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Franceses vão às ruas pelo 2º dia consecutivo contra a reforma da Previdência de Macron

Franceses vão às ruas pelo 2º dia consecutivo contra a reforma da Previdência de MacronFoto: Estadão conteúdo

No 1º dia da paralisação nacional foram registradas manifestações em mais 70 cidades, assim como greves nos transportes públicos e escolas

Estadão Conteúdo - 06/12/2019 - 15:18:37

A França enfrenta nesta sexta-feira, 6, o segundo dia de greve em protesto contra a reforma do sistema da Previdência planejada pelo governo do presidente Emmanuel Macron, que na quinta levou mais de 800 mil pessoas às ruas em todo o país.

No primeiro dia da paralisação nacional, considerada um teste crucial para Macron e sua agenda reformista, foram registradas manifestações em mais 70 cidades, assim como greves nos transportes públicos e escolas.

Yves Veyrier, líder do sindicato FO, advertiu que a greve pode prosseguir até segunda-feira se o governo não adotar as medidas adequadas.

Caos no trânsito e nos transportes continua

Por volta das 8h (4h em Brasília), as autoridades registravam 340 km de congestionamento nos acessos a Paris.

Assim como na véspera, a empresa nacional de trens SNCF suprimiu 90% das viagens de longa distância e 70% dos trajetos com trens regionais.

Para Entender

O sistema de Previdência social igual para todos proposto por Macron

Reforma é a mais audaciosa da agenda social do presidente francês para este ano e busca extinguir as distorções que beneficiam vários setores; em contrapartida, não haverá aumento da idade de aposentadoria, hoje fixada em 62 anos

Os parisienses precisam de paciência para chegar ao trabalho. Nove das 16 linhas de metrô permanecem fechadas, cinco funcionam com a capacidade reduzida e apenas duas, completamente automatizadas, funcionam de maneira normal.

A Air France cancelou pelo segundo dia consecutivo 30% dos voos domésticos e 10% dos voos de média distância. O Eurostar, trem que cruza o Canal da Mancha, também deve ter viagens canceladas.

Os jornais de tiragem nacional não conseguiram publicar suas edições impressas e sete das oito refinarias do país estão em greve, o que aumenta o risco de falta de combustível se a mobilização prosseguir por mais dias.

Indignação popular

A indignação popular foi motivada pela nova reforma da Previdência planejada pelo governo de Macron, uma promessa de campanha que tem como objetivo eliminar os 42 regimes especiais que existem atualmente e que concedem privilégios a determinadas categoria profissionais.

O governo pretende estabelecer um sistema único, por pontos, no qual todos os trabalhadores terão os mesmos direitos no momento de receber a aposentadoria.

Para o governo, este é um sistema mais justo e simples. Mas os sindicatos temem que ele acabe adiando a aposentadoria, atualmente aos 62 anos, e diminua o nível das pensões.

Macron, que tem como objetivo apresentar a reforma ao Parlamento no início de 2020, declarou na quinta-feira estar "determinado" a levar o projeto adiante.

O primeiro-ministro, Édouard Philippe, afirmou que vai apresentar as "grandes linhas" da reforma na próxima semana, pois até o momento não foi divulgado o conteúdo final do texto.

Negociação

Na segunda-feira, a ministra da Solidariedade e Saúde, Agnès Buzyn, e o alto comissário para as pensões, Jean-Paul Delevoye, receberão os sindicatos para "negociar" vários pontos em uma reunião anunciada nesta manhã por Agnès.

"Nós ouvimos a revolta dos franceses", disse ela, em referência aos protestos de quinta-feira, dando a entender que o Executivo pode fazer algumas concessões.

De acordo com uma pesquisa, 62% dos franceses apoiam a greve e 75% criticam a política econômica e social do governo Macron. / AFP

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