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Busca por medicamentos contra coronavírus une cientistas do DF; conheça pesquisa na UnB

Busca por medicamentos contra coronavírus une cientistas do DF; conheça pesquisa na UnBFoto: André Gomes/Secom UnB

Universidade de Brasília vai investir R$ 30 milhões em estudos para tratamento e prevenção da Covid-19. Projetos darão suporte a profissionais da rede pública.

Por Carolina Cruz, G1 Df - 12/04/2020 - 11:05:54

Desde que os primeiros casos da Covid-19 foram confirmados na capital federal, pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) reagiram com projetos para agilizar o tratamento contra o novo coronavírus. Juntos, a UnB e hospitais públicos e privados compartilham informações na corrida contra o tempo por medicamentos.

“Em menos de três semanas, professores montaram um grupo, e hoje nós já temos seis projetos submetidos [na UnB], além de outros cinco com hospitais brasileiros em andamento”, conta a professora da Faculdade de Medicina da UnB e médica hematologista, Flávia Dias Xavier.

A pesquisadora está à frente de um dos projetos considerados prioritários para investimento da UnB no combate ao coronavírus. Os olhos dos cientistas estão voltados para substâncias que já são estudadas no tratamento de pacientes com a Covid-19 em outros países ( entenda abaixo ). A estimativa é que a universidade invista pelo menos R$ 30 milhões em 115 projetos.

“Têm substâncias que bloqueiam a entrada do vírus na célula e impedem o transporte intracelular [ou seja, evita que o vírus se espalhe] e outras com efeito anti-inflamatório e imunomodulador [que estimula a resposta natural do corpo contra o vírus]”, diz Xavier.

A médica hematologista explica ainda que esses compostos são importantes, pois o coronavírus desencadeia piora em casos de inflamações como em uma pneumonia, por exemplo.

Medicamentos que começaram a ser divulgados em publicações científicas e por autoridades políticas registraram alta procura nas farmácias e risco de desabastecimento para quem tem outras doenças. Xavier afirma que a eficácia das medicações contra a Covid-19 ainda estão em fase de análise e que há várias etapas.

“São estudos de investigação. Não é para o cidadão comum se automedicar. É preciso fazer um estudo químico, aprovar em um comitê de ética. Depois, ainda precisamos fazer a análise dos dados.”

Segundo a pesquisadora, há artigos científicos internacionais sobre os medicamentos que foram divulgados de forma "não habitual". "Houve liberação para divulgação pública mesmo sem uma revisão importante, mas entendemos que é a opção dada à importância clínica do momento”, explica.

De acordo com os pesquisadores, o estudo da UnB pretende aprimorar as pesquisas de enfrentamento à doença, incluindo a fase de “validar” o tratamento com os medicamentos, usando um número maior de amostras de pacientes do que aquelas que já vêm sendo feitas em outros países. O quantitativo está sendo avaliado.

“Nessa fase, você compara tratamentos por um tempo e acompanha os pacientes. Esse é o estudo com maior evidência científica”, explica.

Laboratório Central de Saúde Pública do DF recebe maquinários doados pela Universidade de Brasília — Foto: Secretaria de Saúde/Divulgação

Laboratório Central de Saúde Pública do DF recebe maquinários doados pela Universidade de Brasília — Foto: Secretaria de Saúde/Divulgação

Em outros projetos, a Universidade de Brasília também estuda a possibilidade de desenvolver uma vacina contra o coronavírus. Um dos primeiros passos é o uso de material colhido de pessoas que já se recuperaram da infecção.

“Estamos utilizando o soro, que é o anticorpo dos pacientes que já tiveram a Covid-19. Geralmente, quando nós temos uma infecção, a gente produz uma memória imunológica, que gera um anticorpo contra aquela infecção”, diz a pesquisadora.

Xavier conta ainda que o soro das pessoas recuperadas está sendo testado em pacientes doentes. Em outro estudo da instituição, pesquisadores tentam criar um anticorpo contra a Covid-19

Hospital Universitário de Brasília (HUB) — Foto: Beto Monteiro/Secom UnB

Hospital Universitário de Brasília (HUB) — Foto: Beto Monteiro/Secom UnB

Os estudos da UnB contra o coronavírus são coordenados por 12 pesquisadores, mas todo o processo envolve diversos profissionais, entre professores da universidade e médicos do pronto-socorro.

Segundo a pesquisadora, participam também servidores do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Há projetos em andamento também com hospitais privados.

Questionada sobre a importância da universidade em tempos de pandemia, a médica explica que as parcerias “casam a necessidade clínica e a necessidade da pesquisa”.

“Quem está atendendo lá na frente a Covid-19 não vai ter tempo para coletar dados, levantar questões. É preciso que tenha um investigador junto com o profissional que está atendendo. É o que pretendemos”, defende.

Professores da UnB doam máscaras de proteção ao Hospital Regional da Asa Norte — Foto: Divulgação

Professores da UnB doam máscaras de proteção ao Hospital Regional da Asa Norte — Foto: Divulgação

Os estudos de medicamentos contra a Covid-19 estão entre os três mais prioritários em um edital da UnB que selecionou 115 projetos de combate ao coronavírus. A universidade está investindo R$ 30 milhões nas iniciativas.

Além disso, a UnB também doou ao Laboratório Central de Saúde Pública do DF cinco máquinas usadas no diagnóstico do coronavírus, para agilizar os testes nos pacientes. Professores e alunos também têm doado máscaras de proteção e álcool em gel.

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