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Ciência e tecnologia contra o coronavírus no Distrito Federal

Ciência e tecnologia contra o coronavírus no Distrito FederalFoto: CorreioWeb

Câmeras que medem temperatura em massa e fiscalizam uso de máscaras estão em teste na Rodoviária do Plano Piloto: 1,8 mil pessoas por minuto

Alexandre De Paula - Correioweb - 05/06/2020 - 11:56:54

Em parceria com universidades e instituições de pesquisa, o Executivo local investe em estudos e ações para ajudar no combate e na prevenção à covid-19. Testes com plasma de pacientes curados e telemedicina são algumas das principais iniciativas

No embate contra a pandemia do novo coronavírus, a ciência e a tecnologia são algumas das armas mais poderosas na procura de soluções contra a disseminação da covid-19 e nas novas formas de tratamento de uma doença sobre a qual muito continua sem resposta. No Distrito Federal, ações do Executivo local, em parceria com universidades e instituições de pesquisa, buscam direções nessas áreas para avançar no combate. Testes com plasma e telemedicina são algumas das apostas do GDF.


O estudo da transferência do plasma de pacientes recuperados (veja Critérios) da covid-19 para doentes em estágio moderado (leia Para saber mais) começou a tomar forma mais concreta no DF. A iniciativa é tocada pela Fundação Hemocentro, pelo GDF e pela Universidade de Brasília (UnB). A primeira doação de plasma foi feita na terça-feira. As análises são feitas no Laboratório Central e na UnB. “Ao todo, acompanharemos 100 pacientes que vão receber o plasma e 100 que não vão receber. São pessoas com covid-19 em estágio moderado. A nossa hipótese é de que o uso do plasma diminuirá a progressão para a forma grave”, explica o médico e professor de imunologia na Faculdade de Medicina da UnB André Moraes Nicola. “Será uma vantagem para aquela pessoa que está recebendo, porque ela vai melhorar e conseguir se recuperar da covid-19, mas também para o serviço de saúde em geral, porque, ao impedir, o avanço da doença para o estágio grave reduz também a demanda por equipamentos como respiradores e leitos avançados”, detalha o especialista.


Telemedicina

“Neste momento que estamos enfrentando agora, só a ciência atrelada à tecnologia pode ajudar. Não tem saída. O mundo todo está vindo nessa direção”, defende o secretário de Ciência e Tecnologia, Gilvan Máximo. Ele destaca as ações de telemedicina em desenvolvimento como um passo importante para a modernização da saúde da capital e como ferramenta para auxiliar na luta contra a pandemia.


A plataforma está em processo de finalização e deve ser lançada em 30 dias, segundo o secretário. Com apoio da Fiocruz, o app permitirá atendimento de pacientes por meio digital, marcação de exames e uso de inteligência artificial para algumas situações. Com isso, a intenção é desafogar filas em unidades de saúde e evitar sobrecarga no sistema. “É uma plataforma muito vasta e que nos permitirá acelerar os processos”, diz Gilvan.


Um ponto fundamental da iniciativa para o combate do coronavírus é que a plataforma permitirá monitoramento rápido das pessoas que acessarem o sistema e uma busca ativa de possíveis contaminados. A ideia é mapear a situação desses pacientes e buscar possíveis ligações deles com infectados pela covid-19. “Assim, vamos saber se houve algum parente, algum vizinho com quem ela teve contato e ter um mapa mais claro das relações entre essas pessoas e a doença”, detalha.

A telemedicina também está em aplicação nas unidades comandadas pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges/DF). Atualmente, o método é usado para promover consultorias de forma remota entre médicos para que especialistas possam auxiliar outros profissionais nas ações com pacientes das Unidades de Pronto Atendimentos (UPAs).


Pesquisas para avaliar opções de tratamento à covid-19, para a qual não há, até então, uma terapia específica, também estão em andamento. “Estamos desenvolvendo e coordenando um protocolo de pesquisa próprio, que vai avaliar a segurança e a eficácia de opções terapêuticas propostas para o tratamento de pacientes moderados e graves”, informou o Iges/DF. As orientações aguardam avaliação do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). O instituto também destacou uso da tecnologia de impressão 3D para produzir equipamentos de proteção individual (EPIs).


Fiscalização

O uso da tecnologia também pode ser eficaz na fiscalização das normas estabelecidas para o combate ao coronavírus. Na Rodoviária do Plano Piloto, o GDF testa câmeras com capacidade de medir, em massa, a temperatura de pessoas que passam pelo local, além de identificar se há uso de máscaras. Um monitor mostra, a partir da análise, quem estiver descumprindo a norma ou apresentar estado febril.


Dois equipamentos do tipo foram instalados na entrada da Estação Central do Metrô e serão testados por 30 dias. A ideia é que o governo abra processo para adquirir câmeras se o teste for bem-sucedido. Elas têm capacidade para registrar, simultaneamente, o movimento de 1,8 mil pessoas por minuto.


Para saber mais

Método em teste


Chamada de transferência passiva de imunidade, a técnica passa, por meio de transfusão do plasma sanguíneo, anticorpos de pessoas que tiveram a doença e se curaram para quem está com a covid-19. Não há, até então, evidências clínicas de que esse tipo de tratamento é eficaz para conter o novo coronavírus, mas estudos realizados em diversos locais buscam comprovação para a eficácia do método. A técnica foi estudada, anteriormente, para outras doenças virais e pacientes melhoraram. A pesquisa atual busca protocolos para balizar o uso do plasma sanguíneo de recuperados no combate ao novo coronavírus.


Critérios
Veja as condições, além de ter se recuperado da covid-19,
para participar da pesquisa de plasma:

» Ter entre 18 e 60 anos
» Pesar no mínimo 60kg
» Se mulher, não ter histórico de gestações
» Ter diagnóstico laboratorial confirmado de infecção por Sars-Cov-2
» Estar sem sintomas de covid-19 há pelo menos 15 dias
» Não ter tido manifestações graves em função da covid-19 (choque séptico, parada cardíaca e/ou entubação traqueal/respiratória)

Fonte: Fundação Hemocentro

Inteligência artificial

No Lacen e na UnB, pesquisa mede eficácia da transferência de plasma (Carlos Vieira/CB/D.A Press - 29/4/20)
No Lacen e na UnB, pesquisa mede eficácia da transferência de plasma



A falta de informações sobre a covid-19 faz com que o investimento em pesquisa e em ciência sejam fundamentais neste momento, avalia o médico especialista em operações humanitárias e desastres no Brasil e no exterior Hemerson Luz, que atua nos hospitais de Base e das Forças Armadas. “É uma doença dinâmica, que muda a cada dia, e a perspectiva dos especialistas também muda. Esses investimentos são de suma importância para buscar o ponto fraco e diminuir a disseminação da doença, ou quem sabe, até se chegar a uma cura”, esclarece.


O uso da iniciativa inovadora também pode simplificar o processo de combate à doença, acredita o especialista. “Todo o emprego de novas tecnologias pode facilitar o acesso da população a meios de diagnóstico. Por exemplo, pode orientá-las ao procedimento que devem ser tomados, se deve ir ao hospital ou não. O uso da inteligência artificial vai ser realidade no DF e auxilia muito nesse sentido.”

Ferramenta

O momento da pandemia é uma situação em que a ciência, mais uma vez, será fundamental para combater o problema, defende o médico e professor de imunologia na Faculdade de Medicina da UnB André Moraes Nicola. “Os últimos séculos mostraram que a ciência é a atividade humana que tem maior potencial de resolver problemas. Não é perfeita, é feita por seres humanos e nós erramos, precisamos voltar atrás e rever questões. Porém, é inegável o quanto a ciência nos ajudou a avançar. Ela não é tão rápida como gostaríamos e, como disse, não é perfeita, mas é a mais importante ferramenta que temos para este momento”, ressalta.

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