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Fado popular em Goa reforça promoção da língua e cultura portuguesas

Fado popular em Goa reforça promoção da língua e cultura portuguesasFoto: Pública

O fado troca o ambiente boémio da Lisboa de outras eras, hoje cosmopolita, pelas noites tropicais da Goa multicultura

Diário De Noticias - 11/03/2019 - 19:17:35

O fado troca o ambiente boémio da Lisboa de outras eras, hoje cosmopolita, pelas noites tropicais da Goa multicultural, dos barcos a abarrotar de turistas no rio Mandovi, onde alguns milhares de pessoas falam ainda a língua de Camões, Pessoa, Torga, Sofia, Florbela, Jorge de Sena e Saramago.

Como intérpretes locais do género musical que consagrou Amália Rodrigues a nível mundial, destacam-se atualmente nomes como Sónia Shirsat e Nádia Rebelo, entre diversos jovens cujo talento é reconhecido na antiga Índia Portuguesa.

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"A história do fado em Goa remonta há mais de um século e nos últimos anos tem vindo a ganhar de novo enorme popularidade", afirma à agência Lusa Delfim Correia da Silva, leitor do Camões -- Instituto da Cooperação e da Língua na Universidade de Goa (UG), na capital.

Capital do menor estado indiano em território, também o mais rico em produto interno bruto (PIB) per capita, Pangim acolhe desde 2013, por proposta daquele responsável, o Concurso de Fado no âmbito da Semana da Cultura Indo-Portuguesa, apoiada pelo Camões, Consulado Geral de Portugal e Fundação Oriente.

Sónia Shirsat, de 38 anos, "é a principal intérprete de fado e uma das mais dinâmicas na sua promoção, existindo outras jovens que podem a breve trecho seguir-lhe as pisadas", salienta Delfim Silva.

É o caso de Nádia Rebelo, de 22 anos, que obteve o mestrado em Estudos Portugueses na UG, e que em 2018 frequentou um curso de verão em Portugal, na Universidade de Aveiro, com uma bolsa de estudo do instituto Camões.

A atuação de Cuca Roseta, em 2014, no encerramento do I Concurso de Fado, na Kala Academy, e depois no restaurante Alfama, no Hotel Cidade de Goa, "revelou-se decisiva para impulsionar o projeto de revitalizar o fado", segundo Delfim Silva.

"Se jovens talentos do fado não faltam, músicos, embora em menor número, também não", refere.

Orlando de Noronha e Franz Schubert Cotta são dois executantes da guitarra portuguesa, que acompanham Sónia e Nádia, respetivamente, aos quais costumam juntar-se Allen de Abreu, Carlos Menezes, Reiniel Costa Martins e Siddarth Cotta, entre outros.

"As artes performativas e o canto em particular permitem otimizar as estratégias de aperfeiçoamento das competências da compreensão do oral e da interação e expressão oral, na aprendizagem do Português como língua estrangeira (PLE)", explica o representante do Camões.

Nos colégios de Goa, aliás, o bacharelato em Artes inclui uma disciplina designada "Reading, listening and signing the fado ("Ler, ouvir e assinar o fado").

"O fado tem sido gradualmente integrado nos programas de Estudos Portugueses. Primeiro de forma experimental, como estratégia didática para desenvolver as competências linguísticas e comunicativas no contexto do ensino e aprendizagem do PLE", sublinha.

Sónia Shirsat, já com estatuto internacional, cantou fado pela primeira vez "sem praticamente saber falar português", em 2003.

Criado em 2015 pelo Taj Group of Hotels, um dos principais patrocinadores do Concurso de Fado, em 2016 e 2017, o projeto "Fado de Goa" tornou-se "decisivo para manter e aumentar a popularidade" na região, de acordo com Delfim Silva.

No âmbito do projeto, realizaram-se concertos e outras ações de promoção do fado, nalguns casos sob orientação de Sónia Shirsat.

Há vários anos, "o fado tem também o seu espaço de divulgação" no restaurante Alfama, com um jantar concerto mensal, realça o professor.

Em dezembro, a Companhia de Teatro da Universidade de Goa foi duplamente premiada no Midas Trophy 2018, em Pune, estado de Maharashtra, "em grande medida devido à magistral interpretação de trechos" de "Chuva" e "Fado Português", imortalizados por Mariza e Amália, numa adaptação do "Auto da Índia", de Gil Vicente.

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