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Angústia nos EUA ... e alívio na Europa

Angústia nos EUA ... e alívio na EuropaFoto: CorreioWeb

Relatório atribuído ao governo do presidente Donald Trump prevê registro de até 200 mil casos diários de infecção pelo novo coronavírus e cerca de 3 mil mortes por dia até 1º de junho. Casa Branca se distancia de documento

Correioweb - 05/05/2020 - 09:09:38

O rascunho de um relatório atribuído ao governo norte-americano — divulgado, ontem, pelos jornais The Washington Post e The New York Times — estima que os Estados Unidos registrarão até 200 mil casos diários de infecção pelo novo coronavírus até 1º de junho, além de 3 mil mortes todos os dias. Atualmente, os EUA têm, diariamente, 25 mil casos e 1.750 mortes. O documento prevê o aumento acentuado em infecções e óbitos a partir do próximo dia 14. A publicação das projeções ocorre no momento em que o presidente Donald Trump pressiona os estados a suspenderem as restrições de distanciamento social impostas para desacelerar o contágio da Covid-19. Até o fechamento desta edição, os EUA contabilizavam mais de 1.180.332 casos de infecção e 68.920 mortes. Em todo o mundo, eram 3.580.247 contágios e 251.365 óbitos. As estimativas do Centro para Prevenção e Controle de Doenças dos EUA (CDC) apontam que a região dos Grandes Lagos, o sul da Califórnia e partes do sul e do nordeste do país enfrentam um acréscimo no número de casos.

Funcionários transportam corpo do lado de fora de funerária do Brooklyn, em Nova York: metrópole contabilizava, até ontem, 19.057 mortes  (Johannes Eisele/AFP )
Funcionários transportam corpo do lado de fora de funerária do Brooklyn, em Nova York: metrópole contabilizava, até ontem, 19.057 mortes

Com o vazamento do relatório à imprensa, a Casa Branca tratou de se desvincular do assunto. “Este não é um documento da Casa Branca, nem foi apresentado à Força-Tarefa de Coronavírus ou submetido a análises interinstitucionais”, afirmou a Presidência dos EUA, por meio de comunicado. “As diretrizes do presidente para reabrir os Estados Unidos são uma abordagem científica com a qual os principais especialistas em saúde e doenças infecciosas do governo federal concordaram. A saúde do povo americano segue como prioridade do presidente, e isso continuará à medida que monitoramos os esforços dos estados para aliviar as restrições.”

Consultada pela reportagem, a Faculdade de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg explicou que a “informação divulgada pelo relatório vazado da Agência Federal de Gerenciamento de Emergência (Fema) incluiu análises preliminares feitas pelos pesquisadores” da faculdade. “Essas avaliações preliminares foram fornecidas à Fema para ajudá-la no planejamento de cenários — não para serem usadas como previsões. A versão publicada não é a final. (Ela) ilustra que há alguns cenários, incluindo o relaxamento prematuro do distanciamento social, que provavelmente aumentam significativamente os números de casos e de mortes por Covid-19 nos Estados Unidos”, afirmou o comunicado da faculdade.

Outro modelo citado com frequência pela Casa Branca foi revisado e projetou o dobro de mortes da previsão inicial. O Instituto para Métrica e Avaliação da Saúde da Universidade de Washington estima que haverá 135 mil óbitos até o início de agosto. Em 17 de abril, a projeção indicava 60.308 mortes até 4 de agosto. No domingo, Trump admitiu que os óbitos provavelmente chegariam a 100 mil. “Nós perderemos 75 mil, 80 mil a 100 mil pessoas. Isso é horrível. Não deveríamos perder uma pessoa para isso”, comentou, em entrevista à Fox News. Ontem, um alento: os EUA tiveram o menor número de mortes em um mês — 1.015.

Especulação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreveu como “especulativas” as declarações das autoridades americanas que afirmam ter provas de que o novo coronavírus surgiu em um laboratório na cidade chinesa de Wuhan. “Não recebemos nenhum dado nem prova específica do governo americano sobre a suspeita origem do vírus, portanto, para nós continua sendo especulativo”, declarou Michael Ryan, diretor de emergências da organização, em coletiva de imprensa virtual, na sede da OMS em Genebra. Depois de acusar a China de omitir a propagação do novo coronavírus, Washington afirma ter “provas” de que a doença surgiu em um laboratório em Wuhan, e Trump ameaçou Pequim com “tarifas punitivas”.

Pela primeira vez em sua história, a Suprema Corte dos EUA retomou as audiências por telefone e com transmissão ao vivo — uma grande mudança para esta instituição de procedimentos rígidos. “Ouçam, ouçam, ouçam”, o secretário do tribunal pronunciou a tradicional frase para abrir a sessão extraordinária que, exceto por poucos segundos de silêncio e alguns ruídos na comunicação, transcorreu sem problemas.

» Comitê para combater a “infodemia”

Um comitê de ação política trabalha para identificar declarações falsas ou enganosas do presidente americano, Donald Trump, sobre a pandemia de Covid-19. A campanha Defeat Disinfo (“Vencer a desinformação”, na tradução livre) começou na semana passada e conta com a tecnologia das mídias sociais. Um “conjunto sofisticado de ferramentas permite identificar informações erradas assim que começam a viralizar na internet”, de acordo com um comunicado de criadores da campanha. A tecnologia também oferece uma “contranarrativa real” sobre a Covid-19 com respostas, “tuíte a tuíte”, para limitar o impacto de informações imprecisas. “O presidente Trump é o maior disseminador de desinformação da América”, disse Curtis Hougland, presidente do comitê e chefe de uma empresa que trabalha para combater propagandas da Rússia e de extremistas do Estado Islâmico. “As pessoas estão morrendo como resultado de sua agenda política.”

...e alívio na Europa

Com mais de 145 mil mortos, a Europa começava ontem a flexibilizar as restrições impostas a milhões de habitantes. Apesar da suspensão de medidas de distanciamento social em alguns países, os cidadãos mantiveram a cautela. A Espanha colocou em marcha a chamada “fase zero” da desescalada e testemunhou uma corrida aos salões de beleza e barbearias. Na Itália, país mais castigado do continente, com 29.079 mortos, os habitantes já podem sair de casa, segundo um programa de desconfinamento que varia de acordo com a região. “A emergência não terminou”, advertiu a ministra do Interior, Luciana Lamorgese. A nação adota uma abertura considerada muito prudente: sem comércio varejistas, sem bares ou restarantes (com autorização apenas para vendas de refeições retiradas pelos clientes), com estímulo ao trabalho à distância e proibição de festas de família.

O governo italiano permitirá, no entanto, que familiares de uma mesma região se encontrem. Existe preocupação com o risco de uma segunda onda de infecções. “As novas regras são bem mais vagas. Temo que, para muitos, será uma desculpa para fazer o que desejam e encontrar todo mundo, primos, namoradas...”, comenta Alessandra Coletti, uma professora de 39 anos.

Na Áustria, alunos da última série do ensino fundamental voltaram às aulas, como também ocorreu em alguns estados da Alemanha. No Leste Europeu, terraços de cafés e restaurantes reabriram na Eslovênia e Hungria, exceto na capital, Budapeste. Na Polônia, também reabriram hotéis, centros comerciais, bibliotecas e museus. Em outros países europeus, o desconfinamento ainda não ocorreu. Na França, que registra mais de 25 mil mortos, o mesmo terá início na próxima segunda-feira, por região. As autoridades não vão impor uma quarentena aos passageiros procedentes de países da União Europeia, do espaço Schengen ou do Reino Unido. Por sua vez, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, deve anunciar no domingo um plano de alívio das medidas no país, que registra mais de 28 mil óbitos.

Vacina

Em Bruxelas, uma campanha mundial para arrecadar fundos organizada pela União Europeia conseguiu 7,4 bilhões de euros (cerca de R$ 44,6 bilhões) para financiar a pesquisa de uma vacina. Organizadora da conferência de doadores, que recebeu o apoio dos principais dirigentes europeus, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que uma vacina “é nossa maior chance coletiva de vencer o vírus. Temos que desenvolvê-la, produzi-la e estendê-la a todos os cantos do mundo a preços acessíveis”, disse.

 (Facebook/Reprodução)

Reencontro emocionante em Portugal

Foram quatro semanas de isolamento. Depois de a família ser afastada pelo novo coronavírus, o menino Salvador, de 3 anos, reencontrou-se com os pais, Ricardo Soares (28 anos) e Vânia Mendes (24). Portadores da Covid-19, o casal português precisou se isolar, entre 3 de abril e a semana passada, até a recuperação. Tudo para impedir que o filho fosse infectado também. “Ele (Salvador) só perguntava onde estávamos. Dizíamos que estávamos no hospital ajudando os médicos a tratar dos doentes”, contou Ricardo ao jornal Correio da Manhã. Antes de rever o filho, que ficou com um parente, eles tiveram de passar por três testes até sair o resultado negativo. O abraço da família foi marcado por lágrimas e por abraços apertados. “A mãe não te deixa mais”, disse Vânia, ao acarinhar o filho. Até a noite de ontem, o vídeo do encontro contabilizava 81.970 visualizações.

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