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Casos de coronavírus triplicam no Pará após fim do lockdown

Casos de coronavírus triplicam no Pará após fim do lockdownFoto: Pedrosa Neto

População aglomerada em ônibus na última quarta-feira (1º). O distanciamento não está sendo respeitado como recomenda a OMS.

Catarina Barbosa - Brasil De Fato | Belém (pa) - 03/07/2020 - 19:02:06

População aglomerada em ônibus na última quarta-feira (1º). O distanciamento não está sendo respeitado como recomenda a OMS. -

Nas ruas da capital paraense além do visível aumento do número de pessoas, já é possível ver gente circulando sem máscara. Nos coletivos, a aglomeração contraria a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), mas ainda assim segue em curso o processo para a suposta retomada econômica. O resultado é que pouco mais de um mês depois, o número de casos triplicou. Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) em 26 de maio, dois dias depois do encerramento do lockdown o Pará tinha 31.132 casos da covid-19 e 35 dias, na última quarta-feira (1º), o número era de 108.067 infectados.

Ádima Monteiro, socióloga e integrante da Consulta Popular e da Frente Brasil Popular diz que as entidades analisam com grande preocupação o aumento de casos de covid-19 e, para ela, não há dúvidas de que a decisão do governo do Estado de reabrir os serviços foi precipitada.

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"Desde a reabertura das atividades comerciais triplicaram os casos de coronavírus no Pará, duplicaram os casos de morte e é importante ressaltar a subnotificação dos casos. Infelizmente, os dados oficiais não conseguem refletir o que vêm ocorrendo na nossa realidade", diz Monteiro.

A subnotificação de casos de covid-19 foi admitida pelo próprio Ministério da Saúde. Em Abril, a Frente Brasil Popular chegou a enviar um documento intitulado Plataforma Estadual Emergencial , que sugeria uma série de medidas: aumento do efetivo de médicos, hospitais de campanha para as áreas que não foram contempladas e recuo da reabertura econômica em algumas áreas, entre outras iniciativas.

Euci Ana Costa, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), reforça a fala de Ádima e diz que a reabertura foi feita de maneira abrupta.

"Considero que o governo do Estado construiu uma agenda com o programa de Retoma Pará que seria de forma gradual. Ela usava bandeiras com cada cor significando um grau de risco e condições para ultrapassar o nível de abertura das atividades não essenciais. Porém primeiro que de gradual não teve nada. A partir do momento em que a região metropolitana e alguns municípios saíram do lockdown, o i solamento social caiu consideravelmente ", diz ela.

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População aguardando ônibus na Avenida Almirante Barroso uma das mais movimentadas da capital paraense. / Pedrosa Neto

A afirmação de Euci tem embasamento nos dados da Secretaria de Segurança Pública (Segup). Na última segunda-feira (29), o Pará estava na 24ª posição no ranking nacional de isolamento social, com taxa de, apenas, 38,86% das pessoas em casa para evitar a proliferação da covid-19.

"Hoje praticamente 100% dos municípios têm contaminação da covid-19 e cada município, de acordo como a estrutura municipal se encontra, tem uma reação de atendimento ou não de gravidade do vírus na população. Eu penso que parte do governo teve uma precipitação em não seguir o calendário gradual pelas bandeiras e foi muito rápido isso", resume Euci Ana Costa.

Mais de 90% de ocupação de leitos

O Hospital Regional de Tucuruí, no sudeste do Pará, por exemplo, está com 95% dos leitos de UTI ocupados. São 20 leitos para atender a população de Breu Branco (66.046 habitantes), Goianésia do Pará (40.475), Jacundá (40.475), Novo Repartimento (75.919), Tailândia (106.339) e Tucuruí (113.659).

Segundo a estimativa dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2019 ( IBGE ), a população destes 7 municípios soma 442.913 pessoas. Ou seja, praticamente, 1 leito para cada 22 mil pessoas.

A Presidente da CUT pontua que a pandemia só vem expor a precariedade em que vivem muitos paraenses: muitos não conseguiram acesso à máscaras, equipamentos de segurança e realizaram pouco ou nenhum isolamento social.

"Alguns municípios adotaram medidas de acesso aos serviços, de estrutura, mas a maioria não conseguiu se prevenir e alguns municípios ainda estão deixando o povo no descaso de política pública, de atenção", afirma.

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O mesmo caso de leitos com ocupação em praticamente 100% ocorre nos Hospitais de Campanha de Marabá e no Regional Publico do Sudeste Doutor Geraldo Veloso. Juntos eles somam 55 leitos para atender moradores de 11 municípios: Abel Figueiredo, Bom Jesus do Tocantins, Brejo Grande do Araguaia, Canaã dos Carajás, Curionópolis, Dom Eliseu, Eldorado do Carajás, Itupiranga, Marabá e Nova Ipixuna. A ocupação está em 95%.

Desde o dia 24 de maio, o governo do Pará deixou a cargo dos municípios a decisão de manter ou não o bloqueio total (lockdown) das atividades não essenciais. Dos 27 Estados brasileiros o Pará é o quarto com maior número de infectados e de mortes pelo novo coronavírus ficando atrás somente de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

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