×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 27 de novembro de 2021

A bióloga que impediu a extinção das araras-azuis

A bióloga que impediu a extinção das araras-azuisFoto: instituto Arara Azul/Divulgação

Com a ousadia de uma recém-formada, Neiva foi a campo. Sua proposta era contabilizar ninhos de arara-azul, conhecer seus hábitos e evitar sua extinção

Estadão Conteúdo - 21/11/2021 - 17:37:07

A então estudante Neiva Guedes se sentia inquieta em um fim de tarde de novembro de 1989 ao observar um grupo de araras-azuis em galhos secos do Pantanal. Por meio de uma professora, ela havia ficado sabendo da ameaça que rondava a espécie, situação que a comoveu. “Coloquei na cabeça que iria fazer algo para que elas não desaparecessem.”

Na época, estimava-se que a população dessas araras no País chegasse a 2,5 mil, das quais 1,5 mil no Pantanal. A extinção da espécie era uma ameaça real, potencializada pela atuação do tráfico de animais, que até a década de 1980 já havia afetado milhares de aves. Trinta anos depois, os esforços de Neiva ajudaram a mudar essa realidade, e hoje a população já chega a 6 5 mil araras.


Em reconhecimento a esse trabalho, a bióloga e doutora em Zoologia, hoje com 59 anos, ganhou mais um prêmio e passou a integrar o grupo de Mulheres da Ciência, da Organização das Nações Unidas (ONU). A premiação, diz Neiva, é válida sobretudo porque ajuda a divulgar ainda mais o seu trabalho. O Instituto Arara Azul, que ela criou, virou referência.


OBSTÁCULOS. Para chegar a esse ponto, a bióloga teve de superar obstáculos. “Foi desafiador”, diz. Quando começou, as referências bibliográficas eram escassas e não se sabia nada sobre a reprodução da espécie ao ar livre.

Com a ousadia de uma recém-formada, Neiva foi a campo. Sua proposta era contabilizar ninhos de arara-azul, conhecer seus hábitos e evitar sua extinção. Para isso, viajou de carona em carona pelo Pantanal. Quando conseguiu um carro, ele se tornou sua casa, base itinerante em viagens de 30 a 60 dias.


A arara-azul, Anodorynchus hyacinthinus, é a maior espécie de psitacídeos do mundo, com envergadura que pode chegar a 1,5 metro. A reprodução demora de sete a nove anos e os filhotes permanecem com os pais até completarem de 1 a 2 anos. Muito sociáveis, só vivem em famílias, grupos e bandos. Quando amadurecem, formam par até que um deles morra. Só se alimentam da castanha de dois tipos de coquinhos, o acuri e a bocaiúva. Em casos extremos, podem comer outros alimentos.


Em uma de suas primeiras tentativas de estudo, Neiva ficava em uma barraca no refúgio ecológico Caiman, em frente a uma árvore, para conhecer o comportamento das araras. Ficava lá do amanhecer até a noite, anotando tudo. Foi então alertada por um amigo biólogo que ela precisava observar “não um casal, mas uma população”.


Depois da dica, ela saiu caçando ninhos. “Nos primeiros dias, consegui cadastrar 58 ninhos e, destes, 5 ainda com filhotes”. Até então, a catalogação se restringia a observar do chão, pois não conseguia subir na copa das árvores. Mas logo ela conheceu o ornitólogo americano Lee Harper, que lhe ensinou técnicas de campo, principalmente escalada de árvores.


CAIXAS-NINHO. Ao perceber que um dos problemas na reprodução da espécie era a falta de cavidades para construir ninhos, Neiva teve a ideia de criar as caixas-ninho - ninhos artificiais com caixas de madeiras. “Deram certo, e começamos a instalar em larga escala. Depois de um tempo, os ninhos artificiais passaram a ser como os naturais”, conta. Simultaneamente, a equipe restaurava os ninhos naturais e realizava o manejo de ovos e das próprias aves.

E assim, em 2014, a arara-azul saiu da lista de animais ameaçados de extinção. Porém, explica Neiva, a espécie ainda é vulnerável e corre risco, por fatores como tráfico, baixa natalidade e mudanças climáticas.


Atualmente, além das araras-azuis, Neiva trabalha com aves urbanas em Campo Grande. Nesses 32 anos, porém, treinou biólogos em vários cantos do País. A premiação da ONU se somou a outras honrarias que recebe desde 1995 no Brasil e em países estrangeiros.


As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


fonte: Estadão Conteudo

Comentários para "A bióloga que impediu a extinção das araras-azuis":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Congresso é iluminado de laranja pelo fim da violência contra a mulher

Congresso é iluminado de laranja pelo fim da violência contra a mulher

Campanha 16 dias de ativismo começou nesta quinta-feira

OAB de SP elege Patrícia Vanzolini, 1ª mulher a presidir a entidade em 91 anos

OAB de SP elege Patrícia Vanzolini, 1ª mulher a presidir a entidade em 91 anos

Criminalista Patricia Vanzolini, eleita presidente da OAB-SP

‘Vamos começar a treinar mulheres para que sejam líderes nas comunidades’, diz secretária

‘Vamos começar a treinar mulheres para que sejam líderes nas comunidades’, diz secretária

Programa Empodera vai capacitar público feminino para lutar por causas comuns; a secretária da Mulher, Ericka Filippelli, diz como isso vai funcionar

Projeto Curta Maria alcança 1,2 mil jovens na 14ª Jornada

Projeto Curta Maria alcança 1,2 mil jovens na 14ª Jornada

O Curta Maria foi objeto de monografia de conclusão de Curso de Bacharelado em Direito, no Paraná

Em Dia Internacional, Guterres pede mudanças para eliminar violência contra mulheres

Em Dia Internacional, Guterres pede mudanças para eliminar violência contra mulheres

ONU defende estratégias abrangentes e de longo prazo que protejam direitos das mulheres e meninas

Mercosul lança campanha digital contra o feminicídio

Mercosul lança campanha digital contra o feminicídio

Iniciativa defende anonimato em denúncias de violência contra mulheres

ONU Mulheres inicia campanha de 16 dias de ativismo contra violência de gênero

ONU Mulheres inicia campanha de 16 dias de ativismo contra violência de gênero

Iniciativa Utopiar, marca de roupa feminina ensina técnicas têxteis a mulheres que sofreram violência doméstica

Para 90% dos brasileiros, local de maior risco de feminicídio é dentro de casa

Para 90% dos brasileiros, local de maior risco de feminicídio é dentro de casa

Participaram da pesquisa 1.503 pessoas (1.001 mulheres e 502 homens), com 18 anos de idade ou mais, entre 22 de setembro e 6 de outubro de 2021 em todo o País. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais.

WTA diz que conversa de chinesa Peng com presidente do COI não basta

WTA diz que conversa de chinesa Peng com presidente do COI não basta

Entidade defende investigação sobre denúncia de agressão sexual

Corinthians conquista título da Libertadores Feminina

Corinthians conquista título da Libertadores Feminina

Timão vence a competição pela terceira vez na história

Sophia Medina ganha etapa internacional de surfe e repete feito do irmão Gabriel

Sophia Medina ganha etapa internacional de surfe e repete feito do irmão Gabriel

A conquista da irmã foi comemorada nas redes sociais, inclusive por Gabriel Medina, que está um pouco mais distante de sua família, mas fez questão de elogiar Sophia. "Campeaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!