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Brasil - Brasília - Distrito Federal - 17 de novembro de 2018


FAO: “desigualdade aumenta fome, desnutrição e obesidade na América Latina e Caribe”

FAO: “desigualdade aumenta fome, desnutrição e obesidade na América Latina e Caribe”

Obesidade é agora uma das maiores ameaças nutricionais na região.

Da Assessoria De Comunicação / Da Onu News / Foto: Faoalc / Divulgação / Onu News - 09/11/2018 - 11:01:46

Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional aponta obesidade como uma das maiores ameaças regionais; mais de 22% da população brasileira é obesa; subnutrição cresceu na Argentina, Bolívia e Venezuela.

A desigualdade aumenta a fome, a desnutrição e a obesidade na América Latina e no Caribe, segundo o Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional.

O relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, indica que a condição é agora uma das maiores ameaças nutricionais na região afetando cerca de um entre cada quatro dos adultos.

Obesidade
Todos os anos, mais 3,6 milhões de pessoas se tornam obesas na região. Atualmente, 250 milhões de pessoas apresentam sobrepeso.

Em entrevista exclusiva à ONU News, a presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa, disse acreditar que “a obesidade é um problema mundial de excessos sobre o consumo e da falta de medidas de redistribuição dos alimentos.”

Para Espinosa “não existe falta de alimentos no mundo, mas sim a falta de acesso aos alimentos nas zonas mais pobres do planeta.”

Entre crianças com menos de cinco anos de idade na América Latina e Caribe, 3,9 milhões delas vivem com sobrepeso. Este número equivale a 7,3% desses menores, taxa maior do que a média mundial de 5,6%.

Desigualdade
No Brasil, 6,6% da população com mais de 18 anos apresentava obesidade em 1980. Em 2016, este número passou para 22,1%, sendo que as mulheres sofrem mais com o problema do que os homens.

Já a fome afeta 39,3 milhões de pessoas, o que corresponde a 6,1% da população da região.  O relatório da FAO destaca a relação entre desigualdades econômicas e sociais e os altos níveis de fome, da obesidade e das populações mais vulneráveis.

Falando à ONU News, em Nova Iorque, o diretor geral da FAO, José Graziano da Silva, disse que a obesidade e a fome são duas faces da mesma moeda: a má alimentação.

“A má alimentação tem tudo a ver com a mudança de hábitos alimentares, onde nós passamos a consumir cada vez mais produtos preparados com alto teor de açúcar, de sal, de ácidos graxos, de aditivos químicos, como comida industrializada ao invés de assentarmos a alimentação nos produtos locais, frescos, frutas, verduras, legumes, ovos, leite.”

De acordo com o estudo da FAO, a fome, a desnutrição, a falta de micronutrientes, o sobrepeso e a obesidade têm impacto maior na vida das pessoas de baixa renda, mulheres, povos indígenas, afrodescendentes e famílias rurais na América Latina e Caribe. Uma em cada dez crianças com menos de cinco anos tem atraso no crescimento.

Subnutrição
Dados do estudo mostram que na América Latina, 8,4% das mulheres sofrem com a insegurança alimentar severa, comparado com 6,9% dos homens.

Entre 2015 e 2016, o número de pessoas subnutridas aumentou em 200 mil. Entre 2016 e 2017, foram registradas mais 400 mil pessoas com o problema. De acordo com a FAO, isso mostra a velocidade da piora da situação.

Desde 2014, Argentina, Bolívia e Venezuela tiveram um aumento de subnutridos. O crescimento mais elevado foi na Venezuela, país com onde mais pessoas enfrentam o problema na região. Depois está o Haiti, seguido do México.

Outros 11 países, incluindo Chile, Costa Rica, Peru e Panamá, mantiveram os níveis. Já o Brasil, Cuba e Uruguai têm a taxa de subnutrição abaixo de 2,5% da população.

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