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Em Brasília. Dos cinco Centro de Atendimento ao Turista, só um funciona

Em Brasília. Dos cinco Centro de Atendimento ao Turista, só um funcionaFoto: Correio Braziliense

Bares e restaurantes mobilizados

Correio Braziliense - 28/03/2019 - 19:11:08

Em Brasília de cinco Centro de Atendimento ao Turista, só um funciona

O Centro de Atendimento ao Turista da Praça dos Três Poderes é o único em funcionamento: promessa de reabertura de outros três, em abril  (Ed Alves/CB/D.A Press - 18/6/14)
O Centro de Atendimento ao Turista da Praça dos Três Poderes é o único em funcionamento: promessa de reabertura de outros três, em abril


A capital tem cinco Centros de Atendimento ao Turista (CAT). Eles ficam nas asas Sul e Norte, no aeroporto, na Torre de TV Digital e na Casa de Chá (Praça dos Três Poderes). Mas só este último está em funcionamento. Aberto todos os dias, das 8h às 18h, oferece folhetos (em espanhol e inglês) e informações sobre pontos turísticos e restaurantes. Uma equipe fica de prontidão para tirar dúvidas. O CAT da Asa Norte chegou a ser usado como ponto de táxi, mas a gestão atual o recuperou. O do aeroporto está abandonado há quatro anos.

Segundo a secretária de Turismo, Vanessa Mendonça, a ideia é de que até o aniversário de Brasília, em 21 de abril, outros três CATs sejam reinaugurados. “Os centros foram abandonados na gestão passada. Firmamos uma parceria com o Banco de Brasília (BRB) para nos apoiar na reforma e manutenção. Trabalharemos para qualificar melhor os servidores. Tudo para proporcionar um melhor atendimento aos turistas”, afirmou.

Além de servir como apoio aos turistas, a proposta é ampliar os serviços dos CATs. “Pretendemos investir em ações de comercialização. Os artistas daqui poderão expor as próprias obras e, de certa forma, contribuir para a arte brasiliense”, comentou Vanessa Mendonça.

Outra iniciativa prevista pela Setur é um clube de vantagens para o turista. O projeto visa a oferecer descontos em restaurantes, hotéis e atrações de entretenimento. “Selecionaremos uma programação de eventos culturais e esportivos que o visitante poderá consultar em um aplicativo ou pelo nosso site. Lá, ele verá qual a rede aceita o desconto de vantagem”, explicou a secretária de Turismo.


Perfil do turista

No ano passado, a Secretaria de Turismo entrevistou 5 mil turistas adultos que estiveram em Brasília. Confira alguns resultados:

» 3,6% eram estrangeiros. Sendo que 60,6% vieram à capital pela primeira vez. Os três países de origem da maior parte desses turistas: Argentina, Colômbia e Estados Unidos.

» A maioria era homens, entre 25 e 34 anos, com nível superior completo e renda média individual entre R$ 955 e R$ 2.862.

» A maioria viajou só, a trabalho ou a negócios, e usou aplicativos de transporte individual para se locomover.

» A maior parte ficou hospedada em hotéis, gastando uma média de R$ 353,99 por diária.

» Os estrangeiros passam, em média, nove dias na cidade.

» Dos estrangeiros, 80,6% recomendaria Brasília para amigos e familiares

Fonte: Observatório do Turismo do Distrito Federal

Bares e restaurantes mobilizados

O francês Benjamin Busson adorou a arquitetura e a acolhida brasiliense, mas sentiu falta de lixeiras nas ruas (Minervino Junior/CB/D.A Press)
O francês Benjamin Busson adorou a arquitetura e a acolhida brasiliense, mas sentiu falta de lixeiras nas ruas


Os mais de 9 mil bares e restaurantes de Brasília têm adotado medidas para incentivar o turismo na capital, segundo o diretor executivo da Associação de Bares e Restaurantes do Distrito Federal (Abrasel-DF), Fábio Estuqui. Ele diz que, entre as iniciativas a serem tomadas até o segundo semestre, há a distribuição de um guia turístico nos hotéis. O mapa será em inglês. “Reuniremos todos os proprietários dos estabelecimentos para orientá-los sobre a entrega desses informativos”, observou.

A Abrasel-DF não tem dados de quantos funcionários do setor falam mais de um idioma, mas reforça que orienta empresários sobre o processo de seleção. “Nosso objetivo é que haja ao menos um profissional na empresa que fale uma ou outra língua. Isso melhorará a qualidade da recepção ao turista”, frisou Estuqui.

Outro projeto em andamento é a oferta de um curso de capacitação junto ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para funcionários de bares e restaurantes. “Ainda estudamos essa medida, mas o Sebrae está empenhado. Queremos disponibilizar um curso de inglês básico mais para a frente”, acrescentou.

Ainda com a intenção de atrair turistas, a Abrasel-DF incentiva os donos de restaurantes a oferecer pratos promocionais com ingredientes do cerrado. Descontos para estrangeiros também estão nos planos do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Brasília (Sindhobar). Para o presidente da entidade, Jael Antônio da Silva, o acordo com a TAP trouxe otimismo e deve alavancar o setor na capital da República.

“Faremos algumas parcerias para oferecer preços diferenciados e benefícios na rede hoteleira, em restaurantes e bares. A ideia é oferecer um diferencial para que os turistas permaneçam na cidade”, afirmou. “Queremos mudar o turismo no Brasil, e temos de começar pela nossa capital. Será uma ótima oportunidade para mostrar quem é Brasília”, ressaltou Jael Antônio.

O presidente do Sindhobar acredita serem necessários incrementos em outras áreas relacionadas ao turismo. “Esperamos que o governador melhore os CATs, a mobilidade e a atratividade de alguns pontos. É preciso que o governo se mobilize para ajudar o setor produtivo”, ressaltou. Ele acredita que a cidade está preparada para receber gente de fora, pois oferece cerca de 16 mil leitos. “Temos uma capacidade de atendimento muito importante. E a pessoa não precisa ficar restrita ao Plano Piloto. Há atrativos na região do Entorno e em cidades de Goiás para serem explorados”, completou Jael.

Impressões

As construções e a atmosfera são capazes de conquistar quem sequer conhece atrativos brasilienses. É o caso do francês Benjamin Busson, 24 anos. Brasília é a primeira cidade do país que ele conheceu. O assessor jurídico chegou à capital há pouco mais de uma semana e se apaixonou de imediato. “Amei a arquitetura. Alguns amigos até me perguntavam por que eu queria vir para Brasília e me recomendavam outras cidades. Quero conhecer outras, mas voltarei para cá. Aqui, será a minha base”, destacou o turista, que ficará oito meses no Brasil.

A receptividade dos brasilienses foi, inclusive, elogiada. “O acolhimento me chocou. As pessoas foram muito legais. Há um calor humano impressionante”, comentou. Mas ele tem as suas queixas. “É difícil falar sobre coisas negativas com apenas uma semana de chegada, mas senti falta de lixeiras. Às vezes, tenho algum lixo e preciso guardar no bolso até encontrar uma”, completou.

O subsecretário de Planejamento da Secretaria de Mobilidade (Semob), José Soares de Paiva, disse que a pasta se preocupa em melhorar aplicativos como o DF no Ponto. “Trabalhamos na implantação do VLT na W3 Sul e Norte, com um ramal até o aeroporto, que será objeto de uma Parceria Público-Privada (PPP)”, ressaltou. No entanto, não há prazos nem verba garantida para a construção dom VLT.

Em relação à preparação de motoristas e cobradores, José Soares afirmou que programas de incentivo ao aprendizado de novos idiomas dependem da Setur. “A Semob faz um trabalho relacionado às linhas, aos veículos e à documentação dos motoristas. O treinamento e acolhimento de quem chega não são de nossa competência”, esclareceu.

Faltam transporte e qualificação

Na expectativa do início da operação do stopover da TAP, serviço que permite a parada do passageiro sem custo, Brasília tem muito a oferecer ao visitante, mas precisa melhorar diversos pontos, como na mobilidade e no treinamento de quem lida com o turista

» DARCIANNE DIOGO* e JÉSSICA EUFRÁSIO

Torre de TV: visitação está interrompida desde janeiro, quando começou obra para recuperar estrutura, com previsão de terminar em agosto (Ed Alves/CB/D.A Press - 8/2/19)
Torre de TV: visitação está interrompida desde janeiro, quando começou obra para recuperar estrutura, com previsão de terminar em agostO

A partir do mês que vem, quem sair da Europa com destino a Brasília terá aqui um ponto de parada. A proposta de stopover é inédita no Brasil e surgiu de um acordo assinado entre o Governo do Distrito Federal e a TAP. Com isso, os passageiros da empresa aérea portuguesa poderão passar até cinco noites na cidade sem custos adicionais e conhecê-la. Caso façam essa escolha, terão oportunidade de explorar uma cidade além do eixo cívico, da política e dos negócios, que oferece múltiplas experiências.

O gasto médio diário de estrangeiros que visitaram Brasília no ano passado foi de R$ 353,99, de acordo com a Secretaria de Turismo (Setur). Com a novidade da TAP, o GDF espera até 20 mil turistas estrangeiros a mais na capital ainda em 2019. No entanto, para receber essa demanda, há melhorias a fazer. O Correio percorreu diferentes pontos da cidade para fazer um raio-x sobre os problemas do setor e tentar descobrir como pessoas daqui e de fora enxergam o turismo brasiliense.

 (O taxista Claudio Feitosa, que fala inglês e espanhol, é uma exceção entre  os profissionais do setor)

Difícil comunicação

Terceiro maior do país em movimentação internacional de passageiros, o Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek é a porta de entrada dos estrangeiros em Brasília. Em relação à sinalização, o terminal deixa pouco a desejar. No entanto, ele não tem um Centro de Atendimento ao Turista (CAT) e poucas lojas contam com profissionais bilíngues.

Responsável por um restaurante na praça de alimentação, o empresário Pedro Bergamo, 40 anos, tem dois funcionários estrangeiros que o ajudam no atendimento ao cliente estrangeiro, um chefe de cozinha haitiano e um garçom peruano. “Temos cardápio em português, inglês e em braille. Não obrigamos nossa equipe a fazer cursos, mas, quando isso está no currículo deles (dos candidatos a um emprego), incentivamos. Eles devem estar preparados para o básico”, ponderou o empresário.

Jean Toussaint, 36, o haitiano, conta que não enfrentou muitos problemas quando chegou a Brasília por receber apoio da equipe de um projeto vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU). “A maior dificuldade que tive foi para aprender o idioma. Até hoje, me atrapalho um pouco com o português. Mas, em geral, não tenho do que reclamar. Sempre aprendi para tentar ajudar”, conta ele, que consegue se comunicar em cinco línguas.

Diretor de assuntos corporativos do Aeroporto JK, Rogério Coimbra acredita que o acordo da TAP com o GDF vai atrair mais turistas, além de contribuir positivamente para a economia local. “Provaremos que aqui é um destino atrativo para turistas, pois tem muitos locais para passeio e uma ótima gastronomia. Teremos sucesso com esse programa, pois as pessoas funcionam com o boca a boca e promovem a cidade umas com as outras. Quanto mais gente vir, mais gostarão daqui.”

Sem diálogo

Ainda no terminal, turistas que não sabem falar português podem enfrentar dificuldades na hora de pedir um táxi. Dos motoristas disponíveis nas 31 vagas para esse tipo de serviço no terminal, quando a reportagem esteve lá, só um se comunicava em outro idioma. Claudio Feitosa, 61, taxista há 17 anos, conversou em inglês e espanhol com a reportagem. “É o meu diferencial. Conheço apenas uns três ou quatro taxistas que também falam outras línguas. Entre os outros, alguns tentam”, contou.

O motorista trabalha vinculado ao Sindicato dos Permissionários de Táxis e Motoristas Auxiliares (Sinpetaxi). O presidente da entidade, Suéd Silvio, afirma que, dos 7 mil associados, apenas mil falam um segundo idioma, de acordo com levantamento realizado há dois anos. “Estamos avaliando, junto ao Sesc e ao Senac, que promovem o curso de reciclagem de taxistas, para inserir idiomas como opção. Queremos fazer uma reunião com o GDF para cobrar essa matéria”, comentou Suéd.

Para melhorar os serviços, ele conta que pretende fazer uma reunião com a categoria para orientar os profissionais a usar serviços de tradução pelo celular. “Em uma das aplicações, é possível usar o modo conversação. A ferramenta detecta a língua e a converte para o idioma-raiz”, comentou o presidente do Sinpetaxi.

O aeroporto de Brasília também conta com táxis executivos. O sistema é oferecido pela Inframerica, empresa que administra o terminal, e conta com a opção de consulta de preço e pagamento antes da corrida. Os totens disponíveis para pedir um carro, que custam um pouco mais que o táxi comum, podem ser consultados em português, inglês e espanhol. Há quatro vagas para motoristas da empresa no terminal, mas nenhum dos que estava lá quando a reportagem chegou falava outro idioma.

Pouco ônibus

As linhas de ônibus que saem do terminal aéreo para o Plano Piloto se resumem a três. Os coletivos circulam pelos eixinhos L e W sul até a Esplanada dos Ministérios e setores hoteleiros. As saídas são a cada 35 minutos e os pagamentos das passagens, que custam R$ 12, são apenas em dinheiro. O horário de funcionamento é das 6h30 às 23h55.

Além de táxis e ônibus, há o sistema de bicicletas compartilhadas +Bike — oferecido por meio de parceria do GDF com a Serttel — e a recém-chegada Yellow, que inclui patinetes elétricos entre as possibilidades. As duas plataformas são acessíveis por aplicativos para celular e oferecem preços variados. Para quem visita Brasília e deseja conhecer os pontos turísticos da capital, há cinco roteiros criados pela Setur para quem anda a pé ou prefere pedalar, são os Bike Tours e os Walking Tours.

* Estagiária sob a supervisão de Renato Alves

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