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Assassinada em frente ao filho

Assassinada em frente ao filhoFoto: Correio Braziliense

O Distrito Federal registrou o 29º caso de feminicídio em 2019. Necivânia Eugênio de Caldas havia se separado há uma semana, mas o ex-marido, Francisco Dias Borges, não aceitou o fim do relacionamento e a matou a facadas

Walder Galvão-correio Braziliense - 15/11/2019 - 18:43:59

Há uma semana, a estudante de técnica de enfermagem Necivânia Eugênio de Caldas, 37 anos, decidiu dar um basta na rotina de violência. Casada há 8 anos com Francisco Dias Borges, 34, ela vivia à sombra de agressões e ameaças. Cansada do relacionamento, abandonou o marido e passou a viver com o pai, em Santa Maria. Na tarde de ontem, quando voltava do cabeleireiro com o filho de 8 anos em uma motocicleta, foi derrubada pelo homem na rua e esfaqueada, na frente da criança. Vânia, como era conhecida pelos amigos, é a 29ª vítima de feminicídio neste ano no Distrito Federal.


Ao Correio, testemunhas do crime contaram que Francisco esperava Vânia passar pela rua. No momento em que ela apareceu de motocicleta, ele chutou o veículo, a derrubou no chão e desferiu os golpes de faca. Assustado, o filho da vítima correu até a casa da família, na esquina do local do crime. “Corre, tia, que o senhor Francisco está matando a minha mãe”, disse o menino a Fabiana da Silva Gomes, 36, cunhada de Vânia.

Peritos analisam o local do assassinato, onde o acusado derrubou a vítima da moto antes de esfaqueá-la (Ana Rayssa/CB/D.A Press)
Peritos analisam o local do assassinato, onde o acusado derrubou a vítima da moto antes de esfaqueá-la



Fabiana correu com o marido, Adailton Eugênio de Caldas, 40, irmão da vítima, para tentar ajudá-la. “Ela estava morta, com os olhos abertos. Em seguida, Francisco veio para cima da gente com a faca e atingiu o meu esposo nos braços”, afirmou. Pessoas que estavam na rua imobilizaram e agrediram o acusado até a chegada da Polícia Militar.


Além do filho de Vânia, o pai dela assistiu ao assassinato. Abalado, ele não conseguiu conversar com a reportagem. “Eu sabia que isso ia acontecer”, lamentou, desnorteado. Adailton foi socorrido ao Hospital Regional de Santa Maria e liberado pouco tempo depois. Ensanguentado, Francisco recusou atendimento médico e seguiu para a 20ª Delegacia de Polícia (Gama).


Segundo Fabiana, a cunhada chegou a procurar a Polícia Civil para denunciar Francisco, mas não havia pedido medida protetiva. Testemunhas informaram ao Correio que a vítima sofreu diversas ameaças ao longo da semana. “No domingo, ele veio aqui na rua e disse que faria uma besteira. Disse que acabaria com a vida dela e com a dele também”, contou uma amiga. “O Francisco costumava vir aqui, batia na casa do pai dela e gritava que a mataria. Ela vivia com medo”, revelou outra conhecida. O pai dela confirmou as agressões. “Ele vivia batendo nela. Isso aconteceria a qualquer hora.”

Estágio
Vânia foi criada em Santa Maria e morava na QR 217. Mãe de quatro filhos, uma garota e três garotos, de 5 a 18 anos, ela queria se tornar enfermeira. Com Francisco, ela teve a menina. A vítima começou a estudar técnica de enfermagem em Taguatinga e iniciaria estágio no Hospital Regional de Santa Maria na tarde de ontem. “Vânia estava muito feliz. Recomeçar a vida. O pai dela estava pagando o curso, e o clima era só de animação”, contou uma amiga.


Após o crime, uma multidão se formou na rua para acompanhar o trabalho da polícia. Muitos se emocionaram ao saber que a vítima era Vânia. “Não acredito que ele fez isso com ela. Eu vi essa menina crescer. Acompanhei-a desde menininha”, disse uma idosa.



 (Reprodução/Facebook)



A vítima

Necivânia Eugênio de Caldas
» Tinha 37 anos
» Deixou quatro filhos
» Estudava técnica de enfermagem
» Morava em Santa Maria




Recorde
O número de feminicídios em 2019 ultrapassou o total do ano passado, quando ocorreram 28 casos. No Distrito Federal, essa é a maior quantidade de crimes registrados desde que a tipificação entrou em vigor, em 2015.




Busca pelos restos mortais
A Polícia Civil continua as investigações do assassinato e esquartejamento do vigilante Marcos Aurélio Rodrigues de Almeida, 32 anos. Após suposta indicação dos suspeitos do crime, agentes da 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul) realizaram, ontem, buscas em Samambaia e no Aterro Sanitário de Brasília, na DF-180, para localizar a cabeça da vítima, que ainda não foi encontrada. Marcos Aurélio estava desaparecido desde sábado, quando teve parte do corpo localizada pela Polícia Civil, na terça-feira, em Samambaia. Na noite do mesmo dia, os investigadores prenderam uma mulher e um comparsa, suspeitos do homicídio. A mulher teve um relacionamento com a vítima e, de acordo com a investigação, não aceitava o fim da relação, rompida após Marcos decidir reatar com a noiva.

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