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Citação a Bolsonaro pelo porteiro do condomínio deixa questões não respondidas no caso Marielle; confira

Citação a Bolsonaro pelo porteiro do condomínio deixa questões não respondidas no caso Marielle; confiraFoto: Brasil de Fato

O depoimento do porteiro, que deve ser investigado por “tentativa de envolvimento indevido”, levantou algumas questões ainda não esclarecidas.

Estadão Conteúdo - 31/10/2019 - 20:38:00

A publicação do conteúdo de dois depoimentos à Polícia Civil de um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde o presidente Jair Bolsonaro tem uma casa, deram início a uma sequência de declarações de autoridades sobre as investigações da morte da vereadora Marielle Franco . Após dizer que um dos acusados do assassinato teria entrado no condomínio com autorização de uma pessoa que atendeu o interfone na casa do presidente, o porteiro foi desmentido nesta quarta-feira, 30, pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

Segundo a promotora Simone Sibilio, a testemunha teria dado informação falsa ao vincular Bolsonaro com Elcio Queiroz , acusado de dirigir o o carro de onde partiram os tiros que mataram Marielle e o motorista Anderson Gomes. Elcio encontrou Ronnie Lessa , acusado de ter feito os disparos, na casa do atirador. Ronnie morava no Vivendas da Barra, assim como o presidente e seu filho Carlos Bolsonaro .

O porteiro sustenta que, ao interfonar para a casa, recebeu do “seu Jair” permissão para a entrada do carro no local. O veículo, porém, se dirigiu à casa 65, onde morava Ronnie Lessa – também preso, sob a acusação de ter feito os disparos contra a vereadora e o motorista. Ele registrou que a ligação teria sido feita à casa 58, de Bolsonaro.

Carlos, que é vereador no Rio, usou as redes sociais para exibir um vídeo com imagens de computador contendo supostos arquivos de áudio das conversas entre a portaria e as casas do condomínio no Rio. Um dos registros mostra que às 17h13 o homem identificado como Elcio pede para ir à casa 65, de Lessa. A voz do homem que atendeu o interfone foi identificada pelos peritos como sendo a de Lessa, a partir de uma comparação com registros feitos em depoimentos à Polícia Civil do Rio.

Em uma viagem oficial à Arábia Saudita, Bolsonaro fez uma transmissão em vídeo na qual, exaltado, atribuiu o vazamento ao governador do Rio, Wilson Witzel , e rebateu qualquer insinuação de envolvimento. No dia do assassinato, Bolsonaro estava em Brasília, como registram atas de presença da Câmara dos Deputados.

O depoimento do porteiro, que deve ser investigado por “tentativa de envolvimento indevido” , levantou algumas questões ainda não esclarecidas. Confira:

Registro

Por que o porteiro registrou, no livro de ocorrências da portaria, anotações que poderiam ser facilmente desmentidas pela checagem das conversas gravadas com as casas do condomínio?

Contato

Por que o porteiro afirmou ter feito dois contatos com Bolsonaro em casa, quando o hoje presidente, na época deputado federal, estava em Brasília na hora informada?

Desmentido

Se Bolsonaro sabia da versão do porteiro desde 9 de outubro, quando diz ter sido informado pelo governador Wilson Witzel (PSC), por que não a desmentiu antes?

Checagem

Por que o Ministério Público do Rio fez uma consulta ao Supremo antes de ter checado as informações do porteiro?

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