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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 19 de novembro de 2018


Cidade do Cabo corre risco de ser o primeiro grande aglomerado urbano do mundo a ficar sem água

Cidade do Cabo corre risco de ser o primeiro grande aglomerado urbano do mundo a ficar sem água

Dentro de dias, a capital sul-africana vai enfrentar o “day zero”, quando as reservas se tornarão tão críticas que a água vai deixar de correr nas torneiras.

Por Zap / Foto: Wikimedia Commons - 16/07/2018 - 00:17:42

A seguir a Joanesburgo, a Cidade do Cabo, com quase quatro milhões de habitantes, é a segunda maior área urbana da África do Sul. No entanto, nem isso nem o histórico de forte precipitação no inverno – que já não se faz sentir há três anos – salvam a cidade da diminuição do nível da água para níveis mínimos que podem muito bem vir a tornar-se trágicos.

Numa primeira previsão, os especialistas davam como 21 de abril o dia que marcaria o ponto em que as barragens caem para menos de 13,5% da sua capacidade combinada, ou seja, o “dia zero”.

Agora, os especialistas reviram os números e apontam para 12 de abril, o dia em que a água deixará de correr nas torneiras daquela capital, segundo o jornal i.

O cenário que ali se vive é dantesco, com os turistas a serem recebidos por avisos dramáticos onde se lê “Restam 67 dias de água. Poupe já“.

Se nada mudar, ou seja, se não chover, a 12 abril, de acordo com a última previsão, a Cidade do Cabo será o primeiro grande aglomerado urbano do mundo a ficar sem água.

A população está levando a cabo grandes esforços para poupar a pouca água que ainda resta (e que já é racionada). Em hotéis, algumas torneiras foram retiradas, de forma a evitar que os hóspedes tomassem banho de imersão. As piscinas foram tapadas ou, em último caso, passaram a ser cheias com água dessalinizada ou reciclada. Os minibares já não têm água engarrafada. E os lençóis só são mudados a cada três dias.

Helen Zille, chefe do governo provincial, já emitiu, inclusive, um comunicado proibindo a população de “toma ducha mais de duas vezes por semana. Temos de poupar água como se a nossa vida dependesse disso. Até porque depende”. E foi ela própria que confessou, através de um vídeo colocado na sua página na internet, que toma banho apenas de três em três dias.

Em 2014, o governo do Cabo ganhou um prêmio de “implementação de adaptação” da C40, a rede de megacidades comprometidas em lidar com as alterações climáticas, valendo-lhe isso um (insuficiente) lugar entre os governos com mais preocupações em matéria de sustentabilidade dos recursos.

Naquele ano, as barragens estavam cheias, depois de um ano prolífico de chuvas, e a Cidade do Cabo merecia ser recompensada pela sua gestão da água.

Três anos de seca depois, os responsáveis veem-se perante uma situação preocupante, apesar de todo o bem que pareciam ter feito. Só que com as barragens cheias e o prêmio nas mãos, os responsáveis foram menosprezando a necessidade de procurar fontes alternativas de água além das seis barragens que dependem da chuva.

Segundo o New York Times, já em 2007 o Departamento de Assuntos de Água da África do Sul avisara que a cidade precisava de mais fontes de água subterrâneas, centrais de dessalinização e outros recursos para diversificar as reservas e minimizar os riscos trazidos por períodos de seca prolongados.

2017 foi o ano mais seco de que há registo na cidade sul-africana.

A única gota de esperança para os habitantes da cidade é deixada por Kevin Winter, do Future Water Institute da Universidade da Cidade do Cabo, no site da universidade, no texto “Cinco sinais de que o Dia Zero pode ser evitado”.

Como o fornecimento de água à agricultura já começou a ser cortado porque os 58 milhões de metros cúbicos estabelecidos como limite máximo, haverá mais água para as populações. A entrada em vigor em fevereiro de novas tarifas e de multas para quem desperdice água é outro dos fatores que Kevin Winter considera capazes de retardar a descida dos níveis das barragens. A estas duas somam-se os sete projetos em construção para aumentar as fontes de fornecimento: quatro centrais de dessalinização, duas unidades para trazer água de aquíferos e uma de tratamento de efluentes.

Quanto aos outros dois sinais, são mais manifestos de esperança do que marcas capazes de serem interpretadas como verdadeiros indícios de que a situação poderá inverter-se e o dia zero não chegar mesmo a acontecer.

Chuva e confiança, escreve Winter. “É ainda muito cedo para prever a precipitação regional do inverno para 2018, mas como já nos desapontamos tantas vezes temos tendência a esquecer que ainda chove no Cabo Ocidental“.

Apesar de a pouca chuva de verão poder não ser suficiente para encher as barragens (que poderão demorar até três anos para chegar à sua capacidade máxima), poderá empurrar a chegada do dia zero para mais tarde. Até à chegada da época das chuvas.

Quanto à confiança, deve-se ao fato de a situação dramática que a cidade atravessa ter feito com que governantes e cidadãos se empenhassem mais na gestão da água. “Os dias de procrastinação deram lugar a planos e projetos que lidam com a crise a curto prazo e a estratégia a longo prazo, que chega até 2022”, escreve.

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