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Caso naja: Estudante picado, mãe, padrasto e amigo viram réus por associação criminosa no DF

Caso naja: Estudante picado, mãe, padrasto e amigo viram réus por associação criminosa no DFFoto: Ivan Mattos/Zoológico de Brasília

Pedro Henrique Krambeck Lehmkuhl e demais acusados também vão responder por venda e criação de animais sem licença e maus-tratos. G1 tenta contato com defesas dos envolvidos.

Do G1 Df - 04/09/2020 - 17:26:53

A Justiça do Distrito Federal aceitou, nesta quinta-feira (3), denúncia do Ministério Público do DF (MPDFT) contra o estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Krambeck Lehmkuhl – picado por uma cobra da espécie naja em julho –, além da mãe, o padrasto e um amigo dele. Se tornaram réus:

  • Pedro Henrique Krambeck: vai responder pelos crimes de associação criminosa, venda e criação de animais sem licença, maus-tratos contra animais e exercício ilegal da medicina veterinária;
  • Rose Meire Lehmkuhl (mãe do estudante): vai responder pelos crimes de associação criminosa, venda e criação de animais sem licença, maus-tratos contra animais, fraude processual, corrupção de menores e por dificultar a fiscalização do poder público em questões ambientais;
  • Eduardo Condi (padrasto do estudante): vai responder pelos crimes de associação criminosa, venda e criação de animais sem licença, maus-tratos contra animais, fraude processual e corrupção de menores;
  • Gabriel Ribeiro (amigo do estudante): vai responder pelos crimes de associação criminosa, venda e criação de animais sem licença, maus-tratos contra animais, fraude processual e corrupção de menores;

O G1 tenta contato com as defesas dos envolvidos. Entre as 11 pessoas que foram indiciadas pela Polícia Civil em agosto, por suspeita de tráfico de animais silvestres na capital, o Ministério Público denunciou apenas as pessoas mais próximas ao estudante Pedro Krambeck.

Segundo o promotor de Justiça de Defesa do Meio Ambiente Paulo José Leite, outros cinco suspeitos terão direito a um acordo de não persecução penal.

A medida, voltada para crimes com penas menores, prevê que os acusados paguem multa ou prestem serviços comunitários para que não sejam julgados pela Justiça. Entre os beneficiados está uma professora da faculdade onde Pedro Henrique Krambeck estudava.

"Isso devido ao delitos pelos quais eles foram indiciados permitirem, em um primeiro momento, a possibilidade de um acordo. Nesse acordo, vai haver uma proposta do MP que vai levar em consideração a conduta de cada um, tendo em vista a reparação para a sociedade desse delitos ocorridos. Se eles não cumprirem o acordo feito, aí haverá denúncia."

Um outro amigo de Pedro conseguiu o direito a transação penal, o que significa que ele concordou em seguir condições determinadas pelo Ministério Público para que não haja oferecimento de denúncia. Assim, as acusações contra ele também não serão analisadas por um juiz.

O ex-comandante do Batalhão Ambiental da Polícia Militar do DF, Joaquim Elias da Costa Paulino, que estava na lista de indiciados pela Polícia Civil, não foi denunciado porque já é alvo de um processo na Justiça Militar.

Segundo o promotor, ele está sendo processado por indícios de má conduta durante as atividades de PM. "Ele será julgado pelo juízo competente", disse Paulo José.

O promotor de Justiça Militar Nísio Tostes afirmou também que foi instaurado um inquérito militar que apura indícios de prevaricação, já que, de acordo com as investigações, o policial deixou de autuar da forma como deveria.

"Pelo que surge do inquérito da Polícia Civil, teria sido um ajuste entre o então major Elias da Costa e o tenente-cononel Condi no sentido de não dar consequências os atos e encobrir os fatos."

A Polícia Federal também investiga suposto envolvimento de uma servidora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no esquema. Em julho, e la foi afastada das atividades por ordem da Justiça Federal.

O órgão informou que instaurou um processo administrativo disciplinar interno para investigar a suposta participação da servidora. De acordo com o promotor Paulo José Leite, as suspeitas contra ela estão sendo investigadas pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF), por conta da condição de servidora.

A PF afirmou nesta quinta que acompanha o caso quanto à possível ocorrência de crimes federais. "Em função do sigilo, não há mais informações", afirma o órgão.

Cobra Naja que picou estudante de veterinária é encontrada perto de shopping no DF

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Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, de 22 anos, foi picado por uma naja no dia 7 de julho. A cobra é uma das mais venenosas do mundo e não havia soro antiofídico no Distrito federal.

O hospital particular para onde o estudante foi levado precisou pedir o antídoto para o Instituto Butantan, em São Paulo – único local que tinha o soro no país, para pesquisa. Pedro entrou em coma e correu risco de vida.

As investigações da Polícia Civil apontam que o jovem criava a cobra em casa ilegalmente e que tinha, pelo menos, 18 serpentes. Segundo a corporação, a mãe e o padrasto de Pedro prestaram sabiam sobre a criação ilegal dos animais.

Após o incidente com a naja, a polícia da capital intensificou as investigações sobre a criação ilegal de espécies exóticas no DF. A corporação chegou afirmar que o caso revelou um esquema de tráfico de animais com prováveis ramificações internacionais.

Pedro Henrique Krambeck e Gabriel Ribeiro, amigo dele, chegaram a ser presos. No entanto foram soltos e respondem ao processo em liberdade.

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

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