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Em Brasília. A boa energia da Asa Norte

Em Brasília. A boa energia da Asa NorteFoto: Correio Braziliense

Parque Olhos D’Água oferece opções variadas para quem quer viver bem e melhor. Da contemplação da natureza à prática de exercícios

Por Renata Nagashima* E Natália Ferreira*- Correio Braziliense - 09/02/2019 - 08:18:36

Um pontinho verde no fim da Asa Norte, o Parque Olhos D’Água é um refúgio da correria do dia a dia. Há árvores e uma lagoa que sugerem um pouco de paz aos que buscam um refúgio natural. A reserva oferece aos visitantes trilhas bem calçadas, relógio do sol e áreas para contemplação, além de servir de palco para diversas atividades culturais, desde espetáculos teatrais e musicais até programações mais alternativas, como encontros de ioga, tai chi chuan ou meditação.

A área arborizada influencia positivamente quem mora próximo à localidade. O aposentado Marcos Pinheiro, 74 anos, não precisa nem sair de casa para apreciar a natureza. “Da janela do meu apartamento, vejo a paisagem. Isso me incentiva a frequentar a área e a permanecer nessa quadra. Moradores das outras áreas da Asa Norte também frequentam aqui. As pessoas são conscientes e conservam o parque”, conta.

Marcos Pinheiro e a família: %u201CNós, moradores, criamos uma 
associação da vizinhança e há anos cuidamos do espaço%u201D
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Marcos Pinheiro e a família: %u201CNós, moradores, criamos uma associação da vizinhança e há anos cuidamos do espaço
Elaine Aparecida: %u201CVenho aqui de três a quatro vezes por semana para tomar sol, praticar ioga e caminhar%u201D (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Elaine Aparecida: Venho aqui de três a quatro vezes por semana para tomar sol, praticar ioga e caminhar

O aposentado relembra os momentos que contribuíram para o desenvolvimento do parque. “Nós, moradores, criamos uma associação da vizinhança e, há anos, cuidamos do espaço. Acompanhamos o progresso, por isso o hábito de vir aqui é tão significativo”, ressalta.

Marcos, acompanhado pelos netos Pedro Afonso, 8, e Arthur Pinheiro, 4, conta que a intenção é de passar esse costume para os pequenos. “Por aqui, circulam pessoas de todas as idades. É possível que todo mundo se divirta junto. Esse parque é aconchegante, muito rico em vegetação e seguro, também. Então, as pessoas sentem-se à vontade e acolhidas.”

Há quem goste tanto do parque que quase diariamente marca presença no local. A servidora pública Elaine Aparecida, 46, mora perto e tem o espaço como opção para quebrar a rotina de trabalho. “Venho aqui de três a quatro vezes por semana para tomar sol, praticar ioga e caminhar. Aqui, tenho contato com a natureza e me sinto segura, pois não passam veículos”, conta.

O administrador do parque, Edeon Vaz, também mora na Asa Norte e reconhece a importância da área para a população. “O parque tem a função de preservar o meio ambiente e integrar as pessoas. Além de incentivar a saúde física, com a disponibilidade de áreas próprias para a prática de exercícios, também é propício para restaurar a saúde mental e cultivar o espiritual. Os frequentadores são respeitosos e não julgam as práticas religiosas feitas aqui”, ressalta.

A famosa Lagoa do Sapo chama a atenção de crianças e adultos. Um espaço de contemplação abastecido por diversas nascentes (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
A famosa Lagoa do Sapo chama a atenção de crianças e adultos. Um espaço de contemplação abastecido por diversas nascentes

Diversidade

Diferenciado pela imensa biodiversidade que abriga, o Olhos D’Água é um parque público, ecológico e de lazer que possui 21 hectares. Queridinho dos moradores da Asa Norte, é possível encontrar peixes, aves, anfíbios, répteis, invertebrados e pequenos mamíferos, além da rica e bela flora. A Lagoa do Sapo chama a atenção de crianças e de adultos que param para contemplar o lago abastecido por diversas nascentes.

Além do amor pela natureza, os três amigos Tatiana Lacerda, 35, Renato Cavalcante, 30, e Diracy Lacerda Cavalcante, 36, têm em comum o desejo de criar os filhos brincando ao ar livre. Durante um piquenique no Parque Olhos D’Água, eles aproveitam para contemplar o espaço e conversar, enquanto os pequenos se divertem.

A revisora de textos Tatiana, atualmente moradora da Asa Sul, conta que conheceu o espaço quando residiu na Asa Norte. Durante esse período, visitava o parque diariamente. Entretanto, por causa da distância, a frequência diminuiu depois que se mudou com o marido. Mas o nascimento da filha, Carolina Lacerda, 10 meses, despertou a necessidade de fazer com que a pequena tivesse contato com a natureza, o que a fez retomar as visitas diárias ao Olhos D’água.

“Eu sempre tive um carinho muito grande por esse parque. E como perto de onde eu moro não encontramos um com a mesma qualidade, opto por sair da Asa Sul para trazer minha filha quase todos os dias. Com certeza, quero passar para a minha filha esse gosto pela natureza. Cresci assim. Quero que ela cresça assim, acostumada com terra. Acho que é muito importante”, destaca Tatiana.

O geólogo Renato Cavalcante, que acompanha a filha Violeta Cavalcante, 1, brincando no parquinho e correndo pelo gramado, não teve dúvidas de onde moraria quando visitou um apartamento na região, próximo à reserva. “Esse parque proporciona uma qualidade de vida inigualável. Sem falar que é um dos mais aconchegantes e faz toda a diferença na região.”

Diracy, mãe do pequeno Davi Cavalcante, 9 meses, sempre morou perto do parque, e afirma não trocar a localização por nada. “Adoro essa região e trago meu filho sempre que possível. O Davi ama. Mesmo quando está cansadinho, ele fica tranquilo e até dorme”, conta.

Melhorias

Apesar dos elogios, a mãe de Caroline, Tatiana, sugere melhorias na infraestrutura do local. “Falta um fraldário para trocar as crianças e banheiro adaptado para a entrada de carrinhos de bebê”, conta. De acordo com o administrador do parque, Edeon Vaz, existe um quarto com balcão de pedra para que os pais troquem os bebês, mas, com a pouca utilização, virou depósito de colchões. “A sugestão é válida e fácil de resolver. Podemos reativar o espaço”, afirma.

Sobre as portas apropriadas para a entrada de cadeirantes e carrinhos de bebês, Edeon confirma que existe a necessidade. “Os banheiros são antigos, por isso não são adaptados para esses grupos de pessoas. Certamente essa demanda será adicionada ao projeto futuro”, conta.


Ronda motorizada

De acordo com o administrador do parque, o local não tem problemas de falta de segurança, mas ela deve ser reforçada mesmo assim. “A Polícia Militar cuida do policiamento, mas o plano é colocar uma ronda motorizada para reforçar o monitoramento. E a abertura do Módulo 2 do parque também está no planejamento

para os próximos meses.

Tatiana Lacerda e familiares: %u201CQuero passar para minha filha esse gosto pela natureza. Cresci assim%u201D (Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Tatiana Lacerda e familiares: Quero passar para minha filha esse gosto pela natureza. Cresci assim%u201D

Linha do tempo

1994

O Parque Olhos D’Água é criado pelo ex-governador Joaquim Roriz, na 413/414 Norte.

1995

Moradores da Asa Norte acionam o Ministério Público para que os terrenos das nascentes da 212/213 Norte recebam a mesma proteção do parque.

2000

A área das nascentes é adquirida por um empresário, por meio de licitação da Terracap.

2009

Moradores da Asa Norte fazem um abaixo-assinado para que a área não seja ocupada por empreendimentos.

2010

O Ministério Público recomenda à Administração Regional de Brasília não emitir alvará para obras.

2011

Moradores da Asa Norte realizam um protesto para barrar futuras obras na área.

2012

A área verde situada na Entrequadra 212/213 Norte passa a fazer parte definitivamente

do parque. Com a inclusão, o Olhos D’Água tem a área expandida em 30%, passando

de 21 para 28 hectares.

2013

O Ministério Público recomenda, por meio de um Termo de Ajuste de Conduta, a adequação da rede

de águas pluviais para que danos ambientais sejam minimizados no córrego da região.

2017

Moradores da Asa Norte reclamam

da falta de instrumentos públicos

para uso da área, como trilhas e ciclovias.

*Estagiárias sob supervisão de José Carlos Vieira

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