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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 12 de agosto de 2022

Chamado à população. É o caso da dengue

Chamado à população. É o caso da dengue

Foto: Pixabay

Chamado à população

Visão Do Correio Braziliense - 16/06/2019 - 12:22:20

Talvez em razão da nossa história colonial, o brasileiro aprendeu a ver no Estado o grande pai. O governante de plantão, independentemente da cor partidária, seria dotado do poder mágico de resolver os problemas — privados ou coletivos. O pensamento ingênuo como o das crianças tira a responsabilidade do cidadão de resolver problemas ou colaborar na solução de obstáculos muitos dos quais dependem dele. É o caso da dengue.


No balanço do primeiro trimestre de 2019, os números assustam e preocupam. Os casos registrados até 16 de março chegaram a 229 mil. No mesmo período do ano passado, foram 62,9 mil. Houve crescimento também nos óbitos — de 37 para 62.


As unidades da Federação que figuram no topo do ranking de infectados não têm relação com localização, desenvolvimento ou renda per capita. Acre, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal apresentaram taxa de incidência maior que 100 casos por 100 mil habitantes.


Poucas situações depositam nas mãos da população o dever de atuar efetivamente na prevenção da enfermidade. O mosquito Aedes aegypti, responsável pela propagação do mal, encontra ambiente propício nas cidades e no campo. Pobres e ricos, adultos e crianças, moradores de áreas rurais e urbanas figuram entre as vítimas do inseto.


Acende-se, pois, a luz vermelha para todos, sem discriminação. Ninguém, a exemplo de Pilatos, pode lavar as mãos. Todos têm de fazer a sua parte. Negligência cobra preço alto cuja moeda de pagamento é a vida, a saúde, a incapacidade para o trabalho.


É claro que o Estado desempenha papel importante no processo da prevenção. Evitar poças d´água em áreas públicas, promover a eficaz coleta e tratamento do lixo, e divulgar campanhas educativas destinadas a públicos específicos são ações inadiáveis e permanentes que cabem aos governantes e das quais eles estão proibidos de descuidar-se.


Mas, sem o apoio da população, o resultado deixará muito a desejar. A razão: o perigo mora nos atos corriqueiros, aparentemente inofensivos que moradores do campo ou da cidade praticam sem constrangimento ou consciência do malefício que podem acarretar.


Manter pratos sob vasinhos de plantas, deixar água-doce no jardim para atrair beija-flores, fazer balanços de pneus, descartar copos, garrafas, pratos, cacos de vidro no quintal de casa, jogar lixo na rua são convites à proliferação do Aedes aegypti.


Os resíduos modernos, vale lembrar, têm enorme capacidade de armazenamento de água. Uma tampinha de refrigerante, por exemplo, causa estragos. Daí a importância de alertar a população, e de escolas, igrejas, imprensa, redes sociais entrarem na guerra contra o inseto. A alternativa é colaborar ou colaborar.

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