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Delivery contra a Covid-19. Produtores locais se organizam para entrega em domicílio

A empresária Nayara Leonel Ribeiro, 29 anos, entrou no mercado de delivery há sete meses: uma loja de roupa que vai até as clientes em várias regiões administrativas do DF

Ana Maria Da Silva*, Celimar De Meneses* E Jonathan Luiz*-correioweb - 21/03/2020 - 08:05:33

Setor de entrega apresenta-se como uma das principais alternativas para consumidores e comerciantes do Distrito Federal durante o período de quarentena pelo coronavírus. Pedidos de farmácias, restaurantes e supermercados estão em alta

Em tempo de pandemia do coronavírus, com a população isolada em casa e o comércio fechado para evitar o contágio da Covid-19, as empresas precisam recorrer às entregas para continuarem funcionando. Durante o período de quarentena, o setor de delivery se apresenta como uma das principais alternativas para consumidores e comerciantes do Distrito Federal.

Segundo o presidente do Conselho de Economia do DF, César Bergo, determinadas áreas tendem a aumentar o número de pedidos. “Alguns segmentos devem crescer, como por exemplo o farmacêutico e o alimentício”, comentou. Dados do aplicativo Rappi também apontam para este crescimento, desde o início da pandemia. Na América Latina, a alta foi de cerca de 30%, com destaque para pedidos de farmácias, restaurantes e supermercados, de acordo com a empresa.

Para o superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-DF), Valdir Oliveira, num primeiro momento o delivery não aumentou devido ao coronavírus. “Porém, durante a última semana, já observamos que isso mudou e as entregas cresceram consideravelmente”, disse.

Valdir alerta que as empresas, e principalmente os restaurantes, precisarão de liberação de crédito e flexibilização de tributos para sobreviver à crise econômica ocasionada pela pandemia. “Têm estabelecimentos que, nos melhores dias, que são finais de semana, chegaram a 70% de quebra de faturamento”. Apesar das dificuldades, Valdir afirma ser improvável que o DF passe por uma crise de abastecimento. Para ele, o importante, agora, é ajudar os pequenos negócios.

O presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar), Jael Antônio da Silva, explica que, atualmente, o melhor para a saúde pública é fazer os pedidos por entrega e não sair de casa. “Nos últimos dias, antes do comércio fechar, houve uma queda de venda em salão e um aumento na venda de delivery na faixa de 20 a 30%”, ressalta.

Jael destaca que, por segurança, alguns estabelecimentos têm adotado medidas como fornecer duas embalagens, uma externa que deve ser descartada por risco de contaminação, e uma interna onde fica o produto. “Os aplicativos não têm controle se os entregadores estão contaminados com o coronavírus. O ideal seria fornecer álcool em gel a eles, para que se higienizem, mas não sei se esse trabalho está sendo feito”, ponderou.

Ajustes do setor

Em nota, o aplicativo iFood informa que criou para todos os entregadores um fundo solidário de R$ 1 milhão, para dar suporte àqueles que necessitarem permanecer em quarentena. A organização não governamental Ação da Cidadania fará a gestão do fundo. Além disso, o aplicativo estuda formas de fazer entregas com menor contato, em que o usuário pode combinar com o entregador, via chat, o local para deixar o pedido.

A Uber também adotou novas medidas. A empresa explica que conta com a consultoria de um especialista em saúde pública, e permanece em contato próximo com as autoridades locais, seguindo as orientações para conter a propagação do coronavírus. O aplicativo Uber Eats agora permite que o usuário deixe uma instrução para pedir ao entregador que deixe o pedido na porta da residência do cliente, de modo a impedir qualquer contágio.


"Nos últimos dias, antes do comércio fechar, houve uma queda de
venda em salão e um aumento na venda de delivery na faixa de 20 a 30%”

Jael Antônio da Silva, presidente do Sindhobar


Cinco pedidos inusitados

Com a promessa de entregar qualquer coisa que o cliente desejar,
o aplicativo de entregas Rappi possui uma lista de pedidos fora do comum:

» Pedir ajuda para descarregar seis vasos de planta do caminhão.

» Comprar agulha, pinça anatômica e fio de nylon para cirurgia.

» Buscar o cartão de estacionamento que o cliente havia esquecido no carro, que estava no mecânico.

» Buscar uma chave de cliente que se trancou no próprio apartamento.

» Comprar passagem de ônibus.

Caminhão virou loja de moda feminina

Uma loja de roupas que vai até o cliente. Esse é o serviço da truck store Coisa de Mulher, gerenciada pela empresária Nayara Leonel, 29. Há sete meses no ramo delivery, a gestora explica que busca sozinha a excelência no atendimento. Além de cuidar das redes sociais, Nayara diz que faz as entregas com agendamento prévio. “A mobilidade da loja me permite ir a qualquer lugar, encontrar pontos estratégicos e também atender os fregueses em domicílio, com a comodidade que uma loja fixa não possui”, conta.

No caminhão, são vendidos produtos de moda feminina, entre eles roupas, calçados e bijuterias. Para a empresária, o conforto do cliente é o principal objetivo. Os principais pontos de entrega são Águas Claras, Candangolândia, Riacho Fundo, Taguatinga e Vicente Pires, mas caso as clientes de outras regiões se interessem pelo serviço, Nayara verifica a melhor maneira de atendê-los. “Dessa forma, levo a própria loja até a cliente, e ela pode viver toda essa experiência no conforto de sua moradia”, completa.

Nayara salienta que ainda precisam ser feitas melhorias. “Existem casos em que as freguesas nos chamam, marcam visitas, e quando chegamos elas não aparecem. Além disso, os dias chuvosos acabam atrapalhando um pouco nossa dinâmica, visto que a loja não possui uma grande estrutura para abrigar clientes nessa situação”, explica a empresária.

* Estagiários sob supervisão de Adson Boaventura

Serviço
» Coisa de Mulher

Instagram: @coisademulher_ts

Telefone: (61) 98281-1991


Nova realidade para autônomos

» Cibele Moreira

Feirantes, comerciantes autônomos e produtores rurais estão se adaptando à nova realidade diante da pandemia do coronavírus. Com o comércio, restaurantes e feiras fechadas, a alternativa encontrada para manter a renda familiar foi entrar para o mundo do delivery.

Membros de uma associação de produtores rurais e feirantes itinerantes do Distrito Federal têm se mobilizado para disponibilizar aos clientes a opção de entrega em domicílio. Para Gabriela Quinaud, 35 anos, essa foi uma ótima saída para quem tem o próprio negócio. “A preocupação do autônomo é do dinheiro acabar e não conseguir o próprio sustento. Com a entrega, estamos bastantes otimistas”, afirma.

Ela administra uma empresa de produtos veganos, a Lanche Verde. “Meu negócio é novo em feiras, mas não esperava essa mobilização. Começamos a articular na quinta-feira e hoje (ontem) já tivemos resposta positiva. A procura está muito grande”, ressalta.

Ela conta que percebe uma conscientização das pessoas nesse período, que têm aderido e abraçado os produtores locais. A entrega é feita para todo o Distrito Federal com frete de R$ 6. Entre os produtos vendidos estão tapioca de batata doce e de inhame com biomassa de banana verde; pão de queijo de batata doce e de inhame e pão de “Q” vegano.

Gabriela acredita que esse momento pode refletir para uma mudança de realidade no futuro. “As pessoas estão tendo mais cuidado com a alimentação. Isso pode resultar em uma mudança de paradigma”, pontua. Ela ainda ressalta que todo o processo de produção está sendo feito com bastante cuidado para garantir a saúde de todos. Quem quiser experimentar os produtos da Lanche Verde, pode entrar em contato com os números no quadro (ver acima).

Aumento das vendas

Para a agricultora Rosicler Velloso, 34, o número de encomendas aumentou cerca de 40% em um dia. “Ficamos um pouco assustados no começo. Como estamos acostumados com uma clientela menor, foi uma surpresa”, conta. Para manter o sustento da família, ela está organizando um dia na semana para entregar as hortaliças. Entre os produtos mais pedidos estão: cenoura, beterraba, folhagem, abóbora e chuchu. “A entrega é bem segura. Estamos utilizando luvas, máscaras e álcool em gel”, explica. Todos os produtos são colhidos na chácara da Rosicler, localizada em Padre Bernardo. Ela trabalha vendendo hortaliças em feiras desde 2002, e estava com banca fixa em três feiras no Distrito Federal.

Outros agricultores estão vendendo os seus produtos por meio da entrega domiciliar. A cultura da feira, com a verdura fresca, é uma realidade que atrai o brasiliense. A divulgação da lista com o telefone dos produtores que estão disponibilizando delivery tem movimentado as redes sociais.

Outros produtos têm feito sucesso, como a pizza do Ocacyr. “Criança sem aula e sem pizza não dá certo”, brincou o aposentado, que vende pizzas e kibe há oito meses em feiras. De acordo com ele, o número de pedidos foi tão grande que não deu para atender a todos. “Estou trabalhando em produção. Minha esposa até comentou que já está com o braço doendo de tanto abrir massa. Hoje (ontem) estamos entregando apenas pedidos perto aqui de casa, mas já contratamos um motoqueiro para fazer a entrega em lugares mais distantes”, conta.

Ele costumava atender, em média, de 15 a 20 pedidos. No primeiro dia de entrega, foram 30 ligações. Uma surpresa muito boa para quem ama cozinhar. Com ausência total de visão, Ocacyr que prepara tudo, molho, recheio e massa. Para ele esse é o maior prazer da vida. “A possibilidade de entrega (em domicílio) foi uma forma de continuar fazendo com o que gosto”, afirma.

A preocupação do autônomo é do dinheiro acabar e não conseguir o próprio sustento. Com a entrega, estamos bastantes otimistas”

Gabriela Quinaud,

autônoma

Produtores locais se organizam para entrega em domicílio

Gaúcha Prendada

Rafael e Daiane - 99697-6868

Arepas congeladas

Juliana - 98553-6864

Pizzas e kibes congelados

Ocacyr / Juliana / Hariel - 98208-6588

Boule Pães

Gabriel - 98121 3552

Kicookies Biscoitos Artesanais

Jódia e Flávio - 99118 4483

Galeno Doces, Linguiças e Produtos Artesanais

Gilberto - 99135-6769

Cai Bem Geladinho - Dindin Gourmet

Péricles - 99885-1103

Produtos orgânicos

Paulo - 99869-6097

Filés de tilápia

Artur - 98202-9680

Tenda da pamonha

Suelen e Alessandro - 98614-6347

João Victor Orgânicos

Rosicler Velloso - 99875-5266

Lanche Verde

Gaby: 98469-0017

Dani: 98469-0016

Gil hort-frut

Verduras e hortaliças - 98565-3604

Alimentos sem glúten e leite (coxinha de mandioca)

98126-0697 / 99125-7528

Defumados Arkansas

Paulo - 98267-7242

Pescados do Chico

Francisco - 98530-2510 - Débora - 98637-1169

» Di Pallali Chimias Caseiras

Danielle e Lucas - 98429-7175 / 99859-2787


Viva Bem Produtos Orgânicos

Marinho ou Daniel - 981953874 / (62) 99289-4781

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