×
ContextoExato

Contexto Exato

Brasil - Brasília - Distrito Federal - 18 de janeiro de 2022

EUA diz que não dificultaram envio de insumos para o Brasil

EUA diz que não dificultaram envio de insumos para o BrasilFoto: U.S. Department of State

País não comprou material produzido na China e destinado ao Brasil

Por Pedro Peduzzi - Agência Brasil - Brasília - 07/04/2020 - 18:07:58

O novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, negou hoje (7), em entrevista coletiva online , que seu país tenha adquirido, comprado, retido ou bloqueado qualquer equipamento hospitalar ou medicação destinada ao Brasil para combate ao novo coronavírus (covid-19).

Segundo Chapman, tais informações são “notícias ruins” divulgadas por pessoas que querem avançar com suas “agendas pessoais ou de governo”; ou mesmo de “muitos comerciantes que querem vender para lá e para cá” na busca por lucros cada vez maiores.

“Nossos oficiais de Justiça já estão trabalhando contra isso, porque nossa lei não permite esse tipo de prática, visando [estabelecer] preços supervalorizados”, disse o embaixador.

“O governo dos EUA não comprou nenhum material médico fabricado na China e destinado ao Brasil”, disse. “E, durante essa emergência de saúde, é muito importante cuidar das informações e saber de onde elas vêm”, acrescentou.

Com relação a denúncias públicas feitas por governadores de que seu país teria bloqueado remédios e equipamentos que teriam como destino as regiões Norte e Nordeste, Champman pediu que essas informações sejam repassadas a seu governo para que sejam investigadas.

“Os governadores podem nos passar informações para que investiguemos. Já o fizemos e vimos que não está acontecendo. Havendo qualquer preocupação, podem nos contatar. Repito: não estamos bloqueando essas coisas. Isso, no entanto, não significa que não haja pessoas dizendo que isso está acontecendo”.

China

Perguntado sobre se, do ponto de vista do governo norte-americano, a China estaria tentando ganhar influência geopolítica ao oferecer materiais a outros países, para o combate ao novo vírus, Chapman evitou polemizar e disse que o momento é de todos trabalharem em conjunto.

“Quando se está em um bairro em chamas e as casas estão em chamas, não é o momento de debater e usar argumentos para ganhar ponto. Não é momento de discutir sobre onde o fogo começou. Isso nós já sabemos. É fato. O importante é controlar e extinguir o fogo. Por isso vamos trabalhar todos para extinguir essa doença”.

Parceria histórica na saúde

Na conversa com os jornalistas, o embaixador destacou a “longa e produtiva história” que Brasil e EUA têm na área da saúde, o que viabilizou a instalação de escritório de controle de doenças há pelo menos uma década, bem como trabalhos conjuntos relacionados a outros vírus, como o Zika e o HIV.

“Pontualmente, estamos compartilhando muita informação, sobre o que estamos vendo e estudando [sobre a doença] nos EUA. Além disso, nosso setor privado está entrando em ação em vários setores, já presentes aqui. Fiz videoconferências com essas empresas. Algumas estão reparando respiradores, abrindo informações, aumentando a produção de máscaras. O setor privado norte-americano que já está há muito [atuando] no Brasil”, disse o embaixador.

Ele destascou também a linha de swap [medida que envolve câmbio de moedas com o objetivo de dar estabilidade a elas] anunciada recentemente pelo Federal Reserve, de US$ 60 bilhões para ajudar o Brasil a tranquilizar seu mercado.

Prioridades na relação com o Brasil

Recém-chegado para desempenhar a função de embaixador dos EUA no Brasil, Chapman disse que terá três prioridades. “A primeira envolve economia, comércio e investimentos. Isso vai ser ainda mais importante após sairmos dessa crise. Em segundo lugar está a área de segurança. Não só militar, mas também policial, fazendo tudo para a segurança de nossos povos, de forma a nos proteger de inimigos como terroristas e traficantes”, disse.

“Em terceiro lugar estão os temas globais aos quais Brasil e EUA têm sintonia, como democracia, liberdade de expressão, liberdade religiosa”, acrescentou, ao se classificar como um tipo de embaixador que vai além de recepções “para arregaçar as mangas e trabalhar com o povo e com os ministros brasileiros, para o bem do Brasil e dos EUA, porque quando nossos amigos estão seguros, os EUA também estão”.

Internet 5G

Sobre a implementação da quinta geração da internet (5G), tema que abrange disputas dos EUA com a China e com alguns países europeus, Chapman disse tratar-se de um “assunto complicado” e que “ cada nação tem de trabalhar para seus interesses e benefícios”.

“Acho que toda nação tem de avaliar exatamente como vai fazer sua politica exterior, nas questões comerciais e de segurança”, afirmou. “É evidente que não estejamos sempre de acordo com tudo, seja com a China ou com outro país. Agora, isso é um fato: muitos países autoritários, comunistas e de ditaduras não praticam os mesmos princípios. Isso não significa que não possamos ter relações construtivas.”

“É assim que o presidente Donald Trump está manejando com a China e com outros países, visando uma relação prática e recíproca. Vamos conversar sobre 5G e muitos temas, com relação a privacidade, setor privado, controle de governo”, acrescentou.

Chapman alertou ser importante que regras e normas sejam seguidas, de forma a trabalhar as questões seguindo os acordos já feitos.

“É como chegar no campo de futebol sem jogar com as regras do futebol brasileiro, mas com as do futebol americano, que é bem diferente. Nós, jogando com as regras do futebol americano, ganharemos sempre da Seleção Brasileira, mas isso não é justo, porque estamos jogando com regras diferentes”, argumentou ao defender a reciprocidade entre os países.

Relação bilateral

Para o embaixador Chapman, o atual momento representa uma “oportunidade na relação bilateral” entre os Brasil e Estados Unidos. “É momento para uma visão mais ampla e agressiva de como os dois países devem atuar para fazer com que a aliança cresça. Nossas economias podem fazer muito mais juntas.”

Ele lembrou que muitas empresas norte-americanas continuam investindo no Brasil. “Há empresas que estão aqui há mais de 100 anos”, disse ao ressaltar que, por já ter trabalhado com empresas e com o sistema financeiro, tem “facilidade” para atrair para o país o interesse de investidores de bolsas como a de Wall Street. “Tenho falado muito com eles, e criado muitas possibilidades de as empresas virem para o Brasil”.

Chapman afirmou que, recentemente, em Washington, algumas medidas já firmadas facilitarão financiamentos na infraestrutura brasileira. “Nosso banco de financiamento pode se juntar ao BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] para fazer isso. Estamos ainda em uma fase inicial, mas vamos trabalhar para agilizar o investimento privado.”

Voos entre Brasil e EUA

Chapman disse que, entre os motivos de os Estados Unidos manterem os 16 voos semanais com o Brasil, está a preocupação de seu país com os 260 mil norte-americanos que vivem permanentemente no Brasil, mas que o bloqueio de voos é algo que “sempre será analisado” por seu governo. “Vamos conversar, tanto para proteger nosso país como para o Brasil proteger o seu”, disse.

Embaixador

O embaixador Todd Chapman chegou ao Brasil no dia 29 de março. Antes, serviu no Equador, de 2016 a 2019.

De acordo com a embaixada dos EUA no Brasil, ele foi vice-secretário adjunto principal para Assuntos Políticos e Militares no Departamento de Estado (2014-2016); vice-chefe de Missão na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília (2011-2014); coordenador adjunto sênior para Assuntos Econômicos da Embaixada dos Estados Unidos em Cabul, Afeganistão (2010-2011) e encarregado de negócios na Embaixada dos Estados Unidos em Maputo, Moçambique (2007-2010). Também serviu na Bolívia, Costa Rica, Nigéria e Taiwan, além de ter ocupado diversos cargos no Departamento de Estado em Washington.

Chapman é formado em História pela Universidade de Duke (1983) e concluiu em 2000 um mestrado em Inteligência Estratégica na Escola Nacional de Inteligência.

Edição: Maria Claudia

Comentários para "EUA diz que não dificultaram envio de insumos para o Brasil":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório
No Fórum Econômico Mundial, Guterres aponta prioridades para retomada econômica

No Fórum Econômico Mundial, Guterres aponta prioridades para retomada econômica

Bandeiras no encontro anual do Fórum Econômico Mundial

No Vaticano, papa Francisco diz rezar por vítimas das chuvas no Brasil

No Vaticano, papa Francisco diz rezar por vítimas das chuvas no Brasil

Ele falou após a oração do Angelus, na Praça de São Pedro

Ex-primeiro-ministro de Israel, Netanyahu negocia acordo em processo de corrupção

Ex-primeiro-ministro de Israel, Netanyahu negocia acordo em processo de corrupção

Bolsonaro chega a Israel e defende parcerias em segurança e defesa

Ao recusar ir à posse de Boric no Chile, Bolsonaro impulsiona política que isola o Brasil

Ao recusar ir à posse de Boric no Chile, Bolsonaro impulsiona política que isola o Brasil

Ao fazer constantes declarações demonstrando seu posicionamento pessoal diante de líderes latino-americanos, Bolsonaro cria graves consequências para política externa brasileira. A Sputnik Brasil ouviu analista para entender por que o governo opta por um comportamento não diplomático

'Instabilidade do Mercosul citada por Bolsonaro foi criada por sua própria gestão', diz especialista

'Instabilidade do Mercosul citada por Bolsonaro foi criada por sua própria gestão', diz especialista

Presidente voltou a fazer comentários sobre o Mercosul dizendo que se o Brasil "estivesse livre do bloco" seria melhor, e apontou que a organização sofre "instabilidades". A Sputnik Brasil entrevistou analista para saber até que ponto os argumentos do presidente procedem com a realidade mercosulina.

Empresário de moda costura tecido da paz no nordeste da República Democrática do Congo repleto de violência

Empresário de moda costura tecido da paz no nordeste da República Democrática do Congo repleto de violência

Com uma nova coleção chegando a cada semana para a linha de roupas, Muhindo conseguiu lançar vários desfiles de moda locais.

Omã é o destino do programa “Anthony Bourdain, lugares desconhecidos”

Omã é o destino do programa “Anthony Bourdain, lugares desconhecidos”

O episódio deste domingo (09,01) apresenta detalhes surpreendentes sobre história, cheiros e sabores do antigo império do Oceano Índico

Morre Sidney Poitier, 1º negro a ganhar Oscar de melhor ator

Morre Sidney Poitier, 1º negro a ganhar Oscar de melhor ator

Ele inspirou geração durante movimento pelos direitos civis

Nos EUA, Biden eleva tom e vai culpar Trump e aliados por invasão do Capitólio

Nos EUA, Biden eleva tom e vai culpar Trump e aliados por invasão do Capitólio

Até agora o governo, inclusive o próprio Biden, costumava evitar nomear Trump, referindo-se a ele como "o outro cara" ou "o cara de antes".

Procuradora que investiga Organização Trump intima filhos do ex-presidente

Procuradora que investiga Organização Trump intima filhos do ex-presidente

O esforço da procuradora-geral para entrevistar Trump sob juramento tornou-se público no mês passado, mas não se sabia antes que seu gabinete também procurava questionar Donald Trump Jr. e Ivanka Trump.

Potências assinam nota conjunta contra guerra nuclear

Potências assinam nota conjunta contra guerra nuclear

Países dizem que ninguém pode vencer uma guerra nuclear