×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 09 de dezembro de 2021

Apenas 19% das empresas combatem a violência contra a mulher no Brasil

Apenas 19% das empresas combatem a violência contra a mulher no BrasilFoto: Pixabay

O estudo mostra ainda que as empresas estrangeiras tendem a se preocupar mais. Ao todo, 22% delas contam com ações e políticas. No grupo das nacionais, o número é de 17%.

Por Letycia Bond – Agência Brasil São Paulo - 23/12/2019 - 08:20:47

No Brasil, estima-se que 536 mulheres foram agredidas, por hora, em 2018. Preocupados em como lidar com a questão e seus impactos na vida de mulheres trabalhadoras, o Instituto Maria da Penha, o Instituto Vasselo Goldoni e o Talenses Group, grupo empresarial de recrutamento profissional, ouviram 311 empresas para saber como elas abordam o problema em suas unidades. Intitulada Violência e Assédio contra a Mulher no Mundo Corporativo , a pesquisa enviou formulários online para as empresas participantes.

Apesar de 68% das empresas consultadas terem considerado necessário dedicar tempo à abordagem da violência doméstica sofrida por funcionárias, apenas 19% desenvolvem políticas e ações de combate ao problema. Deste total, 11% declararam que esse engajamento se dá por meio de campanhas de sensibilização e conscientização.


Somente 9% têm um canal de ouvidoria para apoio à mulher. Na mesma proporção, as companhias oferecem serviço de psicologia fora de suas sedes e apoio jurídico. Um percentual inferior, de 4%, oferece suporte por meio de uma rede de apoio constituída por mulheres vítimas de violência.

Empresas que oferecem atendimento psicológico no próprio ambiente de trabalho totalizam 5%. Os dados mostram ainda que 13% das empresas declararam não saber se têm mecanismos de enfrentamento à violência doméstica.

Perfil

Outro indicador importante é relativo ao perfil das empresas que mais se empenham em iniciativas desse tipo. As de grande porte são as que mais se comprometem quanto ao enfrentamento à violência doméstica. Ao todo, 25% das empresas com um quadro de 499 funcionários ou mais investem nisso.

Entre aquelas que têm até 99 empregados, a proporção das que estruturam ações e políticas é de 17%, ficando em segundo lugar na lista. Já entre as companhias da faixa intermediária, com um quadro de pessoal entre 100 e 499 pessoas, 11% têm iniciativas para abordar a violência contra a mulher. No que concerne ao tipo de gestão, constatou-se que 21% dos negócios classificados como profissionais decidiram colaborar com o combate à violência doméstica dessa forma, ante 15% das companhias administradas por famílias.

O estudo mostra ainda que as empresas estrangeiras tendem a se preocupar mais. Ao todo, 22% delas contam com ações e políticas. No grupo das nacionais, o número é de 17%.

Menos de um terço das empresas ouvidas (26%) afirmou que monitora os casos de violência contra funcionárias e intervém, contra 55% que declarou não fazê-lo. Dentre as justificativas apresentadas destacam-se as seguintes: não está na agenda prioritária da organização (33%); dificuldade de mensurar e controlar (13%) e falta de apoio da liderança (12%).

Assédio sexual e moral

O estudo também revelou informações sobre o modo como os empreendedores têm atuado em face do assédio sexual e moral contra mulheres. De acordo com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), somente no ano passado foram movidas, na Justiça do Trabalho, mais de 56 mil ações relativas a assédio moral.

O setor industrial recebe destaque positivo: 74% das empresas afirmam desenvolver iniciativas para enfrentar esses crimes. Em relação aos representantes do setor de comércio e serviços, as porcentagens são de 57% e 54%, respectivamente.

No caso do assédio, a maior adesão se dá entre as empresas de perfil profissional (66%) e com um quadro de mais de 499 funcionários (77%), formado, majoritariamente, por mulheres (64%). Os dados mostram que 60% das empresas participantes adotam ações de combate ao assédio e que o canal de denúncias é o principal meio (38%).

Equidade, igualdade e coibição

A gerente de Comunicação, Marketing e Inteligência de Mercado da Talenses, Carla Fava, ressalta que há outros fatores que podem contribuir para o combate à violência de gênero nas organizações. Segundo ela, ao valorizar as funcionárias, designando-as a cargos de chefia, uma empresa estará fortalecendo essas mulheres e mitigando os prejuízos que relações de poder podem gerar.

Na avaliação da gerente, as organizações estão "mais abertas" a monitorar o assédio do que a violência doméstica porque esta última acontece em um ambiente privado e fora das empresas. Para Carla, esse fato reforça a impressão de que a violência doméstica não é um problema social e que os gestores podem se eximir de discutir o assunto, por, supostamente, não terem relação com ele. "Esse distanciamento que tem com a violência doméstica faz com que [a empresa] tenha dificuldade de enxergar que esse problema também é dela", afirma.

Feita ao longo de dois meses, no segundo semestre deste ano, a pesquisa está disponível, na íntegra, no site do Talenses Group. Para elaborá-la, os autores contaram com o apoio institucional do Instituto Patrícia Galvão e da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), entre outras entidades.

Edição: Denise Griesinger

Comentários para "Apenas 19% das empresas combatem a violência contra a mulher no Brasil":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Ato

Ato "Bolsonaro Nunca Mais" denuncia violações de governo contra as mulheres

Margareth Rose em ato Bolsonaro Nunca Mais

Apenas 26% das mulheres da América Latina têm direitos sobre terras onde produzem alimentos

Apenas 26% das mulheres da América Latina têm direitos sobre terras onde produzem alimentos

57% das mulheres entrevistadas alegam ter resolvido comunitariamente o problema de acesso à alimentação durante a pandemia; apenas 7% buscou auxílio estatal.

Empresária agredida por policiais militares em Curitiba relata momentos de horror

Empresária agredida por policiais militares em Curitiba relata momentos de horror

“Achei que iriam fazer algo pior comigo, foi uma sensação terrível

Assédio é principal violência a meninas e mulheres em ambiente virtual

Assédio é principal violência a meninas e mulheres em ambiente virtual

Dados são do estudo inédito Violência Real do Mundo Virtual

Quarteto feminino bate recorde mundial de natação master na prova do revezamento

Quarteto feminino bate recorde mundial de natação master na prova do revezamento

Time verde e amarelo cravou 8min42s32 no revezamento 4x200 livre

Peng Shuai: China mostra irritação com suspensão de torneios de tênis

Peng Shuai: China mostra irritação com suspensão de torneios de tênis

Relações Exteriores diz ser contra politização do esporte

Justiça do DF condena dono de empresa que cometeu assédio contra funcionária

Justiça do DF condena dono de empresa que cometeu assédio contra funcionária

A defesa do réu argumentou que ele deveria ser absolvido pois não haviam provas para incriminá-lo.

Ações para eliminar violência de gênero reúne atletas e casos reais

Ações para eliminar violência de gênero reúne atletas e casos reais

Uma em cada três mulheres com 15 anos ou mais, cerca de 736 milhões, é submetida algum tipo de violência durante a vida

Ação de agências da ONU pretende empoderar refugiadas venezuelanas

Ação de agências da ONU pretende empoderar refugiadas venezuelanas

Programa ocorre em Roraima e vai até dezembro de 2023

Carta aberta à Miraildes: Uma das maiores jogadoras que o Brasil já viu em campo

Carta aberta à Miraildes: Uma das maiores jogadoras que o Brasil já viu em campo

Miraildes, jogadora de futebol, mais conhecida como Formiga.

Judô: Beatriz Souza fica com o ouro no Grand Slam de Abu Dhabi

Judô: Beatriz Souza fica com o ouro no Grand Slam de Abu Dhabi

Brasileira bate francesa campeã europeia júnior e vai ao topo do pódio