×
ContextoExato

Em crise e com impacto da pandemia, Avianca Holdings pede recuperação judicial

Em crise e com impacto da pandemia, Avianca Holdings pede recuperação judicialFoto: Pixabay

Empresa sentiu os efeitos da pandemia do novo coronavírus

Estadão Conteúdo - 11/05/2020 - 06:50:35

Segunda maior companhia aérea da América Latina, empresa havia tentado, sem sucesso, ajuda do governo da Colômbia

Em meio a uma crise que se estende há mais de um ano e com o impacto da paralisação das atividades econômicas em decorrência da pandemia da covid-19, a Avianca Holdings , a segunda maior companhia aérea da América Latina, entrou com pedido de recuperação judicial (Chapter 11) neste domingo, 10. A empresa havia tentado, sem sucesso, uma ajuda financeira do governo da Colômbia. Em processo nos Estados Unidos, a companhia estimou sua dívida entre US $ 1 bilhão e US $ 10 bilhões.

Neste domingo, US$ 65 milhões em dívidas da empresa venciam. Analistas consideravam que a companhia não teria condições de pagar o valor. Dias atrás, a agência classificadora de risco S&P rebaixou a nota da Avianca para CCC-, ou risco substancial de inadimplência.

"A Avianca está enfrentando a crise mais desafiadora em seus cem anos de história", disse o presidente, Anko van der Werff, em comunicado à imprensa. Se não sair da recuperação judicial, a Avianca será uma das primeiras grandes operadoras do mundo a falir como resultado da crise do coronavírus, que resultou em um declínio de 90% nas viagens aéreas globais.

Uma das companhias aéreas mais antigas do mundo, a Avianca não realiza voos regulares de passageiros desde o fim de março. A maioria dos 20 mil funcionários já estava de férias não remunerada. Ainda em nota, a empresa informou que continua discutindo com governos a possibilidade de um apoio financeiro.

A companhia já havia entrado em recuperação judicial no início dos anos 2000, quando foi resgatada pelo boliviano Germán Efromovich , que, ao lado de seu irmão, José, também era dono da Avianca Brasil. Sob o comando de Germán, a Avianca Holdings cresceu de forma agressiva e acumulou dívidas.

Em maio do ano passado, Germán foi afastado da empresa pela United Airlines, apesar de continuar sendo o maior acionista. Isso foi possível porque a United havia feito, em 2018, um empréstimo de US$ 450 milhões para Efromovich que tinha como garantia as ações dele na Avianca. Quando, no primeiro trimestre de 2019, a empresa deu prejuízo de US$ 67,9 milhões e suas ações desvalorizaram, a United ganhou o direito de voto dos papéis de Efromovich no conselho de administração e decidiu por afastá-lo.

Após retirar Germán do comando, a United fez novos aportes na empresa para tentar salvá-la. Roberto Kriete, presidente do conselho da Avianca, já havia dito, no ano passado, em uma reunião com funcionários que a companhia aérea estava "quebrada". Se a Avianca falir, a Untied poderá perder até US$ 700 milhões.

Também no ano passado, os irmãos Efromovich viram a Avianca Brasil entrar em crise. A companhia aérea, que não fazia parte da holding e pagava royalties para usar a marca aqui, havia tentado crescer de forma agressiva e se endividado rapidamente, o que a levou a pedir recuperação judicial. José e Germán Efomovich já estiveram à frente de outros negócios que ruíram no Brasil, como os estaleiros Mauá e Eisa. / REUTERS, COM LUCIANA DYNIEWICZ

Comentários para "Em crise e com impacto da pandemia, Avianca Holdings pede recuperação judicial":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório