×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 29 de junho de 2022

Brasil volta a ter 14 milhões de famílias na miséria, e economistas afirmam: A situação vai piorar

Brasil volta a ter 14 milhões de famílias na miséria, e economistas afirmam: A situação vai piorarFoto: Marcello Casal Jr - Agência Brasil

Após seis anos o Brasil voltou a atingir a marca negativa de 14 milhões de famílias na miséria – e este número deve aumentar em 2021, por conta do fim do auxílio emergencial.

Sputnik Brasil - 15/01/2021 - 06:58:18

É o que afirmam, em entrevista à Sputnik Brasil, os economistas Daniel Duque, pesquisador de economia aplicada da Fundação Getulio Vargas e do Instituto Brasileiro de Economia, e Walter Belik, especialista em segurança alimentar e professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"Atualmente temos um contingente enorme que vai deixar de receber o auxílio emergencial. Os níveis de pobreza chegaram a números extremos no último ano, e o governo teve que acudir estas pessoas. […] Para 2021 não ha condições de prosseguir [o auxílio emergencial], e a situação deve se agravar bastante", avalia Belik.

Os números a que Belik se referem são dados do Ministério da Cidadania, que mostram que 39,9 milhões de pessoas no Brasil vivem em condição de miséria: ou seja, têm renda de até R$ 89 por pessoa, por mês. Uma pesquisa do Datafolha publicada no dia 21 de dezembro apontou que 36% das famílias beneficiadas pelo auxílio emergencial tinham no benefício sua única fonte de renda.

"A pandemia impactou principalmente trabalhadores de menor qualificação e famílias mais carentes. Há um percentual que ainda não se recuperou em termos de emprego. Para este mês de janeiro podemos esperar que haja mais pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza extrema", diz Duque.

Além das famílias na miséria, havia 2,8 milhões de famílias brasileiras em situação de pobreza em outubro, com renda per capita média entre R$ 90 e R$ 178 por mês.

Belik lembra que o momento delicado por que passa a economia brasileira, com fuga de capitais e fechamento de fábricas, como a da Ford, dificultam ainda mais a situação das pessoas mais carentes.

"Naturalmente teremos a continuidade desta situação de miséria e necessidade de apoio do governo", afirma Belik.

Ambos os economistas afirmam que a crise provocada pela pandemia foi determinante para o aumento da pobreza no Brasil. No entanto, para Duque, era possível ter minimizado os efeitos da crise nas famílias mais carentes. A solução teria sido aprovar uma "uma mudança permanente na política social do Brasil em 2020, e encaminhado para o orçamento deste ano". Para não comprometer ainda mais a dívida pública, o governo federal preferiu não fazê-lo.

"O governo deveria ter se antecipado a esta situação. [...] Seria preciso o governo ter pensado em uma política social com mais recursos, talvez até de forma permanente, com realocação de outras áreas, mas infelizmente isto não foi feito", avalia Duque.

Outra solução apontada por Duque seria prorrogar o auxílio emergencial, talvez "com um valor menor e uma população um pouco mais restrita". Já Belik destaca que há outras políticas públicas que podem, direta ou indiretamente, melhorar a renda das famílias mais carentes.

"A própria vacinação pode ser uma saída para melhorar a situação de empregabilidade. Outros programas, até mais baratos, como restaurantes populares e cozinhas comunitárias e mesmo a dinamização dos bancos de alimentos, podem ajudar bastante no combate à fome", diz Belik.

O professor da Unicamp não acredita na extensão do auxílio emergencial. Segundo ele, por não se tratar de um ano eleitoral, não há apelo de popularidade que faça o governo priorizar políticas sociais em detrimento das contas públicas. Para diminuir o déficit nominal, o economista explica que o governo deverá enxugar em torno de R$ 500 bilhões – segundo ele, este corte acontecerá "basicamente em gasto social".

"Dificilmente deve acontecer [a prorrogação do auxílio]. [...] As pressões do orçamento são extremamente elevadas. [...] A política do governo ainda é uma política conservadora, de não investimento e não intervenção no mercado para melhorar essa situação de geração de emprego e geração de renda destas famílias", diz Belik.

Já Duque acredita que, por conta da pressão sofrida pela extensão do benefício, "em algum momento o governo vai acabar tendo que ceder e aprovar esta prorrogação" do auxílio emergencial.

Segundo uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) publicada em novembro, 13% da população do Brasil (cerca de 20,7 milhões de pessoas) deixou de comer porque "não havia dinheiro para comprar mais comida" durante a pandemia de COVID-19.

As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação

Comentários para "Brasil volta a ter 14 milhões de famílias na miséria, e economistas afirmam: A situação vai piorar":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
Empreendedorismo avança e coloca Brasil na sétima posição do ranking mundial

Empreendedorismo avança e coloca Brasil na sétima posição do ranking mundial

Análise da capacidade de investimento do parceiro de negócios é ponto importante

Logística verde reduz em 21% a emissão de gases de efeito estufa

Logística verde reduz em 21% a emissão de gases de efeito estufa

Agropalma implementa caminhão movido a gás natural em sua operação

Mercado de vinhos no país registra alta no primeiro quadrimestre do ano

Mercado de vinhos no país registra alta no primeiro quadrimestre do ano

Empresa registrou um mix de vendas estável em relação ao mesmo trimestre de 2021, com as categorias premium Principal e Invest respondendo por metade das receitas (49,9%).

Portal Solar Franquia planeja selecionar mais 200 unidades este ano

Portal Solar Franquia planeja selecionar mais 200 unidades este ano

Rede de microfranquias participa da feira de franchising ABF Expo 2022

Vivalá lança expedições de Volunturismo nas áreas de saúde, educação, meio ambiente e bioeconomia na Amazônia

Vivalá lança expedições de Volunturismo nas áreas de saúde, educação, meio ambiente e bioeconomia na Amazônia

Expansão faz parte da estratégia da organização em gerar cada vez mais impacto socioambiental positivo nos biomas e em comunidades tradicionais brasileiras.

Inscrições para o edital Revista TODOS Drogasil são prorrogadas para terça-feira

Inscrições para o edital Revista TODOS Drogasil são prorrogadas para terça-feira

Programa vai financiar ONGs de saúde com até R$ 500 mil, totalizando um investimento de até R$ 3,7 milhões

Mês do Meio Ambiente: Evento discute logística reversa na indústria farmacêutica

Mês do Meio Ambiente: Evento discute logística reversa na indústria farmacêutica

O evento, que serve ainda para celebrar o 50º aniversário da Conferência de Estocolmo e acelerar os esforços para cumprir a Agenda de 2030

Mastercard celebra o mês do orgulho LGBTQIA+ no metaverso

Mastercard celebra o mês do orgulho LGBTQIA+ no metaverso

A Mastercard participa pela primeira vez como patrocinadora oficial da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Decentraland Mastercard Pride Plaza, um espaço desenvolvido na Decentraland que sediará experiências que não têm preço.

Produção nacional de azeite já é recorde em 2022

Produção nacional de azeite já é recorde em 2022

Além disso, olivicultores das duas principais regiões produtoras do país, Rio Grande do Sul e Serra da Mantiqueira, após uma década de produção, já podem lidar com oliveiras mais desenvolvidas, que produzem mais frutos por pé

Feira reúne empreendedores do setor de reciclagem da América Latina

Feira reúne empreendedores do setor de reciclagem da América Latina

A 12ª Edição da Exposucata, que acontece no São Paulo Expo, de 12 a 15 de junho, reúne os principais fornecedores de tecnologia para este mercado

‘O seguro não precisa ser chato, pode ser sexy’, afirma CEO da Porto

‘O seguro não precisa ser chato, pode ser sexy’, afirma CEO da Porto

“O seguro pode ser pop. Acreditamos que há um espaço para isso”, afirma. “Estamos até conseguindo atrair talentos que estão vendo que o seguro não precisa ser um troço chato, mas até sexy.”