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Brasil. O país que não preserva seus bichos

Brasil. O país que não preserva seus bichosFoto: Correio Braziliense

Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameçada de Extinção aponta que mais de mil espécies correm risco de desaparecer. Mata Atlântica é a mais afetada pelo agravamento registrado nos últimos 10 anos

Por Ingrid Soares - Correio Braziliense - 29/01/2019 - 06:41:03

O Brasil está com 1.173 espécies da fauna em risco. Outras 318 não correm risco de desaparecer, mas têm a existência ameaçada. O levantamento é resultado de um estudo que contou com a participação de 1.270 pesquisadores e foi divulgado pelo Instituto de Conservação da Biodiversidade Chico Mendes no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção 2018.

Segundo a pasta, o número de espécies ameaçadas em cada edição da lista oficial tem sido crescente e decorre tanto do aumento do esforço de investigação e avaliação, como também reflete um agravamento no quadro geral da conservação no Brasil.

O documento aponta ainda que a Mata Atlântica é o bioma com maior número de espécies ameaçadas, tanto em números absolutos quanto em proporcionais à riqueza dos biomas. Do total de espécies em risco no Brasil, 50,5% se encontram na Mata Atlântica, sendo que 38,5% são próprios deste bioma.

Em comparação com o levantamento de 2008, 716 espécies animais do país entraram para a lista de ameaçados de extinção, enquanto 170 saíram do rol, como o sapinho-admirável-de-barriga-vermelha (Melanophryniscus admirabilis) — um anfíbio endêmico do Sul da Mata Atlântica que estava criticamente ameaçado de eliminação. Em meados de 2014, esse animal quase foi declarado extinto pela degradação do seu restrito habitat, às margens do Rio Forqueta, no município de Arvorezinha (RS).

Para o coordenador de ações integradas para conservação de espécies, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Daniel Raíces, o aumento pode ser explicado pela abrangência de espécies. “A proporção em número de espécies ameaçadas não aumentou, mas sim, a quantidade de espécies porque conseguimos avaliar todos os vertebrados e alguns invertebrados, chegando a 12.254 espécies”.

Segundo ele, além de informar quais animais estão ameaçados, o livro traz os principais fatores de extinção por bioma. “Na Mata Atlântica, por exemplo, é a agropecuária. Tem também a expansão urbana, poluição, caça, queimadas e atividades de mineração”, aponta.

Combate
Apesar da conquista, o secretário executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, ressalta que são necessário esforços maiores para a preservação das espécies. 

“Do ponto de vista do conhecimento, temos pesquisas de identificação de novas biodiversidades de excelência, mas a conservação ainda deixa a desejar. Na Amazônia, 47% tem áreas protegidas. Fora dela, esse número não passa de 5% de proteção nas demais regiões do país”, alerta Carlos Rittl. 

 O secretário adverte: “Precisa de um esforço maior e de recomposição de habitat. Estamos perdendo biodiversidade por conta das ações humanas. O Brasil reduziu a taxa anual de destruição de florestas em relação a períodos elevados em 2005 quando destruíram 28 mil quilômetros quadrados, no ano passado, foi 8 mil. Mas o Brasil destrói mais floresta do que qualquer outro país do mundo, pela expansão do agronegócio. Na mineração, podemos citar Brumadinho. É um crime ambiental assim como Mariana e tem uma perda de biodiversidade enorme com impacto local absurdo”, conclui.

“Do ponto de vista do conhecimento, temos pesquisas de identificação de novas biodiversidades de excelência, mas a conservação ainda deixa a desejar”
Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima

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