Há dias em que o calendário muda, mas a rotina continua praticamente igual. E há dias em que a cidade parece voltar a funcionar por inteiro. Esta segunda-feira foi um deles
Por João Zisman - 04/08/2026 07:22:06 | Foto: Agência Brasil
O Distrito Federal entrou definitivamente no segundo semestre. Não apenas porque agosto começou, mas porque diferentes agendas retomaram o ritmo ao mesmo tempo e produziram uma fotografia bastante clara do momento vivido pela capital.
Na política, a definição de Gustavo Rocha como candidato a vice-governador de Celina Leão praticamente encerra o ciclo das grandes indefinições da chapa governista. Com as convenções chegando ao fim, a atenção naturalmente se desloca para a disputa pelas vagas ao Senado, para a montagem das chapas proporcionais e para a organização das campanhas. O tempo das negociações internas começa a dar lugar ao da disputa eleitoral.
Fora dos partidos, porém, o dia foi marcado por outra sequência de acontecimentos. As Agências do Trabalhador abriram 1.178 vagas de emprego. A Secretaria de Saúde iniciou a Estratégia de Multivacinação para atualizar a caderneta de crianças e adolescentes. Prosseguiu o processo de contratação de médicos para reforçar a rede pública. A Codhab encerrou mais uma etapa de seleção habitacional. A Câmara Legislativa retomou os trabalhos após o recesso. O governo voltou a realizar ações integradas de atendimento à população em situação de rua e o transporte coletivo passou por ajustes em algumas linhas.
Isoladamente, nenhuma dessas notícias domina o noticiário. Juntas, porém, revelam algo importante: a máquina pública voltou ao seu ritmo habitual exatamente quando a política entra na fase mais intensa da campanha.
Esse encontro entre agendas merece atenção. A partir de agora, candidatos buscarão ocupar cada vez mais espaço no debate público. Mas o governo continuará sendo cobrado por aquilo que entrega diariamente. Emprego, vacinação, atendimento médico, transporte, moradia e assistência social não entram em recesso por causa das eleições.
É justamente essa convivência entre campanha e gestão que passa a marcar o ambiente político do Distrito Federal. Enquanto partidos organizam estratégias para conquistar votos, a administração precisa manter o funcionamento dos serviços que influenciam diretamente a percepção da população sobre a qualidade do governo.
A segunda-feira não produziu uma única grande manchete. Produziu algo mais significativo: mostrou que agosto começou de verdade. E, com ele, teve início o período em que a campanha ganhará intensidade sem que a cidade possa esperar o fim das eleições para continuar funcionando.
Esse costuma ser o momento em que a política acelera. A cidade, porém, mantém o seu próprio ritmo. E será justamente dessa convivência entre os dois calendários que nascerão muitas das histórias que acompanharão o Distrito Federal até outubro.
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