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Em evento pró-cloroquina, Bolsonaro diz que jornalista ‘bundão’ tem mais chance de morrer de coronavírus

Em evento pró-cloroquina, Bolsonaro diz que jornalista ‘bundão’ tem mais chance de morrer de coronavírusFoto:

Sem qualquer motivo, Bolsonaro volta a fazer ofensas

Natália Cancian E Ricardo Della Coletta - Folha/ Tribuna Da Internet - 24/08/2020 - 15:33:42

Com mais de 114 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) liderou, nesta segunda-feira (24), um evento no Palácio do Planalto para defender que o Brasil está “vencendo a Covid-19” e para fazer apologia ao tratamento com a hidroxicloroquina — medicamento que não têm tido eficácia comprovada para a doença em estudos recentes e com risco de efeitos colaterais.

No ato, ele voltou a criticar a imprensa e disse que jornalistas, se infectados pelo coronavírus, têm mais chance de morrer por ser “bundão”. O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, não participou da agenda por estar em compromisso no Ceará.

CASO DA GRIPEZINHA – Referindo-se à repercussão negativa de quando disse em março que, por seu “histórico de atleta”, sentiria apenas uma “gripezinha” se infectado pela Covid, Bolsonaro se referiu a jornalistas com a expressão “bundão”.

“O pessoal da imprensa vai para o deboche [na frase do histórico de atleta]. Mas quando [a Covid] pega num bundão de vocês a chance de sobreviver é menor”, afirmou. “[Jornalista] só sabe fazer maldade, usar caneta com maldade em grande parte. Tem exceções, como aqui o Alexandre Garcia. A chance de sobreviver é bem menor do que a minha”, disse, sinalizando o ex-apresentador da TV Globo e hoje defensor do bolsonarismo nas redes e que participou da agenda.

É a segunda vez em 24 horas que Bolsonaro se refere de forma desrespeitosa a jornalistas. No domingo (23), ao ser questionado sobre depósitos de R$ 89 mil feitos pelo ex-assessor Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama, Bolsonaro disse que tinha vontade de encher a cara do repórter com uma porrada.

CRÍTICAS A MANDETTA – O presidente também utilizou seu discurso para criticar seu ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), demitido por discordar do mandatário na condução da resposta do governo diante da pandemia.

Diferenças de opiniões sobre o uso da cloroquina foram uma das motivações da demissão. “Se a hidroxicloroquina não tivesse sido politizada, muito mais vidas poderiam ter sido salvas”, afirmou o presidente, em frase sem embasamento científico. A cerimônia, realizada no principal salão de eventos do Palácio do Planalto, reuniu médicos entusiastas da cloroquina.

Entre os que participaram do evento, estão profissionais que ficaram conhecidos por divulgarem vídeos em defesa da cloroquina — alguns com afirmações refutadas por sociedades de especialistas ou em checagens de projetos como o Comprova.

MÉDICA APOIA – “Com o tratamento precoce, a nossa linda hidroxicloroquina, consegue sim reduzir os danos da Covid-19. Povo brasileiro, não tenha medo dessa medicação”, disse a médica Raíssa Soares, uma das participantes.

Na cerimônia desta segunda, o grupo disse representar “10 mil médicos que ousam pela verdade e pela vida” e em defesa da “linda e velha cloroquina”.

Apesar de dizer que têm evidências que sustentam o uso do medicamento também para a Covid-19, o grupo não apresentou quais seriam esses estudos. “Mesmo que não as tivéssemos, em tempos de pandemia, o médico pode sim fazer uso de medicamentos off label”, disse o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco.

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NOTA DA REDAÇÃO
– Meio estranha essa conversa de “Off Label”. Eu e o Santos Aquino preferimos o Royal Label, o White Label, o Red Label e o Black Label . (C.N.).

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