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Desastre de Brumadinho reforça protagonismo do Inhotim

Desastre de Brumadinho reforça protagonismo do InhotimFoto: Pedro Motta

Museu de arte contemporânea recebe 350 mil pessoas por ano e estimula cadeia turística na cidade de Brumadinho

Do Destak - 26/02/2019 - 10:13:19

De acordo com o Observatório do Turismo, braço da Secretaria do Estado de Minas Gerais, cerca de 18% do PIB de Brumadinho vem do turismo. Outros 60% do PIB vem da extração de minério realizada pela Vale e outras empresas.

Com o acidente da Vale, a responsabilidade de arrimo municipal recaiu sobre os ombros do Instituto Inhotim, um dos maiores museus de arte contemporânea do mundo. Inaugurado em 2006, o Inhotim é uma âncora em que orbita uma série de negócios que recebem quem vem conhecê-lo.

A importância para a economia da região é vista pelo aumento de leitos na rede hoteleira, que passou de 300, em 2008, para 1300, em 2016, segundo relatório do BID de 2017. De acordo com a prefeitura, entre 2011 e 2014, o número de bares e restaurantes subiu de 56 para 99, de 6 lanchonetes para 14, de 3 padarias para 11, e de 4 mercados de alimentos para 28.

Conversão econômica

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Brumadinho possui a culinária mineira, o Parque Estadual do Rola Moça, fauna, flora, a região da encosta da Serra da Moeda, quilombos e turismo rural com elementos típicos como doces e cachaças. No entanto, Inhotim é o carro-chefe e está entre os dez maiores museus do mundo, ao lado do Louvre, na França, e do Metropolitan, nos EUA, por exemplo. Para se ter ideia, o dado da média de visitantes anuais da prefeitura é o mesmo do Inhotim, 350 mil.


"Há 15 anos, o turismo em Brumadinho se resumia a duas ou três pousadas na região da serra. Com a presença do Inhotim, isso gerou um movimento econômico que só cresceu. O desafio era muito grande antes do dia 25 de janeiro. Depois, retrocedemos alguns degraus em termos de arrecadação das empresas, em visitação, além da tragédia sob o aspecto humano, ambiental e econômico", declarou Lucas Sigefredo, diretor de Jardim Botânico do museu.


Para Sigefredo, o desastre pode decretar o fim de uma atividade na região, o próprio turismo, ou acender uma centelha que acelere a conversão econômica. O minério existe em Brumadinho por causa da Cordilheira do Espinhaço, a única do Brasil. Porém, jazidas se esgotam. "Não assumir esse protagonismo seria deixar o território a própria sorte. Quer destruir Brumadinho? Basta tirar o Inhotim e ela acaba que nem Mariana", opinou Sigefredo.


Cancelamentos

Conforme Elaine de Castro, dona de um hotel em Brumadinho, o turismo sofreu um baque muito grande com o acidente e mesmo com uma indústria turística consolidada, houve um grande número de cancelamento de reservas. "A cidade está com muita dificuldade de se encontrar, a tristeza ainda é muito grande, mas temos que incentivar a matriz turística e redescobrir como trabalhar a confiança dos turistas", disse.


Segundo o guia turístico Junio Cesar, hoje, o turismo é a única esperança da cidade. O maior exemplo disso é Mariana que está sem espinha dorsal econômica desde que a Samarco foi desativada na cidade. "Do ponto de vista econômico, Brumadinho está desestabilizada. Existe sim um desespero entre as pessoas porque existe dependência da mineração e, para piorar, muitas vindas de turistas para o Carnaval foram canceladas até o momento."

‘O Inhotim não tem dívida’

A relevância como pivô econômico traz uma questão importante referente à saúde financeira do museu, cujo proprietário é o empresário do ramo de mineração Bernardo Paz. Em maio de 2018, um termo que estebelece a quitação de dívidas tributárias do empresário no montante de mais de R$ 470 milhões, oriundas dos negócios com a empresa Itaminas, localizada no município de Sarzedo, MG, foi firmado em troca de 20 obras do acervo.

"O Inhotim não tem dívida. O acordo firmado entre Bernardo Paz e o governo de Minas assegura que as obras permaneçam no Museu. Todo acordo foi pensado visando à perenização do Inhotim", informou a assessoria de imprensa.

O Destak também entrou em contato com o presidente da ATBR (Associação de Turismo de Brumadinho e Região), Leonardo Esteves. A Associação reúne 60% dos empreendimentos da cidade e abarca membros da prefeitura e do Instituto Inhotim.


"Sob minha ótica, o episódio com Bernardo Paz não gera a possibilidade de encerramento de atividades porque todas as ações no âmbito da transparência foram tomadas."

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