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Forças Armadas do Brasil vão investir R$ 10 mi em atletas de alto rendimento em 2019

Forças Armadas do Brasil vão investir R$ 10 mi em atletas de alto rendimento em 2019Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

Valor, que significa 25% a mais do que foi investido em 2018, representa exceção em cenário de crise.

Estadão Conteúdo - 29/01/2019 - 08:09:21

Em 2019, o Ministério da Defesa vai investir R$ 10 milhões no Programa de Atletas de Alto Rendimento (PAAR), desenvolvido em parceria com o Ministério do Esporte, hoje transformado em secretaria especial. O valor significa um aumento de 25% em relação ao ano passado, quando foram destinados R$ 8 milhões para a preparação, treinamento e participação dos atletas de elite em disputas nacionais e internacionais. O crescimento representa uma exceção no cenário nacional, marcado pela retração dos investimentos nas esferas pública e privada.

Hoje, a judoca Jéssica Pereira não tem patrocinadores. Ela recebe uma bolsa do Instituto Reação, clube onde treina no Rio de Janeiro, o benefício da Bolsa Atleta na categoria pódio e os vencimentos como terceiro sargento do Exército desde 2016. Além disso, usa a estrutura do Exército, como médico, nutricionista e sala de musculação. “O PAAR está sendo importante para a sobrevivência de muitos atletas”, opina o nadador Leonardo de Deus, também terceiro sargento do Exército.

Na esfera pública, o governo federal reduziu em 47,5% o número de beneficiados do Bolsa Atleta e anunciou o fim das categorias “atleta estudantil” e “atleta de base” em decisão publicada no fim da gestão Michel Temer (MDB) . O orçamento do programa caiu de R$ 79,3 milhões para R$ 53,6 milhões. Os atletas que recebem a bolsa caíram de 5.866 para 3.058.

Na esfera privada, os competidores reclamam das dificuldades para renovar patrocínio. “Mesmo sendo medalhista, está sendo difícil a busca por patrocinadores. Fico imaginando para os atletas que estão começando”, diz a velejadora Kahena Kunze, campeã olímpica nos Jogos do Rio ao lado de Martine Grael e atleta da Marinha.

Uma das razões do investimento do Ministério da Defesa é o bom desempenho dos atletas militares. Na Olimpíada do Rio, eles conquistaram 13 das 19 medalhas do Brasil. Isso significa 68% dos pódios nos Jogos.

Outro motivo é o calendário. Em outubro, serão realizados na China os Jogos Mundiais Militares. A delegação brasileira quer se manter entre as três maiores potências desportivas militares do mundo. Em 2015, o Brasil ficou em segundo na Coreia; em 2011, no Rio, liderou. São quase 400 atletas do País. “Os Jogos Militares são uma etapa intermediária de preparação para os Jogos de Tóquio. A meta principal é preparar equipes e atletas para as seletivas olímpicas”, explica o general Jorge Antonio Smicelato, diretor do Departamento de Desporto Militar do Ministério da Defesa.

A rotina dos atletas do PAAR é diferente do dia a dia dos militares de carreira. Ana Marcela Cunha, terceiro sargento da Marinha, conta que ela se apresenta três ou quatro vezes ao ano nas instalações militares para reciclagem. O restante do trabalho é feito no clube onde treina, no caso a Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos. “O Exército entende as nossas necessidades de treinamento e nos permite treinar nos nossos clubes. Temos uma reciclagem obrigatória anualmente na qual cumprimos todas as atividades militares”, explica o judoca David Moura.

Em 2017, Jéssica se apresentou entre cinco vezes no Forte da Urca, Rio de Janeiro, para programas de reciclagem e eventos especiais. “É uma honra fazer parte das Forças Armadas, ter todas as vivências de um militar, seguir os princípios do exército como honra, hierarquia e companheirismo”, avalia a judoca que foi quinta colocada no Mundial de Baku, em setembro, na categoria até 52 kg.

Para ser um atleta do PAAR, é preciso ser da elite do esporte. O programa considera os resultados em competições nacionais e internacionais e as medalhas se transformam em pontuações. A inscrição é voluntária para as 42 modalidades olímpicas. Terceiro-sargento da Aeronáutica, o ginasta Arthur Nory diz que foi convidado em 2016 para integrar o programa, que estava iniciando na modalidade. “Hoje temos uma equipe completa de ginástica”, orgulha-se.

Entrevista

Ana Marcela Cunha - nadadora, atleta da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e terceiro sargento da Marinha

1. Por que você decidiu entrar para o PAAR?

Eu me inscrevi devido ao apoio das Forças Armadas, especificamente a Marinha do Brasil. Também pesou o fato de ter tido parentes integrantes do corpo de Fuzileiros Navais e da própria Marinha. Ouvi várias histórias de meus pais sobre o orgulho que eles tinham de ser militar.

2. Como o programa contribui com sua carreira?

Além do apoio financeiro, tenho a estrutura esportiva no Cefan-RJ à disposição, como o centro de recuperação e fisioterapia. São duas piscinas (25 m e 50 m), sala de musculação, apoio médico-hospitalar, odontológico e psicológico no País e no exterior.

3. Como é sua rotina?

A rotina é diferente dos militares de carreira, pois meu foco é me preparar e competir nos Jogos Militares, apresentar resultados e representar o Brasil nas competições internacionais. De três a quatro vezes ao ano, nós passamos por reciclagens.

4. Como você avalia o programa diante da crise econômica do País?

Vejo como uma contribuição fundamental para qualquer esporte esse apoio técnico e financeiro dado pelas Forças Armadas. Está contribuindo para que o Brasil futuramente se torne uma potência olímpica.

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