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A covid pode ter vindo para ficar, alerta OMS

A covid pode ter vindo para ficar, alerta OMSFoto: Correio Braziliense

Trabalhadores lavam rua em Bogotá antes de desinfecção: pandemia pode levar entre quatro e cinco anos para ser controlada, segundo especialista (Raul Arboleda/AFP ) Trabalhadores lavam rua em Bogotá antes de desinfecção: pandemia pode levar entre quatro e cinco anos para ser controlada, segundo especialista

Vilhena Soares - Correio Braziliense - 14/05/2020 - 08:27:05

Diretor de emergências da agência das Nações Unidas afirma que os países têm um longo caminho até o fim da pandemia. Também admite a possibilidade de que o Sars-CoV-2 não desapareça e que o mundo tenha que aprender a conviver com ele.

A covid-19 pode nunca desaparecer, alertou, ontem, a Organização Mundial de Saúde (OMS). Autoridades da instituição internacional declararam que, mesmo com o desenvolvimento de uma vacina, a enfermidade provocada pelo vírus Sars-CoV-2 pode se tornar um problema de saúde permanente, assim como o HIV. De acordo com a agência das Nações Unidas, poderão ser necessários de quatro a cinco anos para controlar totalmente a infecção.

“Temos um novo vírus que atingiu a população humana pela primeira vez e, portanto, é muito difícil prever quando o venceremos”, declarou Michael Ryan, diretor de emergências da OMS, durante uma teleconferência para a imprensa, realizada em Genebra. “Talvez esse patógeno se torne outro vírus endêmico em nossas comunidades, e, talvez, nunca desapareça. O HIV não desapareceu”, detalhou o virologista irlandês.

Em outra conferência digital, Soumya Swaminathan, principal cientista da OMS, disse que a contenção da pandemia pode demorar muito mais tempo do que se imagina. “Eu diria que dentro de um período de quatro a cinco anos poderíamos estar controlando isso”, destacou a especialista durante um evento promovido pelo jornal britânico Financial Times. A cientista também destacou que “não há bola de cristal” e que a pandemia pode “potencialmente piorar”.

Para os especialistas da OMS, a vacina é uma das melhores opções para combater a pandemia, mas não garante que a doença seja totalmente exterminada, já que o vírus pode sofrer mutações que façam a imunização perder o efeito. Além de não existir a garantia de que todas as pessoas se imunizem. “Somente a varíola foi eliminada e erradicada como uma doença humana”, declarou Peter Piot, professor de saúde global da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, durante o debate realizado pelo jornal.

Testes

Outro ponto essencial para conter a pandemia, segundo Piot, é a testagem. “À medida que avançamos para a próxima fase da pandemia, o teste é essencial. Não existe opção senão investir mais em testes”, frisou. Segundo ele, os países devem pensar na covid em termos de anos, não meses. “Teremos de encontrar uma maneira de as sociedades viverem com isso, e mudar as quarentenas para períodos direcionados, que sejam bem planejados”, detalhou.

Outra preocupação da OMS é relacionada ao fim das quarentenas, que já começam a ser relaxadas em muitos países. De acordo com Michael Ryan, ainda há um “longo caminho a percorrer” para voltar ao normal. “Acredita-se que os confinamentos funcionam perfeitamente e que o desconfinamento será genial. Mas eles são cheios de riscos”, advertiu o virologista.

“Muitos países gostariam de encerrar as diferentes medidas de confinamento. Mas nossa recomendação é de que as nações ainda mantenham o alerta no nível mais alto possível”, observou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS.

Marli Sartori, infectologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, concorda com o prognóstico de que a covid-19 possa se manter por muito tempo, mesmo com vacinas disponíveis. “Temos a expectativa da vacina, que ajudará bastante, mas também precisamos considerar que mesmo outras enfermidades, como a influenza e o H1N1, se mantêm circulando, apesar de termos imunizações para elas”, frisou a médica, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Para a especialista, muitos outros fatores precisarão ser considerados durante a imunização da população. “A mutação do vírus é realmente um problema, que também ocorre na gripe. Pode ser que tenhamos que fazer novas vacinas a cada período para a covid-19, assim como fazemos com ela. Outro fator é o preço, ela não pode ser cara. Na H1N1, por exemplo, nós priorizamos o paciente mais velho, que tem mais risco. São pontos que vamos ter que aprender com o tempo”, assinalou.

"Temos um novo vírus que atingiu a população humana pela primeira vez e, portanto, é muito difícil prever quando

o venceremos. Talvez, esse vírus se torne outro vírus endêmico em nossas comunidades, e, talvez, nunca desapareça. O HIV não desapareceu”

Michael Ryan, diretor de emergências da OMS

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