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Bolsonaro defende escolas militarizadas.

Bolsonaro defende escolas militarizadas.Foto:

Para ele, ensino dessas unidades é melhor e possibilitará que estudantes não sejam dependentes de programas sociais

Por Rodolfo Costa - Correio Braziliense - 07/09/2019 - 19:14:04

Presidente anuncia implantação de colégios cívico-militares no país e condena consulta a pais e alunos. "Tem que impor", diz.

Em lançamento do programa para a implantação de escolas cívico-militares ontem, no Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro defendeu a imposição dessas instituições educacionais aos estudantes. Para ele, é importante fazer isso para que, no futuro, os alunos não sejam dependentes “até morrer” de programas sociais. O trecho da declaração foi feito ao se dirigir ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), presente na reunião.

Programa prevê participação de militares nas áreas de monitoramento de alunos e de aprendizado administrativo (Minervino Junior/CB/D.A Press - 15/2/19)

O presidente fez referência a Ibaneis, que propôs a adoção da militarização em algumas escolas. “Temos aqui a presença física do nosso governador do DF, Ibaneis. Parabéns, governador, com essa proposta. Vi que alguns bairros tiveram votação e não aceitaram. Me desculpa, não tem que aceitar, não. Tem que impor”, sustentou. O chefe do Executivo federal associou as unidades cívico-militares como instituições capazes de oferecer um ensino melhor aos estudantes.


“Se aquela garotada está na quinta série, está na nona série e, na prova do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) não sabe uma regra de três simples, não sabe interpretar um texto, não responde a uma pergunta básica de ciência, me desculpa, não tem que perguntar para o pai, irresponsável, nesta questão, se quer ou não uma escola, de certa forma, com militarização. Tem que impor, tem que mudar”, disse.


O presidente afirmou, ainda, que, com instrução educacional das escolas cívico-militares, os alunos poderão vislumbrar melhores perspectivas de emprego e renda, a fim de não ficarem dependentes de programas do governo. “Nós não queremos que essa garotada cresça e, no futuro, seja um dependente ‘até morrer’ de programas sociais do governo”, analisou.


Em agosto, o Governo do Distrito Federal (GDF) promoveu eleições em algumas escolas para a sociedade votar a favor ou contra a militarização em unidades de ensino. Nas instituições onde a maioria foi contra, como no Gisno, na Asa Norte, e no CEF 407, em Samambaia, Ibaneis sugeriu implementar uma gestão compartilhada com a Polícia Militar. Depois, recuou.


A expectativa é de que o Brasil receba, até 2023, 216 unidades educacionais cívico-militares, em uma expectativa de implementação de 54 por ano. O objetivo é construir um ambiente de parcerias e de maior vínculo entre gestores, professores, militares, estudantes e pais e responsáveis em um modelo que vai abranger três áreas.


Contribuição

Os militares integrarão apenas as áreas educacional e administrativa. O Ministério da Defesa contribuirá com o programa cedendo pessoal para atuar nas áreas de monitoramento dos alunos na área de ensino e aprendizado da parte administrativa, destacou o titular da pasta, Fernando Azevedo e Silva. “Sempre visando otimizar os recursos já disponíveis na unidade escolar”, comentou.


Em uma primeira fase, poderão ser convocados, aproximadamente, 540 militares da reserva para atuarem em até 30 escolas cívico-militares, nas alas de monitoramento, ensino de aprendizagem e administrativa. “Além disso, a Defesa colocará na definição dos perfis e das atribuições dos militares a serem convocados a busca por parcerias e a necessidade de trabalho conjunto”, frisou.


O ministro da Educação, Abraham Weintraub, comemorou que o governo dobrou a meta inicialmente prevista pelo Compromisso Nacional pela Educação Básica, anunciado em julho, de a oferta de 108 escolas cívico-militares. A expectativa dele é de que o próprio Bolsonaro possa prestigiar a entrega de, pelo menos, 10% dessas unidades educacionais.

  • Air France não será julgada por acidente

    Dez anos após a morte de 228 pessoas no acidente do voo Rio-Paris, os juízes de instrução Nicolas Aubertin e Fabienne Bernard, responsáveis pela investigação, determinaram que as empresas Airbus e Air France não devem ser levadas a julgamento pelo caso. De acordo com os magistrados, “acidente se deveu claramente a uma combinação de fatores que nunca haviam ocorrido antes e que, portanto, demonstrou os perigos que não podiam ser percebidos antes do acidente”. Em 1º de junho de 2009, o voo AF447 que viajava entre o Rio de Janeiro e Paris caiu no Oceano Atlântico. Os 228 passageiros e membros da tripulação, de 34 nacionalidades, faleceram no acidente. A principal associação de parentes de vítimas, a Entraide et Solidarité AF447, vai apelar da decisão.

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