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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 19 de janeiro de 2022

Ex-presidente do Iphan diz que foi demitida por causa de empresário

Ex-presidente do Iphan diz que foi demitida por causa de empresárioFoto:

Kátia Bogéa afirmou que Luciano Hang e Flávio Bolsonaro foram responsáveis pela dispensa dela do órgão

Sarah Teófilo - Correioweb - 26/05/2020 - 11:10:40

A ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Kátia Bogéa disse ter sido demitida da chefia da instituição após pressões do dono das lojas Havan, Luciano Hang, e do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Na reunião ministerial de 22 de abril, cujo vídeo foi divulgado após autorização do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), o chefe do Executivo comenta sobre o Iphan e o empresário.

“Eu fiz a c. em escolher... não escolher uma pessoa que tivesse também outro perfil. É uma excelente pessoa que tá lá. Mas tinha que ter um outro perfil também. O Iphan para qualquer obra do Brasil, como para a do Luciano Hang. Encontra lá um cocô petrificado de índio: para a obra, pô! Para a obra. O que que tem de fazer? Alguém do Iphan que resolva o assunto, né? E assim nós temos que proceder”, esbravejou.

Em agosto do ano passado, Hang gravou e divulgou um vídeo nas redes sociais, reclamando que a obra de uma loja Havan no Rio Grande do Sul estava paralisada porque o Iphan encontrou “fragmentos de pratos”. No local, segundo Kátia Bogéa, foram achadas cerâmicas, vestígios arqueológicos de civilizações passadas. Na época, o próprio Iphan divulgou nota dizendo que a paralisação foi recomendada pela empresa de consultoria em arqueologia contratada pela própria Havan.

“Quem paralisou a obra foi o próprio arqueólogo da empresa de arqueologia que ele contratou para acompanhar a obra. O vídeo foi mentiroso, ele vendeu essa mentira para o presidente, e o presidente comprou essa mentira dele. Aí, a imagem que o presidente formou na cabeça dele do que seria o Iphan: seria de um órgão que estava ali para paralisar obras, impedir o desenvolvimento”, disse Kátia.

Depois disso, ocorreu outro fato que contribuiu para a demissão, segundo Kátia. Em dezembro, Flávio participou de um encontro na Bahia com representantes do setor imobiliário. Na época, ela foi informada que empresários reclamaram de sua atuação ao senador, citando especificamente uma portaria publicada dias antes. E menos de uma semana depois do encontro, Kátia foi dispensada.

Ela afirmou que ficou sabendo da sua exoneração pelo Diário Oficial da União. No dia 11 deste mês, 19 dias depois da reunião ministerial cujo conteúdo foi divulgado na última sexta-feira, o governo nomeou para o cargo a servidora do Ministério do Turismo Larissa Peixoto Dutra. Ela é criticada por funcionários por causa da falta de experiência.

Em vídeo divulgado no Facebook ontem, Hang afirmou que nunca ligou ao presidente para falar sobre a obra. “Ele deve ter visto nas minhas redes sociais, porque (quando) eu tenho um problema, eu me visto de capitão Brasil, vou lá, esculhambo com a cidade, com o órgão, falo dos dias que tem problema”, disse. Procurada, a assessoria de Flávio não deu resposta até o fechamento desta edição.

Edifício em Salvador

A portaria trazia diretrizes e critérios para intervenção na área do entorno dos conjuntos e bens tombados na região da Barra, em Salvador, após a polêmica com o edifício La Vue, que envolveram Geddel Vieira, ministro da Secretaria de Governo na gestão de Michel Temer. Na época, o então ministro da Cultura, Marcelo Calero (Cidadania-RJ), pediu demissão dizendo que tinha sofrido pressão de Geddel para que o empreendimento fosse liberado pelo Iphan. O ex-ministro negou.

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