×
ContextoExato

Espaço em Brasilia para as músicas inusitadas

Espaço em Brasilia para as músicas inusitadasFoto:

Ritmos experimentais ganham vez em casas que abrem as portas para sonoridades fora do comum.

Robson G. Rodrigues* - Correio Braziliense - 05/01/2019 - 20:37:12

Além de receber grupos que ecoam gêneros tradicionais, casas de shows em Brasília abrem as portas para bandas de música experimental. O consenso entre os artistas de ritmos menos convencionais é que esses espaços são escassos. Apesar de o apelo do gênero não ser exatamente popular — em parte, graças a frequentes dissonâncias rítmicas e ausência de vocais —, esses locais não deixam de lotar, agradando a um nicho brasiliense que gosta de explorar sonoridades inusitadas.

A inventividade é fundamental para músicos do gênero, que está diretamente ligada à vanguarda. O termo é abrangente. Música experimental, tal como o nome sugere, é baseada em experiências sonoras. Um dos expoentes é o jazzista americano Ornette Coleman (1930 — 2015), grande referência do free-jazz (jazz livre), muito lembrado pela improvisação e imprevisibilidade.

Em Brasília, o jovem grupo Jota Dale Combo abraça o gênero. Apesar de os membros estarem na estrada há mais tempo, a formação do Jota Dale se apresenta ao vivo há pouco mais de um mês, contrariando a ideia inicial de apenas lançar discos. A distância inicial dos palcos, explica o guitarrista e líder Jota Dale, foi por acreditar que o público brasiliense não está interessado no tipo de música que eles fazem.

“Depois, me animei, pensando em levar à Europa. Lá, a receptividade é muito melhor. As pessoas gostam, têm interesse. É outra aceitação”, diz o músico, para quem são raros os lugares que ajudam a impulsionar a música experimental. Além de Jota Dale, estão no grupo Gabriela Aila (teclado), Thiago Cunha (bateria) e Munha da 7 (baixo) — que também é líder do excêntrico Satanique Samba Trio.

 (Arquivo Pessoal)  

Espaço N.27

Jota Dale Combo lançou o primeiro disco, Exú (disponível em plataformas de streaming), no Espaço N.27. Inicialmente pensado como um coletivo de arquitetura, o espaço não demorou a caminhar por novos rumos de empreendimento. Passou a trabalhar com fotografia e teatro, até assumir de vez a faceta cultural.

A proposta ali é promover a cultura local. Há cerca de um ano, recebe grupos musicais independentes ou não, entre eles, aqueles autorais e voltados à experimentação. “Vem aqui banda com um som mais peculiar, mais erudito. Tem grande demanda para isso, o pessoal que não dá oportunidade”, opina o sócio do lugar, Marcos Delgado. Segundo ele, a maior parte do público conhece de antemão as bandas, mas tem gente que vai lá para conhecer novos nomes — e confia na programação.

 (Reprodução/Facebook)  

Eye Patch Panda

Uma pequena porta, curiosamente situada entre uma igreja evangélica e um centro espírita na W3 Norte, abre-se para um espaço boêmio onde diversos grupos se apresentam. O Eye Patch Panda, inaugurado dois anos atrás, simula o conforto de uma casa comum “com uma cara mais urbana”, explica o dono Flávio Dreer, 37 anos, também conhecido como Flávio Panda.

“Não queríamos mesas tradicionais de pubs e, sim, móveis que podem ser trocados de lugar. Isso dá uma coisa orgânica para o espaço”, conta Panda. O ambiente alternativo e estreito comporta instrumentos espaçosos, como contrabaixos e baterias.

A casa conta com programação musical que passeia entre standards e sons mais experimentais. “Tem jazz mais clássicos e aqueles com mais harmonias, mais inusitados”, afirma Flávio. Para ele, jazz experimental não é para público restrito: “É para todo mundo, para quem quer coisa diferente, sair da rotina, sempre é válida a experiência.”

 (Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press - 2/2/17)  

Zepelim

A hamburgueria artesanal Zepelim fornece bem mais do que sanduíches. “Apresentam-se aqui principalmente grupos de rock, blues, jazz, mas também vêm cantores de MPB, autores lançando livros, palestrantes. É bastante ampla, bem cosmopolita a programação”, explica o proprietário Guilherme Costa.

O estabelecimento com ares de pub recebeu mais de 500 apresentações artísticas desde que abriu, dois anos atrás. O fato de grupos de músicas experimentais terem menos apelo ao grande público não assusta Guilherme. “Não é o foco comercial, mas nosso objetivo é que esteja sempre cheio. E isso depende, da divulgação das bandas, que deixamos livres para fazerem como preferirem”, conta.

*Estagiário sob a supervisão de Vinicius Nader

Eye Patch Panda

(514 Sul Bl. A lj 16; Asa Sul). De quinta a sábado. A partir das 20h.

N.27

(713 Norte Bl. C lj. 27; Asa Norte). Fechado temporariamente para reformas.

Zepelim

(QE 40, rua 11, lt 7, Guará). De terça a domingo. A partir das 19h.

Comentários para "Espaço em Brasilia para as músicas inusitadas":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório