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Adolescentes driblam tédio e rotina restrita

Adolescentes driblam tédio e rotina restritaFoto: Estadão

Não é fácil ser um adolescente. Muito menos um adolescente que só está em contato com os amigos pelas redes sociais e passou de uma hora para a outra a fazer aulas a distância e provas online

Estadão Conteúdo - 15/12/2020 - 00:35:13

Não é fácil ser um adolescente. Muito menos um adolescente que só está em contato com os amigos pelas redes sociais e passou de uma hora para a outra a fazer aulas a distância e provas online, enquanto vê no noticiário o avanço da covid-19 . Mesmo assim, Rafael continua com suas aulas de dança, driblando o pouco espaço na sala de casa e o fato de não ter ninguém ao lado para corrigir seus movimentos. Paolo, depois de vencer o coronavírus, cuida do físico e da cabeça, lendo e assistindo a programas inteligentes. E Manuela tem se revelado uma bela escritora.

Eles são alguns dos milhares de adolescentes que precisaram se adaptar a novas rotinas, de vida, de estudos, de contato familiar. E tudo isso sem o bônus das conversas em grupo no recreio, dos abraços e beijos na entrada da escola, da festa no fim de semana ou das tardes de trabalho de escola e videogame na casa dos colegas. Mas eles vão encarando essa nova realidade e reconhecendo em si o que gostam e o que poderiam fazer diferente. Equilibram a angústia do momento com encontros virtuais com os amigos, com séries e livros, e muitas horas no aplicativo TikTok.

Manuela Paulino, de 14 anos, mantém o ânimo escrevendo e pensando no reencontro com os amigosArquivo pessoal

“Os adolescentes estão sentindo falta dos amigos e do grupo, de se encontrar não só pelos aplicativos. Todos estamos sentindo falta de muita coisa e estamos dando conta de elaborar essas faltas e de encontrar substitutos”, explica a psicanalista Luciana Saddi, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. “Temos recursos para isso. E os adolescentes também têm recursos para enfrentar essas faltas encontrando maneiras criativas de viver.”

Luciana destaca ainda que tem sido possível tirar proveito da situação. A maior convivência com a família, com a presença em tempo integral dos pais em casa, e a possibilidade de cooperação nas tarefas domésticas são alguns desses ganhos. “Isso não quer dizer que eles não fiquem tristes e angustiados ou que não sofram porque tudo acontece, em geral, ao mesmo tempo.”

Manuela Paulino, de 14 anos, se arrepende de não ter se despedido como gostaria dos amigos no último dia de aula antes da quarentena. Imaginava que apenas fariam uma pausa de duas semanas e que logo estariam todos juntos de novo, se abraçando e conversando. A ficha foi caindo aos poucos, na medida em que a programação de aulas foi divulgada. Agora, ela acha que talvez tudo isso se estenda até o ano que vem.

Diário de Manuela: com tantas tarefas da escola, não sobra tempo para o tédioArquivo pessoal

A saudade dos amigos é o que bate mais forte nesses dias de isolamento. Revê-los é a primeira coisa que ela vai querer fazer, mesmo que não possam se abraçar, uma ideia ainda assustadora para a garota. Em casa, com tantas tarefas da escola, não sobra tempo para o tédio e ela diz que a situação está menos complicada. “Depois de um tempo, eu consegui criar um ambiente para mim, filtrar as notícias que chegam do mundo de fora”, diz a aluna do 9.º ano, que escreveu um texto sensível e maduro sobre a quarentena para um sarau online de sua escola, em São Paulo. “Hoje, eu não fico alienada, mas também não fico tão nervosa.”

Escrever, aliás, é algo de que ela gosta muito e procura fazer sempre que se sente inspirada. Esse texto da escola nasceu, por exemplo, das observações que ela vai anotando em seu diário, à mão, com a letra redondinha. Para aplacar a falta dos amigos, tem escrito sobre eles.

Manu está bem, sente e sabe que está protegida, mas tem medo do rumo que as coisas estão tomando, se assusta com o número de pessoas que estão perdendo a vida para o coronavírus e teme pelo futuro. “O meu maior medo, hoje, é que quando tudo voltar não vai mais ser o mundo que eu conheço. Tenho medo de encontrar um mundo completamente diferente”, diz a adolescente, que todos os dias fala com pelo menos dois colegas por horas a fio. Como qualquer outro jovem de sua idade, está passando muito tempo conectada e no TikTok.

Como Manuela, Maria Luiza Salvatori, de 17 anos, vem tentando se proteger das notícias, que são “muito pesadas”. Conta que tem seguido algumas páginas mais positivas na internet, mas que mesmo que se tranque no quarto não dá para fugir das notícias ruins. “Sinto um medo constante, parece paranoia, sei da gravidade do vírus e não temos noção da situação do País”, diz. “Eu sei que, se eu pegar, vou ficar bem e me tratar, mas me preocupo com meus avós, com meus pais, com as pessoas do prédio. Sinto empatia, sabe?”, comenta a estudante, que não gosta de ver, pela janela de seu apartamento no Rio, pessoas andando despreocupadas pela rua.

Malu está no 3.º ano do Ensino Médio e, às vésperas do Enem, tem sentido dificuldade de se concentrar. “Em casa é tudo mais flexível e me pego procrastinando muito. Adoro ler, mas não tenho conseguido focar em nada”, diz a estudante, que pretende cursar ciências políticas.

Por incrível que pareça - surpreendendo até ela mesma -, lavar louça tem ajudado nos momentos complicados. “Odeio, mas é o único momento em que tenho foco”, brinca a garota. Diariamente, Malu também procura a fresta rápida de sol que entra pela janela do apartamento e não vê a hora de poder ir à praia e reencontrar os amigos.

Maria Luiza Salvatori ‘ataca’ a louça para enfrentar os momentos mais complicadosArquivo pessoal

De acordo com a psicóloga Edna Oliveira, a família pode ajudar a motivar os adolescentes neste momento. “Claro que não é fácil, não é um truque de mágica, mas é preciso abrir um caminho do qual você, pai, faça parte”, sugere a especialista. “Posso chamar esse adolescente para participar de uma atividade ou pedir a ajuda dele. Indagar ‘O que você acha disso?’, ‘Vamos fazer?’.”

Em certo momento, é normal que se sintam entediados. “O que os motiva é quando você convida para uma ação diferente. Ficar em casa é ficar entediado”, afirma a psicóloga. “É possível criar atividades na piscina de casa, ensinar um ao outro como tocar um instrumento. É uma hora legal para esse aprendizado.”

Claro que não é fácil motivar um adolescente. É preciso abrir um caminho do qual os pais façam parte”

Edna Oliveira, psicóloga

Essa proximidade, com todos ficando mais em casa, é uma oportunidade para a família se conhecer melhor. “Muitos pais não sabem o que motiva os filhos”, diz Edna. “Esse é o momento de perguntar.”

Convivendo com o coronavírus

Paolo Carrenho, de 16 anos, também achava que seria fácil se tratar, caso ele pegasse o coronavírus. E sua quarentena começou bem, naquela euforia de não ter aula, de poder ficar em casa, na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo. Estudante e jogador de futebol, ele deu um jeito de continuar fazendo exercício no apartamento e foi tocando a vida. Viu o tédio se aproximando, até que no dia 14 de maio os primeiros sintomas do coronavírus apareceram.

“Eu sempre tive uma boa saúde e achei que os efeitos não seriam tão absurdos se eu pegasse. Mas o coronavírus é mesmo muito silencioso.” Paolo teve os sintomas intestinais, e ficou isolado no quarto que antes dividia com os dois irmãos, torcendo para não ter falta de ar, seu medo mais real. Com o fim do ciclo do vírus, ele melhorou e tentou voltar a comer. Teve uma recaída. “Só depois de um mês é que acho que posso dizer que tive um dia normal.”

Os irmãos Paolo e Rafael Carrenho precisaram ficar separados quando o primeiro contraiu a covid-19Arquivo pessoal

Durante a doença, o garoto viu séries e filmes. Também leu Felicidade: Modos de Usar, de Leandro Karnal , Luiz Felipe Pondé e Mario Sérgio Cortella . “Neste momento, estou tentando manter o físico e não atrofiar o cérebro. E não estou focado em ver só notícias do momento. Procuro assistir ao Roda Viva , coisas assim.”

Irmão de Paolo, Rafael, de 14 anos, conta que no início não tinha muito medo da covid-19. “Mas ele cresceu quando tivemos de nos isolar. Tive medo de pegar e precisar ficar trancado, como Paolo”, diz Rafael. “Tive medo que ele piorasse e tivesse de ser internado. Agora, temo que alguém pegue e eu não consiga me despedir.”

A psicanalista Luciana explica que muitos jovens têm ficado angustiados por estarem sendo confrontados, pela primeira vez, com a morte e o desconhecido. “Quando acontece algo como o que estamos vivendo, o que não é pouco, eles ficam muito assustados e não têm instrumentos para elaborar”, diz a especialista. “Aliás, é assustador para todo mundo. Mas os adolescentes estão angustiados porque muitos pais não sabem falar disso com os filhos. Fazem de conta que não está acontecendo nada, falam baixinho. Nem as crianças são bobas, imagine os adolescentes.”

Para ela, a saída é sempre a conversa. “As pessoas precisam falar mais sobre a morte, sobre o medo de morrer. Elas têm de ser mais realistas.” Sua dica, no caso dos adolescentes, é deixar tudo o mais claro possível. “Assim, a angústia passa a ser nomeada e nós nos tranquilizamos. O medo não passa, mas quando conseguimos nomear, a angústia tende a melhorar”, diz. E sobra espaço para buscar algo que os motive.

Adolescentes estão angustiados porque os pais não sabem falar sobre a morte e o desconhecido”

Luciana Saddi, psicanalista

Rafael, por exemplo, se tranquilizou quando se deu conta de que o medo não era só dele. “Todo mundo está sentindo e passando por isso.” Na quarentena, o garoto continuou fazendo de casa suas aulas de dança. Também vem se aproximando da cozinha. “Descobri que sei fazer algumas coisas”, conta, orgulhoso.

Ele sente saudades do pai, que mora mais distante, e de se encontrar com os amigos. E sonha, claro, com o dia em que tudo isso vai passar. “Não estou feliz nem triste, mas quero que essa ansiedade passe logo.”

Sensação parecida com a de Pedro Meloni Gilioli, de 14 anos. “Escuto minha mãe falando e fico angustiado. O meu medo é que isso chegue a alguma pessoa próxima de mim, que isso dure mais tempo e mate mais pessoas.”

‘Meu medo é de que chegue a alguma pessoa próxima, dure mais e mate mais gente’, diz Pedro GilioliArquivo pessoal

Ele está em uma fazenda com os pais e os avós. “São dois meses sem ver a galera, mas sinto que neste momento o melhor lugar para se estar é aqui, onde posso correr e jogar bola.” Pedro também se distrai jogando videogame, com uma frequência que até conseguiu reduzir. E lendo Maus, de Art Spiegelman, para a escola. Mas tudo o que o garoto queria era que tudo estivesse normal. E ele pudesse continuar em Brasília, cursando o 9.º ano na escola e jogando bola com os amigos.

Videogame e até quebra-cabeças

Prestes a fazer 15 anos, o santista Leonardo Pajares Pinho só saiu de casa durante a quarentena para ir ao pediatra. Achou que tudo não duraria mais do que 15 dias - já são três meses de isolamento. “Sinto falta das pessoas, mas achei que a quarentena seria pior. Eu gostava muito de sair, de ir à praia com os amigos, jogar bola no prédio, mas eu também já ficava muito em casa. Quero que acabe logo. Mas, como jogo videogame, está mais tranquilo. Não é tão entediante”, conta.

Para manter o contato, os amigos conversam em grupo no WhatsApp e quando jogam videogame. No começo, eram sete, oito horas por dia. O próprio Leonardo achou que estava exagerando e conseguiu maneirar. Desenterrou um quebra-cabeça de 2 mil peças do armário, começou a ver séries, está fazendo exercício físico e tenta se manter informado, mas não sente mais medo. “Só fico estressado de ver gente saindo de casa. Dá raiva”, diz.

Mesmo com as dificuldades, a psicanalista Luciana acredita que, de modo geral, os adolescentes estão se saindo bem durante a quarentena. Muitos conseguem ser criativos, estudar e ocupar o tempo, na opinião dela.

Leonardo Pinho tenta maneirar no videogame e desenterrou quebra-cabeças de 2 mil peçasArquivo pessoal

“Isso mesmo tendo de ficar muito em casa, não poder ver os amigos, dar seus beijos e tendo a sexualidade interrompida”, garante.

Luciana sugere uma relação mais equilibrada entre pais e filhos - nem pressão demais nem proteção exagerada. “Todo mundo está angustiado. Os pais precisam aprender a moderar a pressão e, por outro lado, a não tratá-los como criancinhas que não vão conseguir superar a realidade.” É necessário, no entanto, ficar atento para casos mais sérios, quando o medo acaba paralisando o jovem. “Então, é preciso procurar ajuda.” / COLABOROU ROBERTA PICININ


Alexandre Kalache
Presidente do Centro Internacional de Longevidade no Brasil

‘Idosos precisam ter um propósito’

‘Eles têm mais resiliência, olham para trás e lembram de adversidades que viveram e superaram’, diz KalacheArquivo pessoal

Pertencentes a um dos grupos de risco da covid-19, os idosos estão ainda mais submetidos ao isolamento por causa da pandemia. Muitos deles encontravam motivação em atividades em grupo como ginástica, universidade para a terceira idade e atividades culturais - hoje suspensas. Como lidar então com esse cenário e encontrar ânimo para levantar todos os dias?

Para Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade no Brasil, que dirigiu por 14 anos o Programa Global de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), não estamos diante de um problema exatamente novo: a solidão, diz ele, já era enfrentada por 4 milhões de brasileiros antes da pandemia.

Em entrevista ao Estadão, Kalache comenta sobre a resiliência que os idosos costumam ter durante crises como a que estamos vivendo e destaca a importância da sociabilidade para o envelhecimento saudável . “Mais importante ainda é ter um propósito, para não sentir que a vida está vazia”, afirma. Um dos lugares em que idosos podem encontrar essa motivação é no trabalho voluntário, sugere.

A seguir, confira os principais trechos da entrevista:

Quais os principais impactos que a pandemia pode causar nos idosos?

A covid-19 não forjou nossas mazelas, ela apenas está deixando-as escancaradas. A pandemia traz à tona questões muito antigas. O isolamento de idosos não é uma questão apenas deste momento: cerca de 4 milhões de idosos vivem sozinhos no Brasil, e são pessoas que mesmo antes da pandemia estavam habituadas a viverem só. Muitos idosos enfrentam essa solidão com muita dificuldade, porque não foi por opção - são pessoas que, por exemplo, não tiveram filhos ou os filhos vivem longe. Há também a questão do abuso e maus-tratos do idoso, cujos registros têm aumentado no disque-denúncia. Mas, como sempre, em um país com tantas desigualdades, os efeitos da pandemia são bastante variáveis, dependendo da “caixinha” em que você está. Há pessoas idosas que têm recursos tecnológicos e sabem usar as ferramentas, o que faz com que elas estejam isoladas sem estarem sozinhas. Ao mesmo tempo, existem idosos que estão preocupados se vão ter o que comer hoje.

Como os idosos costumam lidar com situações adversas?

Em geral, eles costumam ter bastante resiliência. Como o idoso já passou por muitas e boas, ele consegue ver que há uma luz no final do túnel, enquanto uma pessoa jovem facilmente se desespera, entra em ansiedade e fica com medo da situação. O idoso olha para trás e lembra que já viveu outras adversidades que passaram. A resiliência é você dispor de reservas internas para vencer as dificuldades, os traumas e até as perdas que uma vida mais longa pressupõe. Entretanto, apesar de idosos serem mais resilientes, eles estão sentindo hoje a perda dos dias sem poder ver os netos, os amigos e sem poder passear. E eles sabem que essa é uma grande proporção da vida que lhes resta.

Muitos idosos que se dedicavam a atividades fora de casa tiveram uma mudança de rotina agora na pandemia, com o confinamento. Que efeito isso pode trazer para eles?

Fazia parte do dia a dia de muitos idosos frequentar espaços que promoviam atividades lúdicas, culturais e físicas. Alguns frequentavam programas de universidades para terceira idade também, e passavam a semana inteira esperando a hora de ir para aula, para aprender e conversar. Muitas vezes frequentar essas atividades significa encontrar pessoas: não é só ir fazer a ginástica, tem uma troca e você está participando e mantendo as suas relações. Muita gente deve estar sentindo falta disso. É uma geração que mesmo que tenha adquirido o básico em questão de tecnologia, não tem a mesma versatilidade e também não acha tão fácil seguir uma aula de alongamento pelo celular, por exemplo. Isso tem um efeito físico, já que idosos perdem massa muscular mais rapidamente, e também um impacto emocional, que pode se traduzir em um sentimento de solidão.

Qual é a importância da sociabilidade nesta fase da vida?

Existem alguns fatores que, se acumulados, podem ajudar você a envelhecer com qualidade de vida e a se tornar um idoso vivo e ativo. Primeiro, há os capitais de saúde: acho que todo mundo concorda que se a saúde vai embora, a qualidade de vida também vai. Há também os capitais de conhecimento, porque é importante aprender constantemente para não se tornar obsoleto. Um outro fator é justamente o capital social, mantendo amigos e relacionamentos. A sociabilidade é também um fator de proteção, como ter alguém que cuide de você caso surja alguma doença. Por fim, há o capital financeiro, que não resolve tudo, mas ajuda no envelhecimento. Contudo, esses capitais sozinhos não são suficientes: eles não adiantam se você não tiver um propósito de vida, se não souber por que acordou e se vai levando a vida sentindo que ela está vazia.

É comum que idosos percam esse propósito na velhice?

Isso acontece sobretudo com os homens idosos, que ao longo da vida se acostumaram a depositar todas as fichas na profissão. Quando eles se aposentam de repente, ficam perdidos. O trabalho voluntário é uma boa opção para encontrar propósito. Encontre uma causa e faça o bem para alguém. Em um país com tanto problema social, tem muita gente precisando da sua ajuda.

O senhor acha que é possível manter a sociabilidade durante a pandemia?

Temos depoimentos de pessoas que estão agradecendo que existe chamada de vídeo para poder falar com seus netos. A tecnologia, para quem pode utilizá-la, está sendo uma ferramenta salvadora.

É importante o idoso manter desafios e metas?

Estabelecer metas e desafios é algo importante durante a vida toda. A vida é um curso: você não se transforma de repente aos 70 anos. Quanto mais cedo você começar a se preparar para a tal da velhice, tendo metas e objetivos, melhor. Se você não começou aos 20, comece aos 30, ou então aos 50. Você vai precisar de metas, disciplina e determinação para lidar com esse tempo maior que surge com a velhice. A vida antigamente era uma corrida de 100 metros, mas hoje é uma maratona. É importante a cada dia atingir uma meta e fazer um pouco mais para si a fim de chegar bem no final maratona.

Qual conselho o senhor daria para um idoso que está solitário e angustiado agora durante a pandemia?

É possível manter desafios agora, podem ser objetivos bem triviais, como se propor perder alguns quilos se você estiver precisando emagrecer. Pode ser uma meta também manter os amigos e manter o espaço de casa limpo. Faça com que esse lar em que você está confinado seja um ambiente agradável, abra a janela para arejar essa vida que está com bolor. Abra também aquele armário que está entulhado de coisas e separe o que precisa jogar fora e o que pode doar. Essa limpeza tem de ser no espaço físico, mas também na alma e no coração. A pandemia está mostrando o quanto a vida é frágil. Aproveite o confinamento para pensar em pedir perdão, para resolver mágoas. Tente fazer a vida mais leve, com bom-humor. Olhe para o seu envelhecimento como uma tremenda conquista.


Expediente

Reportagem Ana Carolina Sacoman, Giovanna Wolf, Márcia De Chiara, Maria Fernanda Rodrigues e Roberta Picinin (estagiária sob supervisão de Carla Miranda) / Editora de Conteúdos Premium Ana Carolina Sacoman / Editora de Inovação Carla Miranda / Editor executivo multimídia Fabio Sales / Editora de infografia multimídia Regina Elisabeth Silva / Editores assistentes multimídia Adriano Araujo, Carlos Marin, Glauco Lara e William Marioto / Designers multimídia Danilo Freire e Lucas Almeida / Coordenador de Produção Multimídia Everton Oliveira / Edição de Vídeos Léo Souza

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