalmente. Na farmácia Antártida, uma das mais proeminentes quando a venda começou, em julho, já não há imensas filas.

“Tem sido rápido, agora o sistema trava menos”, disse um usuário que comprava o produto. A compra leva minutos. O comprador coloca a digital em um scanner conectado à central de dados do governo, e o funcionário lhe entrega a quantia que lhe cabe.

No balneário de El Fortín, vive uma das protagonistas da aprovação da lei, a estudiosa da maconha Alicia Castilla, 72, e seu marido, o antropólogo Daniel Vidart, 97.

Em 2011, Castilla, autora de livros sobre o tema, foi presa por ter no quintal 29 pés de maconha. “Eram para uso pessoal, eu não plantava para vender. Vivo de escrever sobre o assunto, não de traficar droga”, conta.

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