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Atleta da WNBA, Kristi Toliver, a treinadora assistente da NBA que é paga como aprendiz

Atleta da WNBA, Kristi Toliver, a treinadora assistente da NBA que é paga como aprendizFoto:

Ela trabalha no time masculino dos Wizards durante as férias

Estadão Conteúdo - 03/01/2019 - 17:13:09

Para Kristi Oliver, entrar na quadra no Staples Center em Los Angeles no início desta temporada é algo familiar, mas por outro lado uma experiência inteiramente nova. Ela certamente conhece bem o terreno. Passou sete temporadas em Los Angeles como armadora do Sparks da WNBA (liga profissional de basquete feminino nos Estados Unidos), levando a equipe ao título em 2016 antes de assinar com o Washington Mystics como agente livre. 

Mas no seu atual papel, como treinadora assistente do Wizards, da NBA, ela se sente diferente. 

“Sentar no banco com um terno e não um uniforme, foi um dos momentos que realmente me comoveu”,  disse ela. “Porque eu podia ver o chão e lembrar todos os momentos em que ali estive e agora estava do lado dos homens – aquilo realmente me afetou”. 

Não foi uma transição fácil para Toliver, por razões que não têm nada a ver com o basquete ou a falta de desejo pelos seus serviços. Depois de liderar o Mystics e levar a equipe para as finais da WNBA em 2018, ele teve de lidar com uma decisão dos seus pares: ir para o exterior para ganhar muito dinheiro e renunciar a uma offseason,  ou descansar. 

Então os Wizards lhe fizeram uma oferta interessante: ser treinadora assistente da equipe de Scott Brooks. A parte do basquete era fácil de imaginar – o papel não seria nada diferente de outros. Ela faria parte do grupo. 

Mas veio a questão do salário e de repente tudo complicou. 

Como Toliver é uma jogadora do Mystics, de propriedade de Ted Leonis, que faz parte da mesma administração corporativa que o Wizards, a liga determinou que qualquer salário pago a ela teria de chegar ao limite no total de US$ 50.000 que cada equipe paga aos jogadores da WNBA para jogar fora da temporada. Além disso, grande parte já havia sido prometida à colega de equipe de Toliver, Elena Delle Done, que normalmente fica em casa na offseason e promove o Mystics. 

Normalmente os treinadores assistentes ganham US$ 100.000 ou mais por ano, e alguns chegam a receber mais de um milhão de dólares. E quanto Toliver deveria receber? 

A resposta foi US$ 10.000, ou US$ 5.000 menos do que a multa que a NBA pagou para Nick Nurse do Toronto Raptors pelas “críticas públicas da organização”. 

“Não foi uma decisão fácil”, disse Toliver. “Analisei os prós e contras e obviamente havia um ônus financeiro, mas também era uma oportunidade empolgante de estar em casa, presente no jogo,  tendo à minha volta os melhores jogadores e treinadores do mundo” 

Uma batalha se seguiu, com Toliver e os Wizards de um lado e a liga do outro, mas no final Toliver perdeu e decidiu aceitar a proposta. A disputa lhe ofereceu a chance de fazer o que ela desejava do lado da NBA quando chegou o momento em que aceitou a idéia de substituir B.J. Armstrong como armadora do Chicago Bulls. 

Seu interesse em se tornar técnica remonta aos tempos de faculdade quando estrelou na Universidade de Maryland – e venceu um campeonato -, e seu sucesso no papel não foi uma surpresa para sua treinadora Brenda Frese, quando a armadora ainda era uma iniciante. Mesmo a famosa jogada de Toliver para derrotar Duke e vencer o campeonato da NCAA de 2006 reflete a maneira como ela vê a quadra como treinadora, disse Freese. 

O limite estabelecido de US$ 50.000 reflete a época em que foi negociado um acordo coletivo que não levou em conta os técnicos da WNBA nos jogos fora de temporada porque a situação simplesmente não existia. Os jogadores decidiram sair da NBA em novembro abrindo espaço para um novo entendimento do caso. 

Terri Jackson, diretora executiva da associação de jogadores da WNBA  manifestou preocupação com a discrepância entre o salário pago Toliver e o de outros técnicos assistentes da NBA. Em e-mail ela disse que “a decisão de sair da atual NBA envolveu inúmeras questões que não serviam aos melhores interesses dos nossos jogadores e esta foi uma delas. Vamos examinar este caso que sublinha nossa preocupação com a equivalência salarial em nossas negociações”. 

“Acho que foi uma parte que pesou muito”, disse Toliver. “Não pode ser qualquer mulher. Você não pode pegar qualquer uma para essa função, do mesmo modo que não podem qualquer sujeito. Não tem a ver com isso. Se eles sabem que você pode fazer melhor, com mais sucesso, eles prestarão atenção

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