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Blairo Maggi sobre provocações à China: "Uma lástima"

Blairo Maggi sobre provocações à China: Foto: Michael Melo - Metrópoles

Para o ex-ministro e megaprodutor de soja, porém, mercado com o país asiático é maduro para não se desgastar com

Luciana Lima - Metrópoles - 07/04/2020 - 08:06:07

Ex-ministro da Agricultura, Abastecimento e Pecuária no governo de Michel Temer, ex-senador, ex-governador do Mato Grosso e maior produtor de soja do país, Blairo Maggi lamentou o que chamou de “ conversas desvairadas ” – os ataques feitos pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub e pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro – em relação à China. Para Maggi, embora o mercado com o país asiático seja suficientemente maduro para não se desgastar com isso, o constrangimento diplomático “é uma lástima”.

“Muita besteira, muita especulação, [mas] o mercado é suficientemente maduro para não entrar nestas conversas desvairadas”, disse o ex-ministro. “Estes negócios do agro se fazem por necessidade e não para agradar um ou outro, mas isso não é bom mesmo. Uma lástima estas conversas desvairadas”, reclamou o produtor.

Maggi diz que é normal a atitude da China em anunciar que passará a comprar soja dos Estados Unidos – hoje, o país asiático consome estimados 35% de todas as exportações do agronegócio brasileiro. São movimentos, de acordo com o empresário, que fazem parte do mercado. “Eles (os chineses) precisam dosar as compras, se forçar o mercado americano, sobe o valor em Chicago (Bolsa). Os Estados Unidos não conseguem abastecer o mercado sozinho, eles têm outros clientes mundo afora e um grande mercado interno, uma indústria de proteínas animal muito grande também”, ponderou Blairo Maggi.

O constrangimento diplomático com a China ganhou novos contornos no fim de semana depois que o ministro da Educação publicou em uma postagem em rede social insinuações de que o país asiático poderia se beneficiar, de propósito, da crise mundial causada pelo coronavírus. O texto foi apagado depois.

Mesmo assim, a embaixada chinesa no Brasil reagiu, também na rede social, divulgando uma nota na qual repudiou a fala do ministro. O embaixador, Wanming Yang, cobrou uma posição oficial do governo e classificou as declarações do ministro como “absurdas”, “desprezíveis” e de “cunho racista”.

“O lado chinês aguarda uma declaração oficial do lado brasileiro sobre as palavras feitas pelo ministro da educação, membro do governo brasileiro. Nós somos cientes de que nossos povos estão do mesmo lado ao resistir às palavras racistas e salvaguardar nossa amizade”, escreveu, marcando o perfil do Ministério das Relações Exteriores.

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