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Cidades europeias proíbem carros para combater a poluição e tornar espaços públicos mais amigáveis a pedestres e ciclistas

Cidades europeias proíbem carros para combater a poluição e tornar espaços públicos mais amigáveis a pedestres e ciclistasFoto: Correio Braziliense

Cidades europeias proíbem carros

Por Jaqueline Mendes-correio Braziliense - 08/05/2019 - 11:09:48

Para combater a poluição e tornar espaços públicos mais amigáveis a pedestres e ciclistas, Amsterdã, Madri, Roma e Edimburgo restringem automóveis, causando danos à indústria.

Em Amsterdã, os carros movidos a gasolina e a diesel serão proibidos de circular a partir de 2030.

No século 20, nenhum bem foi mais cobiçado pela sociedade de consumo do que o automóvel. No século 21, o que se observa é o caminho oposto: os carros estão se tornando cada vez mais indesejáveis. O fenômeno tem ganhado força, especialmente na Europa, e pode provocar sérios danos à indústria automobilística.


Nos últimos dias, grandes cidades europeias anunciaram restrições à circulação de automóveis. Em Amsterdã, na Holanda, os carros movidos a gasolina e a diesel serão proibidos a partir de 2030, segundo determinação do Conselho Municipal. O projeto tem dois objetivos principais: diminuir drasticamente a emissão de poluentes e tornar a cidade mais amigável para pedestres e ciclistas. “A poluição costuma ser uma assassina silenciosa e é um dos maiores riscos à saúde em Amsterdã”, disse a conselheira de trânsito da cidade, Sharon Dijksma.


Segundo o governo local, a ideia é substituir todos os motores a gasolina e diesel por alternativas livres de emissões, como carros elétricos e a hidrogênio. A medida começará a ser implementada em 2020, com a proibição imediata de carros a diesel produzidos antes de 2005. Aos poucos, até chegar a 2030, eles estarão 100% vetados.


O movimento é crescente na Europa. No ano passado, Madri, na Espanha, anunciou que, nos próximos meses, vai banir o acesso à cidade de veículos a diesel e a gasolina fabricados antes de 2000. Em Roma, na Itália, as restrições começarão a partir de 2024, quando os carros a diesel ficarão proibidos de circular pelo centro da cidade.


Yoga e música

Até o Reino Unido, que tem resistido ao movimento, parece ter cedido aos novos tempos. No último fim de semana, o governo de Edimburgo, capital da Escócia, fechou as ruas do centro para a circulação de automóveis. No lugar de carros, os espaços foram ocupados por praticantes de yoga, músicos e crianças, para citar apenas alguns exemplos. “Estamos totalmente comprometidos em criar uma cidade acessível, sustentável e amiga das pessoas”, disse Lesley Macinnes, conselheira da cidade.


O combate aos carros começa a provocar estragos na indústria automotiva. Em 2018, as vendas mundiais de automóveis de passageiros e comerciais leves caíram pela primeira vez desde 2009, de acordo com dados da Jato Dynamics, consultoria especializada no setor. No ano passado, foram emplacados 81,8 milhões de veículos, 0,6% a menos do que no ano anterior.


O resultado negativo foi puxado por declínios das vendas na Europa, nos Estados Unidos e na China, os principais mercados do mundo. Com mais restrições à circulação de automóveis, os prognósticos para os próximos anos são pessimistas. “O carro está deixando de ser o sonho de consumo das novas gerações”, diz o consultor Eduardo Tancinsky. “O mundo entrou na era da sustentabilidade e do compartilhamento de produtos e serviços. Isso provocará uma grande revolução no setor automotivo”.


Enquanto os veículos a diesel e a gasolina perdem espaço, os híbridos e elétricos – comprovadamente menos poluentes – avançam na preferência dos consumidores. O ano de 2018 marcou um recorde para os automóveis movidos a bateria. Segundo a Jato Dynamics, foram vendidos 1,2 milhão de carros elétricos, o que representa uma alta de 74% na comparação com o ano anterior.


Para 2019, a expectativa do setor é chegar a 3 milhões de unidades elétricas negociadas, quase o triplo do desempenho de 2018. Os avanços tecnológicos associados à redução dos custos de produção e à preocupação ambiental reforçam que esse será um caminho sem volta.


Segundo um relatório publicado no início do ano pela consultoria Deloitte, os custos de fabricação de um veículo elétrico a bateria serão os mesmos de um carro movido a gasolina a partir de 2022. Quando isso acontecer, haverá poucos motivos para a indústria continuar investindo em modelos tradicionais.


Não à toa, as montadoras têm anunciado uma enxurrada de lançamentos. Em março, a Volkswagen divulgou o lançamento de 70 modelos elétricos nos próximos 10 anos, acima da projeção anterior de 50 modelos. A Audi prevê que, até 2025, um terço de seus lançamentos serão movidos a bateria.

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