×
ContextoExato

Como sobrevivi à crise. Uma leva de empreendedores, grandes e pequenos, conseguiu driblar as dificuldades

Como sobrevivi à crise. Uma leva de empreendedores, grandes e pequenos, conseguiu driblar as dificuldadesFoto: Pixabay

Uma leva de empreendedores, grandes e pequenos, conseguiu driblar as dificuldades. Não só mantiveram seus negócios, como conseguiram expandi-los

Simone Kafruni-correio Braziliense - 25/12/2019 - 14:44:15

O Brasil passou pela maior recessão da sua história nos últimos anos. Entre 2015 e 2016, a atividade econômica encolheu quase 7% e a retomada tem sido lenta desde então. O desemprego saltou de 7% para 12,7% no auge da crise, levando ao desespero quase 14 milhões de brasileiros. A necessidade fez muitas pessoas se abrigarem na informalidade para driblar a falta de oportunidades no mercado de trabalho. Pequenas e grandes empresas tiveram que se reinventar para não fechar as portas e manter produção e funcionários, diante de vendas e serviços em queda livre. Nesse cenário, um novo nicho salvou a vida de muita gente: os negócios disruptivos garantiram ocupação e renda para quem não tinha de onde tirar o sustento.


Para mostrar como brasileiros e empresas de todos os portes e ramos de atividade sobreviveram à turbulência dos últimos cinco anos, o Correio publica, a partir de hoje, uma série de matérias com histórias de superação e criatividade por todo o Brasil. “Até mesmo as empresas eficientes sofrem com uma crise, sobretudo, essa última, com o tamanho que teve”, avalia o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), José Ronaldo de Castro Souza Júnior. “As mais saudáveis, no entanto, sobrevivem. E, algumas, com criatividade e ideias inovadoras, conseguem crescer”, explica.



Em geral, áreas associadas à criatividade e às novas tecnologias foram as que menos sentiram a recessão. “Como surgiram exatamente no período da crise, as tecnologias e aplicativos para vendas e serviços tiveram desenvolvimento grande. Foi uma ótima solução, porque iFood, Uber, 99 e Rappi garantiram trabalho para quem tinha perdido emprego”, diz. Nas corporações, a saída foi buscar a otimização dos processos e promover aumento da produtividade”, analisa.


Desafios

No entender de Joana Siqueira, coordenadora de pesquisas institucionais da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), os profissionais criativos têm caráter estratégico dentro do mercado. “O período é desafiador, mas os criativos demoraram mais para sentir a crise. Mais do que isso, a gente viu que num quadro em que foram fechados 1,7 milhão de postos de trabalho, nas áreas da indústria criativa houve geração de 24,5 mil empregos (veja quadro)”, ressalta.


Joana explica que algumas profissões são buscadas pelas empresas mesmo em cenário de crise. “Está tudo muito relacionado com a transformação digital. Aumenta a procura por profissionais especializados, gestão com foco no consumidor, processos de digitalização e diferenciação dos produtos e serviços”, diz. As empresas que sobreviveram bem à crise estão olhando mais para o consumidor, garantindo experiências diferenciadas, com base num volume gigantesco de dados. “É o que se chama, na indústria criativa de customização em massa. A empresa consegue entender o perfil do seu público e criar condições diferenciadas. É uma tendência”, observa.


O caminho para a digitalização é inexorável e qualquer produto ou serviço voltado para isso tem espaço garantido. “Uma pesquisa mostra que as empresas que investem em inovação têm resultados 66% melhores, ampliam seus mercados e abrem novos. É uma ferramenta de vantagem competitiva, principalmente na indústria”, explica.


Nos pequenos negócios, o desafio da sobrevivência existe mesmo sem crise, por isso, os cuidados precisam ser redobrados, ensina o economista e analista de Gestão Estratégica do Sebrae, Marco Bedê. “Das empresas constituídas em 2012, período em que o país ainda crescia, 76,6% sobreviveram até 2014, considerando o Microempreendedor Individual (MEI). Sem ele, a taxa de sobrevivência cai para 58,4%”, afirma.


Quanto maior a situação de desespero e de desemprego, aumenta a abertura de pequenos negócios, alerta Bedê. “O número de empregadores e profissionais por conta própria dispara em período de crise. Isso é comum, porque as pessoas tentam, justamente, buscar uma saída para o desemprego”, diz. No entanto, ele orienta alguns cuidados antes de arriscar tudo num novo negócio. “O ideal é abrir com calma, planejar, avaliar formação de preços e custos, estudar os investimentos e, sobretudo, buscar capacitação para gestão empresarial.”

Questões estruturais

O Brasil é um país muito suscetível à crise por questões estruturais, avalia Rubens Massa, professor do Centro de Empreendedorismo da Fundação Getulio Vargas (FGV). “Existe um fator muito relevante, que é como as empresas reagem à crise. Oito em cada 10 são de origem familiar, que nasceram por necessidade e não por oportunidade. Isso impacta diretamente na forma como as empresas são afetadas por fatores externos.”

Quem tem base familiar e necessidade, possui níveis de profissionalização e de competência técnica muito baixos, explica Massa. Por outro lado, a característica familiar também gera menos burocracia e um nível de comprometimento maior, porque todos são muito dependentes da empresa. “São fatores que agregam resiliência ao negócio, mesmo diante das crises mais profundas.”

Massa diz que as startups são mais fortalecidas, porque já nascem com uma visão de aprendizado constante, com baixo investimento e vão se desenvolvendo conforme o mercado. “As barreiras para o crescimento são mais fáceis de superar. As startups conseguem escala com menos custos. Mas existem problemas: pode não haver a demanda esperarada, exige pessoal qualificado e gestão profissional.”

Saiba mais...

À procura de bons profissionais

Efeito multiplicador para a economia Investimentos fazem a diferença

A força da inclusão financeira

Comentários para "Como sobrevivi à crise. Uma leva de empreendedores, grandes e pequenos, conseguiu driblar as dificuldades":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório