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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 04 de dezembro de 2021

Agrovila do MST recebe certificação de produção agroecológica em Castro, Paraná

Agrovila do MST recebe certificação de produção agroecológica em Castro, ParanáFoto: Valmir Fernandes

Conquista reflete o esforço coletivo de 40 famílias

Redação Paraná - Curitiba (pr) - 06/11/2021 - 10:24:29

Território está localizado em área de preservação ambiental e desde 2018 produz alimentos saudáveis

A comunidade Padre Roque Zimmermann, de Castro, no Paraná, recebeu a certificação de produção agroecológica. A conquista reflete o esforço coletivo das 40 famílias, que desde a ocupação da área, em 2018, optaram e se organizaram pela produção orgânica e agroecológica. A certificação veio por meio da Rede Ecovida, uma organização que realiza a certificação de forma participativa, com metodologia de verificação da conformidade.

Por estar localizada às margens do rio Iapó, a comunidade Padre Roque tem como característica ter grande parte das terras inseridas em área de conservação ambiental. De acordo com um estudo socioambiental e econômico realizado por um grupo de extensão da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 80% do território não pode haver construções. Além disso, o espaço suporta até 40 famílias, que tomaram a decisão coletiva de produzirem de maneira cooperada e agroecológica.

Desde a ocupação da área, em 2018, as famílias optaram e se organizaram pela produção orgânica e agroecológica / Foto: Valmir Fernandes/MST-PR

Com o auxílio da UEPG e da UFPR, foram realizados cursos e oficinas dentro da comunidade. Com debate, chegou-se em um modelo de vida e produção agrícola, que tem o objetivo de ter um desenvolvimento sustentável, através de uma agrovila.

De acordo com Joabe Oliveira, morador da comunidade e integrante da direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Paraná (MST), “desde a ocupação foi decidido que não seriam usados agrotóxicos e aos poucos criando as condições de descontaminar a área e conquistar o certificado orgânico.”

Lourival Brandt, coordenador geral do acampamento, conta que “com a certificação, a comunidade pode comercializar os produtos em feiras de orgânicos, participar de licitações da alimentação escolar, além de agregar valor no alimento e comprovar que é saudável e sem veneno.”

Hoje a comunidade produz e comercializa feijão, milho, arroz, mandioca, abóbora, verdura, legumes e frutíferas em geral. Além da criação de animais como galinha, pato, porco, codorna e gado.

Com debate, chegou-se em um modelo de vida e produção agrícola, que tem o objetivo de ter um desenvolvimento sustentável / Foto: Valmir Fernandes/MST-PR

Três anos de construção

Prestes a comemorar três anos de existência, a comunidade Padre Roque teve um acúmulo de conquistas recentes, como é o caso da certificação de produção agroecológica, luz elétrica e o Cadastro de Produtor Rural (CAD-PRO), conhecido como a “carteira de identidade” do produtor rural, que melhora a questão da comercialização dos produtos dos camponeses.

Ocupada no dia 6 de dezembro de 2018, a área originalmente pertencia ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), mas estava sendo explorada de forma ilegal por um fazendeiro da região. De acordo com a direção do MST, havia no local cultivo de soja transgênica, muito próximo das margens do Rio Iapó, o que é proibido por lei.

Para Joabe Oliveira, “a comunidade Padre Roque já é consolidada, com famílias, crianças, jovens e idosos, com água, luz, muita produção orgânica, esporte e lazer”.

Prestes a comemorar três anos de existência, a comunidade Padre Roque teve um acúmulo de conquistas recentes / Foto: Debora Xavier

Desde o início da pandemia da Covid-19, a comunidade tem participado das doações das ações de solidariedade do MST, com a doação de alimentos. As doações tiveram destino a famílias da região urbana que passam por dificuldades devido à crise econômica. Ao todo, assentamentos e acampamentos da Reforma Agrária do Paraná partilharam mais de 790 toneladas de alimentos, desde abril de 2020.

Edição: Lia Bianchini

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