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“A inovação é um caminho sem volta” Nelson Cilo

“A inovação é um caminho sem volta” Nelson CiloFoto: Correio Braziliense

Vice-presidente de Soluções e Inovação da Visa Brasil Maior companhia de meios de pagamento do mundo cria programa para atrair startups e fintechs

Correio Braziliense - 03/02/2020 - 07:32:59

“A inovação é um caminho sem volta” Nelson Cilo

São Paulo — Se não pode vencê-los, junte-se a eles. Este não é um lema explícito dos grandes bancos e de tradicionais empresas de pagamento, mas é exatamente o que, na prática, essas instituições têm feito. No caso da Visa, maior companhia de meios de pagamento do mundo, foi criado um programa específico para atrair startups e fintechs com ideias inovadoras. Segundo Percival Jatobá, vice-presidente de Soluções e Inovação da Visa do Brasil, se unir às novas ideias é fundamental para sobreviver em um mercado em constante transformação. Para o executivo, responsável pela nova divisão de negócios, a prospecção de oportunidades junto às startups, o desenvolvimento de soluções para o consumidor, empresas e governos e a criação de estratégias digitais estão entre as prioridades. Confira a entrevista completa a seguir.

Por que a Visa decidiu apostar em startups, ao lançar um programa de aceleração?

Nos sentimos responsáveis em fomentar a nova face do empreendedorismo brasileiro. As empresas selecionadas em nosso Programa de Aceleração recebem mentorias e oportunidade de ir ao Vale do Silício analisar sua estratégia de negócio, fazer benchmark e validar a solução criada. Queremos trabalhar com startups que tenham soluções disruptivas, melhorem a experiência dos clientes e usuários ou gerem maior eficiência.

Na prática, qual é o benefício de trabalhar com startups?

Trabalhar com startups ajudou a moldar a nossa cultura inovadora. Todos os funcionários, de todos os cargos e áreas, trabalham como mentores das fintechs que participam do Programa, por entender que é preciso aprender com os empreendedores digitais a pensar rápido, perder o medo do erro e buscar resultados exponenciais. Aprendemos tanto quanto eles.

Por que só fintechs e por que o número de empresas selecionadas diminui a cada ano?

Já tentamos acelerar startups de outros segmentos, mas percebemos que, como Visa, acabamos ajudando mais as fintechs. Foi por isso também que diminuímos o número de empresas participantes do programa. Queremos ter sinergia para adicionar valor para estas startups, dar atenção real a todas. Para esse ano, o programa vai selecionar em torno de cinco startups.

A proliferação das fintechs é um risco ao futuro da Visa ou uma oportunidade?

Pelo contrário, as fintechs nos desafiam, diariamente, a evoluir, a agir cada vez mais rápido e a sermos assertivos para podermos acelerar nossos projetos. Não só a Visa, mas todos no setor financeiro têm sido desafiados pelas fintechs. Vemos as fintechs como parceiras que nos ajudam a atender nichos específicos e buscar soluções que ofereçam conveniência, eficiência e segurança para todos os nossos clientes. Gosto sempre de lembrar que a Visa provavelmente foi uma das primeiras fintechs há mais de 60 anos.

A Visa fechou parceria com alguma das startups que participou das edições anteriores? Quais?

Sim, e ficamos muito felizes todas as vezes que percebemos potencial, de fato, em algum produto desenvolvido por estas empresas. Em quatro anos de programa, a Visa já acelerou 66 startups. Dessas, 17 tiveram negócios fechados conosco ou com nossos parceiros.

Em 2016, a Visa abriu sua rede para desenvolvedores. Quais produtos ou aplicações surgiram de não funcionários da empresa?

Quando nos abrimos para os desenvolvedores, percebemos que havia uma nova forma de trabalhar a inovação. Atualmente, desenvolvedores podem criar um produto para a Visa e isso nos deu mais velocidade. Antes, levávamos anos para colocarmos um novo produto no mercado. Atualmente, lançamos em meses e isso porque aprendemos a desenvolver parcerias estratégicas que aceleram nossas soluções. Já desenvolvemos e testamos 20 protótipos, entre os quais o embrião do Ben Visa Vale, lançado pelo Santander, o primeiro cartão com pagamento por aproximação voltado para o mercado de refeições e alimentação. Também desenvolvemos com a FCA um marketplace dentro de um carro conectado à internet das coisas.

Qual sua avaliação sobre o futuro dos grandes bancos e das grandes empresas de tecnologia de pagamentos?

A inovação é um caminho sem volta e queremos ser protagonistas nesse cenário. Estamos trabalhando em conjunto com as instituições financeiras para definir o presente e o futuro dos pagamentos digitais, trazendo segurança e uma experiência fluida para os clientes. Nos últimos anos, testemunhamos o que chamo de “desconstrução do plástico”, ou seja, os dados ou credenciais (as informações que hoje estão contidas no cartão de plástico) passam também a estar inseridas em outros formatos, tais como celular, pulseira, relógio, aplicativos próprios e de terceiros, plataforma automotiva. Neste contexto, a tokenização, que inclui uma camada de segurança às transações digitais, será fundamental. É ela que possibilitará a próxima revolução dos pagamentos, seja por meio de um carro, um celular ou pela geladeira.

Qual a maturidade do mercado em novos meios de pagamento?

Estamos a alguns passos dos Estados Unidos, mas à frente de outros países na América Latina. Temos estudos de nossa consultoria, a Visa Consulting & Analytics, que nos mostram que há diferentes tipos de maturidade conforme o PIB, a infraestrutura e outras variáveis de cada cidade brasileira. Nas cidades com maior maturidade digital, a tecnologia não é mais um entrave para os novos meios de pagamento.

O que podemos esperar do futuro dos meios de pagamentos?

Vivemos a era do empoderamento dos clientes, e qualquer solução que facilite a experiência do usuário, que resolva suas dores e seja extremamente segura, tem tudo para dar certo. É o caso dos pagamentos por aproximação, que poupam o tempo das pessoas, e a aceitação do débito on-line, seja no e-commerce quanto em aplicativos. Tudo o que puder melhorar a vida, como a transferência de dinheiro de pessoas para pessoas, via cartão de crédito ou débito, por exemplo, encontrará terreno fértil e terá uma boa aceitação pela sociedade.

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