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A solidariedade precisa continuar. Crianças e idosos necessitam de ajuda

A solidariedade precisa continuar. Crianças e idosos necessitam de ajudaFoto: Correio Braziliense

As amigas Marina Rodrigues e Marina Lopes se conheceram no posto de saúde e, durante a amamentação, a amizade ficou ainda maior

Jonathan Luiz* E Thalyta Guerra* - Correioweb - 06/05/2020 - 09:14:38

Em tempos de pandemia e isolamento social, as necessidades de quem mais precisa continuam. Organizações não governamentais (ONGs) e voluntários seguem recebendo doações para ajudar o próximo.


A economia estagnou, as festas e eventos esportivos foram suspensos, o mundo parou. Mas a empatia e o amparo a quem precisa não podem parar. Muitos bebês recém-nascidos dependem da doação de leite materno. Pacientes que necessitam de cirurgia, continuam em busca das doações de sangue. Asilos e abrigos para crianças também dependem, ainda mais neste momento complicado, da solidariedade.

No início de março, os estoques de sangue caíram 25% e a coleta domiciliar de leite materno 35%; os dados são do Hemocentro de Brasília e da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), respectivamente. Apesar dessa situação, na segunda metade do mesmo mês houve recuperação e estabilização dos níveis do banco de sangue.


Neste mês, o Hemocentro informou que o movimento de doadores continua regular. No entanto, devido ao aumento da demanda, o grupo sanguíneo A negativo está em queda desde a última semana. O estudante Jordan Barbosa, 21, morador de Ceilândia, contribuiu neste ano. “É uma boa ação que está acessível para a grande maioria da população, e os hospitais estão sempre precisando de sangue”, conta. Além disso, ele incentiva. “Sempre quando doei fui acompanhado de amigos, e sonho com o dia em que eu consiga convencer meus pais a doarem”.

De acordo com a Secretaria de Saúde, a coleta de leite materno diminuiu, pois as mães estão com medo de receber os profissionais responsáveis pela coleta domiciliar. A coordenação de bancos de leite humano lembra que durante a coleta são cumpridas com rigor as recomendações da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano e do Plano de Contingência da SES-DF. Assim, as doadoras não só podem, como devem continuar contribuindo para outras mães que não puderam amamentar.


Amizade

Duas mães que fizeram o pré-natal no mesmo centro de saúde, moradoras do Guará 2, criaram um laço de amizade que será lembrado para sempre. A gestora de recursos humanos Marina Lopes, 25, não produziu leite materno para amamentar a filha Valentina, que nasceu há dois meses. Ela lembrou da companheira que conheceu no posto de saúde, durante a gravidez, e pediu para que ela doasse leite materno a sua bebê recém-nascida.


Marina Rodrigues, 32, aceitou o pedido da xará. Mãe de dois filhos, ela foi doadora durante a primeira gestação e resolveu ser “mãe de leite” novamente. Desta vez, pela amizade com Marina, que recebe o leite coletado a cada dois dias. “Eu sempre levo o potinho na casa dela e ela enche. O leite dura dois dias, então, vou à casa dela, mais ou menos, três vezes por semana para buscar a coleta. Tentei entrar na fila de espera do banco de leite do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), mas iria demorar muito, já que a prioridade do hospital são os bebês que estão internados lá”, relata.


Marina Lopes conta que a doação do leite faz toda a diferença. Ela se mostra confiante quanto aos cuidados que a doadora adota em relação à amamentação. “Eu me sinto segura, sei que ela toma todos os cuidados de higiene. Isso me ajudou muito, foi um momento em que minha filha estava com muita cólica, e ela dividiu o leite do filho dela comigo, por amor”, relata. Além do leite materno doado pela amiga, a filha de Marina também toma leite especial para reforçar a alimentação.

A autônoma Joyce de França, 24, mora em Taguatinga, é mãe de um bebê de apenas três semanas e já contribui com doações. “Eu produzo muito leite e sei a importância disso para os bebês. Enquanto eu puder doar, vou fazer. Não vou desperdiçar algo tão importante”, salienta. Ela lembra ainda da importância de estimular solidariedade. “Outra mamãe começou a doar na semana passada por incentivo meu”.


* Estagiários sob orientação de Adson Boaventura

  • Saiba mais

    De acordo com recomendações da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, da Fiocruz, a amamentação deve ser mantida em caso de infecção pela Covid-19, desde que a mãe deseje amamentar e esteja em condições clínicas adequadas para fazê-la.

    A mãe infectada deve seguir as orientações de higiene para reduzir o risco de transmissão do vírus por meio de gotículas respiratórias durante o contato com a criança, incluindo a amamentação.

    • 1- Lavar as mãos por pelo menos 20 segundos antes de tocar o bebê ou antes de retirar o leite materno (extração manual ou na bomba extratora)
    • 2 - Usar máscara facial (cobrindo completamente nariz e boca) durante as mamadas e evitar falar ou tossir durante a amamentação
    • 3 - A máscara deve ser imediatamente trocada em caso de tosse ou espirro ou a cada nova mamada

  • Como doar

    Leite materno

    Para ajudar os bebês, a mãe doadora pode fazer o cadastro no Disque Saúde 160, opção 4, pelo site Amamenta Brasília ou pelo aplicativo disponível em IOS e Android. Há ainda a possibilidade de mandar mensagem para o número 99132-8846 e informar que deseja doar.

    O aplicativo facilita o acesso das doadoras de leite materno aos bancos de leite da rede pública. Por meio dele, a doadora poderá se cadastrar, informar o local de retirada do leite e solicitar mais potes para doação. A plataforma também oferece para as mães uma equipe responsável para coletar o leite na região onde moram.

    Também pelo aplicativo, os bombeiros responsáveis pela coleta do material podem criar rotas de GPS, de forma a otimizar o trabalho. Além disso, os profissionais têm a possibilidade de contatar as doadoras, que conseguirão notificar as equipes de recolhimento do leite humano.


    Sangue

    Devido ao coronavírus, desde 25 de março de 2020 o Hemocentro atende somente doações de sangue agendadas. A medida tem o objetivo de controlar o número de doadores que aguardam no ambiente.


    O agendamento individual, ou de grupos, deve ser feito pelos telefones (61) 3327-4413 ou (61) 3327-4447. Nesses contatos, o atendimento é de segunda a sábado (exceto feriados), das 7h às 18h.

    O agendamento individual também pode ser feito pelo 160, opção 2, ou 0800 644 0160. O horário de atendimento é de segunda a sexta, das 7h às 21h, e aos sábados, domingos e feriados, das 8h às 18h.


    Vale lembrar que quem teve contato com pessoa diagnosticada ou com suspeita de coronavírus, assim como quem retornou de viagem internacional recente, fica impedido de doar sangue por 14 dias. Esse prazo também se aplica aos candidatos com febre ou sintomas respiratórios (tosse, irritação ou dor na garganta), até o desaparecimento completo desses sinais.


  • Coleta
    • 1 Procure tirar o leite em um lugar limpo e tranquilo da casa
    • 2 Use potes de vidro com tampa plástica
    • 3 Ferva os potes por 15 minutos e deixe que sequem sobre um pano limpo
    • 4 Use uma touca ou um lenço na cabeça
    • 5 Coloque uma máscara sobre o nariz e a boca
    • 6 Lave as mãos e os braços até o cotovelo com bastante água e sabão
    • 7 Lave as mamas apenas com água
    • 8 Seque as mamas e as mãos com um pano limpo
    • 9 Massageie os seios com a ponta dos dedos, com movimentos circulares, e inicie a coleta diretamente no pote
    • 10 Encha o pote até faltarem dois dedos para completá-lo e, caso seja necessário, recomece uma nova coleta em outro pote higienizado
    • 11 Identifique o pote com seu nome e a data em que retirou o leite pela primeira vez. Para completar um pote que já está no congelador, faça a coleta em um copo de vidro e depois despeje no pote.

    • 12 O leite pode ficar até 10 dias no congelador ou no freezer.

    • 13 O Corpo de Bombeiros buscará a doação em sua casa após seu contato.
    • Crianças e idosos necessitam de ajuda

      O Lar dos Velhinhos Bezerra de Menezes, localizado em Sobradinho, abriga 70 idosos que sempre precisaram do apoio da comunidade. A solidariedade e a parceria das pessoas sustentam o lar. Com a pandemia do coronavírus, as doações pararam de chegar espontaneamente. Agora, o trabalho precisa ser redobrado.

      De acordo com a psicóloga que atende o Lar dos Velhinhos, Priscila Fernandes, 28, por causa da proibição das visitas aos idosos, as doações também pararam de chegar. Ela conta que foi preciso divulgar e movimentar as redes sociais para arrecadar doações, assim que iniciou o isolamento social. “Sempre dependemos da doação da comunidade, durante esta pandemia passou a ser mais necessário. Por isso, procuramos divulgar nossas necessidades nas redes sociais sobre a importância dessa questão,” relata.

      Ela conta que existem colaboradores mensais, no entanto, as doações pontuais que chegavam durante a semana faziam toda a diferença. Com o distanciamento social, ficou ainda mais difícil manter o estoque de alimentos e de materiais de limpeza. Além disso, o abrigo passou a ter novas necessidades como álcool em gel e máscaras de proteção, por exemplo. "Até mais do que antes, é importante a participação da comunidade. Hoje, não podemos abrir para receber visitas e para novos doadores conhecerem nosso trabalho, mas contamos principalmente com a colaboração das pessoas”.


      A nutricionista Taís Senna, 29, mora em Águas Claras e está ajudando o Lar dos Velhinhos Maria Madalena, no Park Way. Ela conta que um vizinho vende frutas e verduras em feiras, mas devido à pandemia ficou impossibilitado de trabalhar nestes ambientes. Entretanto, começou a vender seus produtos no condomínio, e a partir disso, Taís começou a ajudar o lar para os idosos levando os alimentos.

      “Semana passada entreguei uma cesta pré-pronta. Após falar com amigos, alguns se interessaram em ajudar também. Nesta semana, será a primeira doação em grupo”, conta a nutricionista.

      Abrace

      A ONG Abrace presta assistência social às famílias de crianças e adolescentes em tratamento de câncer e hemopatias há 34 anos, mas diante do atual cenário, enfrenta novos desafios. Maria Angela Marini, 68, presidente-voluntária da instituição, conta como está enfrentando os obstáculos. “Felizmente, em resposta à campanha ‘O câncer não faz Quarentena’, recebemos em abril resposta positiva, com vários tipos de doações, que foram suficientes para suprir as necessidades do mês”.

      Apesar do resultado positivo no mês passado, a demanda por contribuições aumentou desde o início da pandemia. “A necessidade das famílias assistidas cresceu porque o rendimento familiar de nossos assistidos diminuiu. Em época normal, sem a Covid-19, a Abrace distribuía em média, mensalmente, 130 a 140 cestas básicas. No último mês de abril, foram distribuídas 200”, explica a presidente.

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