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Bolsonaro no domingo revelou sua verdadeira face e ontem tentou apagar a imagem

Bolsonaro no domingo revelou sua verdadeira face e ontem tentou apagar a imagemFoto: Tribuna da Internet

O presidente da República tinha obrigação constitucional de repelir frontalmente a proposta de radicalização. Mas não fez isso. Pelo contrário.

Pedro Do Coutto-tribuna Da Internet - 21/04/2020 - 06:58:48

No domingo, como as redes de TV mostraram e os jornais desta segunda-feira assinalaram, o presidente Jair Bolsonaro participou de verdadeiro comício no qual os integrantes levaram cartazes propondo o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. A reação não podia ser outra, sobretudo porque os manifestantes gritavam palavras de ordem defendendo a volta do AI5 de dezembro de 68 que ampliou as garras da ditadura militar e fechou o Parlamento.

Na reação manifestada pelos próprios ministros do STF, presidentes da Câmara e do Senado, governadores de estado, parlamentares e opinião pública, o presidente da República ficou isolado politicamente.

E OS MILITARES? – Além disso, provavelmente, penso eu, o efeito negativo envolveu pelo menos a maioria das Forças Armadas. Com isso, Jair Bolsonaro perdeu espaço e linha de manobra. Porém, deixou claro seu impulso, levando-o a participar do comício e discursar em cima de uma caminhonete em uma atitude que só pode ser interpretada como de apoio à manifestação.

O presidente não podia de modo algum participar de um ato em que foi colocado o fechamento do Supremo e do Poder Legislativo. Tal proposta só poderia ser para elevá-lo a uma posição de poder absoluto. Mas esta é outra questão.

O presidente da República tinha obrigação constitucional de repelir frontalmente a proposta de radicalização. Mas não fez isso. Pelo contrário.

REVELAÇÃO CLARA – Ao participar do minicomício, Bolsonaro revelou, sem dúvida, sua satisfação pela atitude dos portadores de faixas reivindicando uma nova ditadura a exemplo daquela que marcou o fechamento absoluto dos direitos individuais em dezembro de 68.

Como presidente da República, tinha obrigação de repelir a concentração com suas faixas subversivas. Não fez isso. Pelo contrário prestigiou de maneira irresponsável a defesa de um estado de exceção. Perdeu pontos. Provavelmente as pesquisas que forem realizadas pelo Ibope ou pelo Datafolha vão acentuar o reflexo negativo que refletiu em todo o país.

A reportagem publicada pelo O Globo foi assinada pelos repórteres João Paulo Saconi, Natália Portinari e Adriana Mendes. A da Folha de São Paulo pelos repórteres Ricardo Della Coletta e Renato Onofre.

O domingo passa a pertencer à história política do Brasil, porque não há antecedentes de o povo nas ruas, por pequeno que seja, reivindicando a volta da ditadura militar.

Vamos aguardar como vão se desenvolver os próximos capítulos, para ver quais seus desdobramentos. Porque em política, num espaço de dois anos, para citar um exemplo de prazo, sempre acontecem acontecimentos inesperados. Assim como a nuvem, como definiu no passado o governador Magalhães Pinto, ao dizer que a situação política muda permanentemente.

OUTRO ASSUNTO – Este assunto, sim, deveria merecer a atenção do presidente da República. O Banco Mundial está prevendo uma movimentação de mais de 5 milhões de brasileiros ingressando na pobreza extrema. No início do ano eram 9,3 milhões. A previsão para dezembro é de irá atingir 14,7 milhões de brasileiros.

São aqueles cuja renda mensal de cada membro da família fica contida em apenas 145 reais por mês. São pessoas que sobrevivem sob as piores dificuldades.

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