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Caminhada pelas mulheres na Esplanada dos Ministérios

Caminhada pelas mulheres na Esplanada dos MinistériosFoto: CorreioWeb

Cerca de 200 integrantes do grupo Mulheres do Brasil se uniram a participantes de corrida de rua na marcha

Matheus Ferrari-correioweb - 09/12/2019 - 06:55:31

Evento na Esplanada dos Ministérios chamou a atenção para os feminicídios e para a cultura de agressão à população feminina. Mobilização foi realizada em mais de 20 cidades ao redor do mundo.

Milhares de pessoas e um mesmo propósito. Ontem, na Esplanada dos Ministérios, a 1ª Caminhada pelo Fim da Violência contra as Mulheres chamou a atenção para os feminicídios e para a cultura de agressão à população feminina. Cerca de 200 integrantes do grupo Mulheres do Brasil se mobilizaram, unindo-se a aproximadamente 8 mil participantes de uma corrida de rua, no centro de Brasília, para pedir um basta aos casos de agressão.

O laranja — cor oficial do combate às brutalidades cometidas contra a população feminina — destacou, no horizonte da capital do país, os 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Durante o percurso, as camisetas estampavam palavras de apoio ao término das atrocidades praticadas pelos agressores.

Desde as primeiras horas de domingo, às 5h, participantes já se concentravam na Esplanada. A largada foi dada às 7h simultaneamente em diversas lugares do Brasil e também em países como Alemanha e Portugal. Ao todo, mais de 20 cidades participaram da mobilização.

Para Janete Vaz, líder do grupo Mulheres do Brasil, a sociedade civil precisa se mobilizar em torno do assunto. “O que queremos é trazer visibilidade, fazer com que as mulheres tenham coragem de relatar seus sofrimentos, levar o conhecimento de que é importante todas as pessoas estarem envolvidas. Por isso, falamos ‘mete a colher, sim, em briga de marido e mulher’. Com isso, estamos incentivando as mulheres que estão invisíveis, sofrendo violência psicológica, moral e sexual, para que possam ter a ousadia de buscar apoio”, diz.

No Distrito Federal, 32 mulheres foram vítimas de feminicídio, neste ano. O número se refere aos casos que chegaram a ser registrados e é 14% maior do que em todo 2018, quando ocorreram 28 crimes do tipo. Para Andrea Costa, coordenadora do Comitê de Combate à Violência contra a Mulher do grupo Mulheres do Brasil, iniciativas como a caminhada de ontem são fundamentais na conscientização sobre as agressões sofridas e no combate ao crime. “Os índices de feminicídios são muito altos. Então, é uma forma de dar visibilidade à violência e trazer a sociedade para combatê-la. São todos por todas”, afirma.

Tatiana Araújo, 39 anos, caminhou em nome da união. Segundo a fotógrafa, a rede de apoio contribui para dar voz às vítimas, além de ajudar na superação dos traumas. “É fundamental encorajar uma a outra e levar à frente os problemas que acontecem dentro de casa. Muitas vezes, passa despercebido e você acha que é uma coisa comum. Mas não é. Às vezes, o que você acredita ser uma brincadeira, ou algo que aconteceu porque seu esposo chegou alterado em casa, a cada dia vai ficando mais perigoso. Você acha que no outro dia vai melhorar. Mas a proporção fica maior. As mulheres precisam se apoiar. Isso mostra que ninguém está só e que outras mulheres também passam por problemas como estes dentro de casa. Quando você tem uma rede de apoio, fica mais fácil superar”, pontua.

Fundadora de uma ONG que realiza acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, Nathany Osorio, 81 anos, acordou cedo no domingo para “trabalhar em defesa da mulher”. Ela destacou o fato de a violência não ser restrita a uma determinada classe social. “Nós mulheres, independentemente da classe social, éramos muito tímidas até que houvesse o que acontece agora, essa conscientização e o empoderamento do fato e da honra de ser mulher. As agressões aconteciam em qualquer nível social, não é só entre os humildes”, pondera. “Eu vi pessoas de grande intelecto e poder aquisitivo agredir, machucar, bater e violentar”, completa.

Chefe da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), Sandra Melo afirma que o silêncio vinculado aos casos de agressão é um dos principais motivos do número elevado de crimes. “É importante destacar como o silêncio das vítimas e da sociedade tem levado a isso. Se as vítimas não procuram ajuda, o Estado não tem como quebrar esse ciclo da violência. Então, esse movimento aqui, é importantíssimo no sentido de mobilizar a sociedade e as mulheres que possam estar sofrendo violência, para que venham trazer essa vivência e, assim, possam ser ajudadas”, avalia a delegada.

Homens

Os homens também têm papéis centrais nas tragédias e em histórias de superação relacionadas à violência doméstica. “Eles são imprescindíveis porque é um problema que afeta a sociedade. Então, todos têm que estar comprometidos. Aqueles homens que se juntam a nós nessa campanha, servem de exemplo para aqueles que pensam ou praticam a violência contra a mulher”, explica Sandra Melo.

Supervisor de negócios, Regis Fonseca, 44 anos, fez questão de se unir à caminhada. “Sou casado há 25 anos. Acredito que, dentro de uma relação, precisa haver respeito e cumplicidade para ser um ambiente saudável. Vim à caminhada justamente para mostrar que homens também podem participar desse movimento e ajudar outros a enxergarem que não cabe mais nenhum tipo de agressão.”

Atendimento

No evento, policiais da Deam realizaram atendimentos e orientaram a população sobre medidas de combate às agressões. Uma unidade móvel da delegacia foi colocada à disposição das pessoas que estavam na Esplanada durante a caminhada. “A gente só vai conseguir diminuir essas taxas de violência quando a sociedade estiver totalmente mobilizada e quando a mulher sentir que todos estão por ela. É isso que estamos fazendo aqui”, enfatiza Sandra Melo.

"O que queremos é trazer visibilidade, fazer com que as mulheres tenham coragem de relatar seus sofrimentos”

Janete Vaz, líder do Mulheres do Brasil

Saiba onde procurar ajuda

Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência

O serviço gratuito da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República serve como disque-denúncia em casos de violência contra a mulher

Telefone: 180

Centro de Atendimento à Mulher (Ceam)

Espaços de acolhimento e atendimento psicológico, social, orientação e encaminhamento jurídico

Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h

Locais: 102 Sul (Estação do Metrô), Ceilândia, Planaltina

Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam)

Endereço: Entrequadra 204/205 – Asa Sul

Telefone: 3207-6172

Ministério da Mulher

O Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos recebe ligações gratuitas por telefone 24h para quem precisar fazer denúncias de violência que acabou de acontecer ou que está em curso

Telefone: 100

Núcleos de Atendimento à Família e aos Autores de Violência Doméstica (Nafavds)

Acompanhamento psicossocial às vítimas, familiares e autores

Locais: Brazlândia, Gama, Núcleo Bandeirante, Paranoá, Planaltina, Samambaia, Santa Maria, Sobradinho e no Plano Piloto

Programa de Prevenção à Violência Doméstica (Provid) da Polícia Militar

O serviço de acompanhamento de famílias está disponível em todos os batalhões e conta com 22 equipes

Telefones: 3910-1349 / 3910-1350

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