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Ecad busca harmonia. Por que o Ecad é importante?

Ecad busca harmonia. Por que o Ecad é importante?Foto:

Superintendente da entidade responsável pelos direitos autorais de artistas propõe diálogo com a sociedade a fim de romper a resistência às atividades do escritório. MP do governo isenta hotéis de pagar contribuição

Luiz Calcagno - Correio Braziliense - 02/02/2020 - 08:47:37

Em 2019, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) repassou R$ 986,5 milhões para 383.263 artistas, editoras, gravadoras e associações de música brasileiras. A empresa, sem fins lucrativos, conserva o maior banco de dados musical da América Latina, com 8 milhões de fonogramas e 12 milhões de obras musicais. É sob o peso das cifras que a nova superintendente do órgão, Isabel Amorim, assumiu a direção em novembro do ano passado.

A executiva tem como missão modernizar a entidade, aproximá-la da população e, principalmente, de artistas e do setor de serviços que trabalha com a música. Em entrevista ao Correio, a superintendente pretende intensificar o diálogo com a sociedade, de forma a superar obstáculos que prejudicam toda a cadeia da música. “Se a pessoa entende, ela vê que não somos um custo para o estabelecimento, mas um investimento para os negócios”, defende. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Por que o Ecad é importante?

O Ecad tem uma operação muito complexa. Para transformar a arrecadação em distribuição, há um processo que não é fácil entender. É muito capilar. Temos as mudanças para o streaming, o digital, novos players no mercado. Fazemos a gestão coletiva da música no Brasil. Somos uma empresa privada, sem fins lucrativos, que não tem apoio financeiro do governo, não gera despesa para o contribuinte e movimenta a economia. Sem o Ecad, você não consegue fazer com que uma boa parte das pessoas envolvidas com música vivam. Pense na Ivete (Sangalo) como intérprete. Ela faz um show e ganha um dinheiro. Mas quase ninguém sabe quem é a pessoa autora daquela música famosa na voz da Ivete. E sem o Ecad, essa pessoa não tem com o que viver. Somos o maior banco de dados de música da América Latina. Atendemos 383.263 artistas.

Falta uma ação de conscientização?

Temos uma área de compliance, queremos continuar desenvolvendo isso. É um caminho novo para aproximarmos o Ecad da sociedade, para que entendam melhor o que é o nosso trabalho. O que é o Ecad, o que significa, por que o dono de um bar, ou um produtor de um show, precisa pagar o Ecad. Esse diálogo é muito importante. Se a pessoa entende, ela vê que não somos um custo para o estabelecimento, mas um investimento para os negócios. Se vai ter música ao vivo em um bar, isso vai chamar as pessoas. Você tem números gigantescos de rádios que não pagam o Ecad. Trabalham com música e não pagam direitos autorais. Precisamos que a sociedade entenda que isso não é correto.

Como será a sua gestão?

A minha gestão está baseada em um diálogo muito aberto com a sociedade. Ser uma empresa sustentável, rentável, que olhe para frente, que consiga agir contribuindo para que essa cadeia de música se desenvolva. Gostaria de que as pessoas vissem o Ecad como um facilitador entre a entrada da música (no mercado) e a distribuição (dos rendimentos). Sem fins lucrativos, mas buscando eficiência, melhorar resultados, distribuir música mais rápido e fazer os investimentos digitais necessários.

A Medida Provisória 907/19 extingue a cobrança de taxas em quartos de hotéis. O governo reconhece o Ecad?

Minha intenção não é avaliar o governo. Gostaria muito que o governo entendesse quem somos. O apoio que precisamos é institucional. Ajudamos mais de 383 mil pessoas. Queremos contribuir, trabalhar em parceria, conversar, dialogar abertamente. Trazemos benefícios para a sociedade. Se nos ajudam com a inadimplência, dobramos o faturamento. É uma grande possibilidade de ajudar a música. Essa questão dos hotéis, eles reclamam da cobrança nos quartos. É um assunto que já foi discutido no STJ. A MP do governo vai contra uma decisão do STJ, que diz que o quarto é entendido como lugar público. Isso é cobrado no mundo inteiro. Quando é feita a cobrança, também, é uma tabela cuidadosa. Leva em conta a ocupação por quarto. Sai a R$ 0,40, R$ 0,30 por noite. A música ajuda o turismo. Com o carnaval, festa junina, réveillon. O Lollapalooza ajuda a movimentar a cidade. O Rock in Rio traz ocupação para os hotéis.

Como vê as críticas de artistas e estabelecimentos que reclamam de uma suposta falta de transparência na gestão dos recursos?

O Ecad tem todos os balanços publicados em detalhes no site. O Ecad fica com 10% da arrecadação. Em outros países, esse valor é muito maior, as associações têm o seu percentual. As tabelas também estão no site e podem e devem ser explicadas. Quando você está fazendo um show, por exemplo, a tabela tem como base o percentual de faturamento. Se é academia, é por metros quadrados. TV e rádio, tem uma tabela levando em conta o alcance da audiência. Temos um simulador de cálculo no site. Se simplificarmos esses cálculos, tem alguém que vai pagar muito e alguém que vai pagar pouco pelo mesmo serviço. No caso de hotel, a cobrança é feita com base na distribuição de Rádio e TV ou TV a cabo. Por artista, sabemos o histórico de shows, o que recebeu, onde toca, o que toca, quando toca e quando recebeu com cada rubrica. Sabemos quanto temos de receita no Youtube, Spotify, cada informação. São dados que estão ali, com precisão. Quando temos a entrada do digital, isso gera uma receita que não cobre os custos para atender esse aumento no volume de música. Com o Spotify, há mais fonogramas rodando. Temos que nos estruturar para atender autores e compositores, mas a receita nem sempre é compatível.

Como a sociedade pode se informar?

Estamos abertos para que as pessoas se interessem pelo que nós fazemos. Que nos sigam pela internet, que entrem na nossa página, que as pessoas ligadas a música entendam o nosso trabalho. A nossa mensagem é: venha conhecer o que fazemos e as pessoas que se beneficiam com isso. Vão ficar muito felizes e vão até querer pagar mais.

“Se a pessoa entende (o Ecad), ela vê que não somos um custo para o estabelecimento, mas um investimento para os negócios.

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