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Bolsonaristas dizem que vídeo não é "bala de prata". Só se engolirem a "bala de prata"

Bolsonaristas dizem que vídeo não é Foto: O Antagonista

Bolsonaro, sobre a PF:

O Antagonista - 22/05/2020 - 20:43:26

Os bolsonaristas estão em festa. Dizem que o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril está longe de ser uma “bala de prata” porque não provaria que o presidente da República quis interferir na cúpula da Polícia Federal.

A prova que Jair Bolsonaro interferiu politicamente na cúpula da Polícia Federal é que ele efetivamente o fez, no dia seguinte ao da reunião, ao exonerar Maurício Valeixo da direção-geral da PF e levar a que Sergio Moro saísse do governo.

A prova que Jair Bolsonaro interferiu politicamente na cúpula da Polícia Federal é que ele mandou mensagens para Moro, nos dias 22 e 23 de abril, com link para uma nota de O Antagonista, intitulada “PF na cola de 10 a 12 deputados bolsonaristas” — e, na segunda vez, escreveu “mais um motivo para a troca” do comando da PF.

Leia também: Bolsonaro, sobre a PF: "Vou interferir. Ponto final"

A prova que Jair Bolsonaro interferiu politicamente na cúpula da PF foi que ele quis colocar no lugar de Valeixo o seu amigo Alexandre Ramagem, chefe da Abin.

A prova que Jair Bolsonaro interferiu politicamente na cúpula da PF e não estava preocupado com a sua segurança pessoal, ao contrário do que afirma, é que ele promoveu o responsável pela sua segurança em março. Ninguém promove quem não tem competência.

No vídeo da reunião que os bolsonaristas comemoram por não ser a “bala de prata”, Bolsonaro afirma: “A pessoa tem que entender. Se não quer entender, paciência, pô! E eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção. Nos bancos eu falo com o Paulo Guedes, se tiver que interferir. Nunca tive problema com ele, zero problema com Paulo Guedes. Agora os demais, vou! Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações.” Como dissemos, por essa fala, simplesmente, Bolsonaro sempre poderá argumentar que estava se referindo aos relatórios de inteligência da Polícia Federal que abastecem normalmente o presidente da República. O contexto, no entanto, mostra que a história é outra.

Na reunião, Moro sabia do que ele estava falando: “Mais um motivo para a troca”. E, agora, o Brasil inteiro também sabe, não importam as versões da militância bolsonarista e os arranjos em Brasília para engolir a “bala de prata”.

Jair Bolsonaro interferiu politicamente na cúpula da PF. Fato.

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