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Ala militar tenta fazer Jair Bolsonaro esquecer o golpe e voltar a governar o país

Ala militar tenta fazer Jair Bolsonaro esquecer o golpe e voltar a governar o paísFoto: Tribuna da Internet

Alto-Comando do Exército não aceitou o “presente” de Bolsonaro

Carlos Newton - Tribuna Da Internet - 10/06/2020 - 09:48:50

O Brasil vive uma perigosa fase de surrealismo político. O presidente Jair Bolsonaro chegou à conclusão de que só conseguirá governar se houver um golpe militar que feche o Congresso e o Supremo, ou seja, mais radical do que a revolução de 1964. No entanto, seu projeto não está indo para frente, porque as Forças Armadas não demonstram o menor entusiasmo com novo golpe de estado e reina um clima de total tranquilidade nos quartéis, que sequer ficam em prontidão.

Mas Bolsonaro não desiste. Fica tentando agradar aos militares, tudo dá errado. Agora, tentou presentear o Exército com a criação da aviação própria, separada da FAB, mas não deu certo. O Alto Comando da FAB protestou, o Alto Comando do Exército recusou o presente e mandou Bolsonaro revogar o Decreto 10.386, baixado na semana passada, que permitia ao Exército voltar a ter aviões.

DE RECUO EM RECUO – Como é de praxe, mais um decreto revogado, demonstrando que o governo realmente não tem senso de orientação. O recuo de Bolsonaro está publicado no Diário Oficial da União de segunda-feira (dia 8). O mesmo ato restaura a vigência do Decreto 93.206/1986, que dava ao Exército a permissão para operar apenas helicópteros.

Uma humilhação dessa grandeza deveria ser suficiente para acalmar Bolsonaro, mas com ele as coisas não funcionam assim. Os quatro generais do Planalto (Braga Netto, Augusto Heleno, Eduardo Ramos e Rêgo Barros) fazem o possível e o impossível para o presidente abandonar as teorias conspiratórias e voltar a governar, nesse momento gravíssimo para a nação, mas Bolsonaro não está nem aí.

Agora, só fala em aumentar as facilidades para os cidadãos comprarem armas e munições nacionais e importadas, com redução do imposto. E acha que pode ter o apoio das Polícias Militares dos Estados, para um golpe militar sem as Forças Armadas, vejam a que ponto chega a insensatez dele.

TRIPLO DESAFIO – É como se o Brasil estivesse enfrentando um triplo desafio – a pandemia de covid-19, a consequente recessão mundial e o desgoverno do presidente Bolsonaro. E o fenômeno mais interessante é que a opinião pública tenta enfrentar com determinação a tripla crise, fazendo lembrar a velha piada dos anos 50 – “O Brasil cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar”.

Essa situação faz lembrar também o exemplo da Bélgica. A partir de junho de 2010, o país europeu entrou em crise e os partidos se dividiram tanto que não conseguiram formar um governo. O impasse durou 541 dias, até 5 de dezembro de 2011, quando se conseguiu formar um governo de coligação, tendo sido nomeado o social-democrata Elio Di Rupo para o cargo de primeiro-ministro.

E o que aconteceu à Bélgica nesses 541 dias sem governo? Ora, não aconteceu nada. Vida que segue, diria João Saldanha, os estudantes iam à escola, as pessoas saiam para o trabalho ou fazer compras, tudo normal.

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P.S.
– A Bélgica é um bom exemplo para o Brasil, que está literalmente sem governo e ninguém diz nada, não acontece nada. Aliás, o Planalto parece um hospício e os ministros obedecem a um capitão que julga ser Bonaparte, em estilo baixo calão. Pessoalmente, estou me acostumando com isso, pois não falta assunto para os jornalistas de política. (C.N.)

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