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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 19 de janeiro de 2022

Entre ameaças e palavrões, vídeo reforça suspeitas

Entre ameaças e palavrões, vídeo reforça suspeitasFoto:

A queda do sigilo da reunião ministerial foi determinada pelo ministro Celso de Mello, do STF

Renato Souza - Correioweb - 23/05/2020 - 09:09:39

Gravação da reunião ministerial de 22 de abril mostra que Bolsonaro insistiu na troca do pessoal da segurança no Rio. Segundo o ex-ministro Moro, ele se referiu à Polícia Federal. Encontro revela enxurrada de disparates de ministros e agressões verbais contra autoridades.

Com a queda no sigilo do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, no Palácio do Planalto, vieram à tona declarações do presidente Jair Bolsonaro que reforçam suspeitas de tentativa de interferência na Polícia Federal. As imagens se juntaram ao inquérito que tramita na Corte para investigar acusações do ex-ministro Sergio Moro e se somam a depoimentos de policiais federais, ministros da área militar do governo e provas que foram apresentadas por testemunhas e colhidas pelos agentes. Ao autorizar a publicação das imagens, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou que o conteúdo poderá ser utilizado para embasar decisões de colegas de plenário, em caso do avanço da ação até o julgamento.

Em um dos trechos da gravação, Bolsonaro citou a Polícia Federal e falou em “trocar o pessoal da segurança no Rio de Janeiro”. De acordo com Sergio Moro, foi neste momento que ficou evidente o interesse do chefe do Executivo em interferir na corporação para proteger familiares e aliados. O comandante do Planalto, por sua vez, alega que se referia à sua segurança pessoal.

Bolsonaro afirmou que todos os ministros precisam estar alinhados com ele, como no armamento da população, que, conforme frisou, servirá para impedir que “o Brasil vire uma ditadura”. O presidente mencionou que pretendia interferir em todos os ministérios, se fosse preciso.

O presidente reclamou do sistema de segurança, que, de acordo com ele, não passa informações suficientes. Mas citou um serviço de inteligência pessoal, sem dar mais detalhes. “O meu particular funciona. O que tem oficialmente, desinforma. Prefiro não ter informação do que ser desinformado por sistema de informações que eu tenho”, completou. Entre palavrões e ataques, Bolsonaro criticou governadores, como os do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e de São Paulo, João Doria.

Celso de Mello deve determinar novas diligências na próxima semana. Na terça-feira, será ouvido novamente o empresário Paulo Marinho, que acusa o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) de ter recebido informações vazadas da Operação Furna da Onça.

Reunião bombástica

Veja trechos das declarações feitas no encontro ministerial e as reações que causaram

Bateu...

“Eu não vou esperar f. a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final! Não estamos aqui pra brincadeira”

“O que esses caras fizeram com o vírus, esse bosta desse governador de São Paulo, esse estrume do Rio de Janeiro, entre outros, é exatamente isso. Aproveitaram o vírus”

“Eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção. Nos bancos, eu falo com o Paulo Guedes, se tiver que interferir. (…) Agora, os demais, vou! Eu não posso ser surpreendido com notícias. Pô, eu tenho a PF que não me dá informações”

Jair Bolsonaro, presidente

“Por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando no STF”

Abraham Weintraub, ministro da Educação

“Precisa ter um esforço nosso aqui enquanto estamos neste momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só se fala de covid, e ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas”

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente

“Nós estamos fazendo um enfrentamento, mais de cinco procedimentos o nosso ministério já tomou iniciativa, e nós estamos pedindo inclusive a prisão de alguns governadores”

Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

“O senhor já notou que o BNDES e a Caixa, que são nossos, públicos, a gente faz o que a gente quer. Banco do Brasil, a gente não consegue fazer nada, e tem um liberal lá. Então, tem que vender essa p. logo”

Paulo Guedes, ministro da Economia

… Levou

“O Brasil está atônito com o nível da reunião ministerial. Palavrões, ofensas e ataques a governadores, prefeitos, parlamentares e ministros do Supremo demonstram descaso com a democracia, desprezo pela nação e agressões à institucionalidade da Presidência da República”

João Doria, governador de São Paulo

“A falta de respeito de Bolsonaro pelos poderes atinge a honra de todos. Sinto na pele seu desapreço pela independência dos poderes. E espero que num futuro breve o povo brasileiro entenda que, do que ele me chama, é essencialmente como ele próprio se vê”

Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro

“Na forma e no conteúdo, a tal reunião ministerial revela um repertório inacreditável de crimes, quebras de decoro e infrações administrativas. Além de uma imensa desmoralização e perda de legitimidade desse tipo de gente no comando da nossa nação”

Flávio Dino, governador do Maranhão

“A decisão (de Celso de Mello) possibilita às autoridades e à sociedade civil constatar a veracidade das afirmações do ex-ministro em seu pronunciamento de saída do governo e em seu depoimento à Polícia Federal”

Trecho de nota da defesa do ex-ministro Sergio Moro

“A reunião ministerial do dia 22 de abril ficará marcada como um dos momentos mais baixos e deprimentes da história recente brasileira. Nenhum apego à liturgia do cargo, linguagem chula, ameaças gratuitas. Em alguns momentos parecia mais uma reunião de uma gangue armamentista”

PSDB, em nota

“A reunião ministerial revela o baixo nível dos integrantes do atual governo. Como bárbaros, jogam a República no caos, desrespeitam as leis, as instituições e ignoram a Constituição. (…) Ademais, indica a tentativa de formação de milícias em defesa de um projeto antinacional e antidemocrático”

Bancadas na Câmara — PT, PCdoB, PSol, PSB, PDT e Rede

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