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Atlas global de recifes. Em defesa da biodiversidade

Atlas global de recifes. Em defesa da biodiversidadeFoto: Correio Braziliense

Maior mapeamento de corais já realizado cobre uma área de 65 mil quilômetros quadrados e foi realizado com tecnologia de ultrarresolução. Ideia é ajudar a identificar locais que precisam adotar políticas de conservação mais rigorosas para protegê-los

Correio Braziliense - 07/05/2019 - 07:24:50

Coral na costa australiana: especialistas estimam que mais de 50% dessas formações marinhas foram perdidas nos últimos 40 anos.

O primeiro atlas global de recifes foi divulgado em um estudo da Fundação Khaled bin Sultan Living Oceans e da Escola de Ciências Marinhas e Atmosféricas Rosenstiel, da Universidade de Miami (UM). O mapeamento contém dados de mais de 65 mil quilômetros quadrados de corais e de habitats circundantes. Publicados na revista Coral Reefs, os mapas são o resultado de uma expedição de 10 anos que visitou mais de 1 mil recifes remotos em 15 países, os inspecionando até uma escala de um metro quadrado para entender melhor a saúde e a resiliência dessas ameaçadas formações marinhas. Muitos nunca haviam sido estudados.


Os mapas de recifes de corais de alta resolução contêm informações sobre o habitat marinho de águas rasas, bem como informações sobre habitats costeiros, como manguezais, que são componentes-chave dos ecossistemas tropicais. Eles ajudam a filtrar a água e a proteger a costa das tempestades, entre outros benefícios. Assim como os recifes, enfrentam crescentes ameaças devido ao desenvolvimento econômico costeiro, à sobrepesca e às mudanças climáticas.


Para desenvolver o novo modelo de mapeamento, os cientistas coletaram dados de extensas pesquisas realizadas na Global Reef Expedition e extrapolaram essas informações a partir de imagens de satélite de ultrarresolução. Ao comparar os mapas com imagens de vídeo registradas ao longo dos recifes, a equipe conseguiu verificar a precisão do método de mapeamento.


“Se quisermos conservar alguma coisa, é imperativo saber onde ela está localizada e quanto dela você tem”, disse Sam Purkis, professor e presidente do Departamento de Geociências Marinhas da Escola Rosenstiel, da UM. “Chegarmos a esse nível de compreensão sobre recifes de coral é especialmente desafiador porque eles estão submersos e, portanto, obscurecidos da visão cotidiana. Com esse estudo, demonstramos o potencial de usarmos imagens de satélite para fazer mapas de recifes de corais em escala global.”

O novo modelo permite a criação de mapas detalhados de partes específicas de um recife
O novo modelo permite a criação de mapas detalhados de partes específicas de um recife


Custos reduzidos
Os cientistas agora têm uma maneira de olhar sob as ondas para identificar, com precisão, grandes áreas de recifes de corais a um custo bastante reduzido. Os levantamentos tradicionais são caros e têm um escopo limitado, exigindo horas de pesquisas subaquáticas conduzidas por mergulhadores altamente treinados. Usando esse novo modelo, os pesquisadores podem criar mapas detalhados de habitats em uma escala regional, sem ter que inspecionar o recife inteiro pessoalmente.


“As imagens de satélites ou geradas por aeronaves e drones se tornarão uma ferramenta cada vez mais importante para enfrentar a crise dos recifes de corais na escala global, da forma em que está ocorrendo”, diz Purkis, que também é cientista-chefe interino da Living Oceans Foundation. Embora o atlas não cubra todos os recifes do mundo, ele abrange uma porção significativa das principais regiões em que essas formações marinhas se encontram. Além disso, fornece dados sobre a saúde dos corais antes do evento de branqueamento em massa de 2017.


Os cientistas estimam que mais de 50% dos recifes de corais do mundo foram perdidos nos últimos 40 anos devido a mudanças climáticas e outras pressões humanas. Os novos mapas detalhados podem ajudar os gestores de recursos locais a identificar as áreas que mais precisam de ações de conservação. “Eles são uma ferramenta essencial na conservação, pois fornecem uma visão de onde os recifes estão localizados e o status de sua saúde”, explicou Alexandra Dempsey, diretora de Gestão Científica da Fundação Khaled bin Sultan Living Oceans. Segundo a especialista, os cientistas usarão esses mapas como dados básicos para ajudar a rastrear mudanças na composição e na estrutura dos recifes ao longo do tempo.




“É especialmente desafiador porque eles estão submersos (…) Com esse estudo, demonstramos o potencial de usarmos imagens de satélite para fazer mapas de recifes de corais em escala global”
Sam Purkis, professor e presidente do Departamento de Geociências Marinhas da Escola Rosenstiel

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