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Guia para folião brincar o Carnaval com saúde e segurança

Guia para folião brincar o Carnaval com saúde e segurançaFoto: Jose Britto-Folha de Pernambuco

Para evitar vacilos, a Folha de Pernambuco preparou um guia do folião com a ajuda de médicos, agentes da segurança pública e brincantes

Por Renata Coutinho - Olha De Pernambuco - 25/02/2019 - 10:26:47

Um folião cuidadoso pode curtir bem o Carnaval até depois da Quarta de Cinzas. O período de festas e as grandes aglomerações são um prato cheio para alguns contratempos de saúde, que podem ser evitados pelo brincante. Ninguém merece uma indisposição justamente quando só deveria haver diversão, não é mesmo? Além disso, cuidados com a segurança pessoal também devem ser levados em conta no ir e vir dos eventos de massa. Para evitar vacilos, a Folha de Pernambuco preparou este guia do folião com a ajuda de médicos, agentes da segurança pública e com quem já colocou o corpo para jogo no Carnaval.

Calma no glitter!

“É difícil dizer para as pessoas não usarem glitter no Carnaval. Então, minha orientação é ter cuidado para não colocar em uma área que, possivelmente, caia para dentro do olho. Evitar pelo menos a área de pálpebra e muito próximo do olho. Caso o material venha cair nos olhos lavar com água corrente e buscar uma emergência especializada”, aconselhou a oftalmologista do Hope, Bruna Ventura. O alerta tem uma razão: como o glitter é feito de partículas extremamente ásperas em contato com a superfície ocular pode provocar arranhões perigosos.

“Uma vez arranhada essa superfície está aberta uma porta para infecções. Então, acaba que pode ter um desdobramento muito ruim”, prosseguiu. A especialista destacou que nas pessoas que usam lentes de contato o risco é ainda maior porque as partículas podem se alojar entre a lente e o olho, levando a lesões ainda mais sérias.

A fotógrafa Thaís Cavalcanti, 27 anos, se enquadra nesse cenário. “Faço tudo com o máximo de cuidado. Ou faço a maquiagem sem lente e depois coloco, ou faço com lente, mas fico atenta para ver se caiu algo dentro ainda em casa. Se isso acontece, retiro a lente e higienizo na mesma hora”, disse. Ainda sobre lentes de contato, a médica também contraindicou o compartilhamento de lentes coloridas (decorativas e com cores vibrantes). O uso é estritamente pessoal. O comerciante Otávio Menezes, 26, trabalha com a venda dessas lentes e também é usuário. “Aumenta muito a venda delas no Carnaval, mas as pessoas precisam tomar os mesmos cuidados que tem com as lentes tradicionais”, comentou.


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Xô, conjuntivite

Outro drama enfrentado pela população neste período momesco é a ocorrência das conjuntivites, sendo mais comuns as virais. Por sinal, já começou um aumento delas nas emergências. O vírus que encontra um folião debilitado pela má alimentação e sono irregular pode de certo aportar nos olhos. Para se prevenir a regra é evitar ficar passando as mãos no rosto ou nos olhos e se conseguir higienizar as mãos. A saída pode ser levar na bolsa, bolso ou pochete um pequeno recipiente de álcool em gel. Se você já estiver doente, é melhor ficar em casa. “Se uma pessoa já está com conjuntivite o ideal é que ela não saia de casa para brincar o Carnaval porque a doença é extremamente contagiosa”, aconselhou Bruna Ventura.


O risco do Beijo

Folia e romances de Carnaval acabam sendo indissociáveis para muitos foliões, assim como o esquecimento sobre potenciais problemas que podem acontecer depois daquele beijo. Boa parte das viroses pós-Carnaval, na verdade, é provocada pelas mononucleoses (popularmente conhecida como Doença do Beijo ) que causam sintomas bem dolorosos. E nem adianta buscar pistas na boca do seu “par” de Carnaval, já que a enfermidade não tem sinais visíveis.

“Na festa há as doenças que são passadas pelos líquidos corporais e onde o beijo é a principal forma de contágio. As mononucleoses, que tem como principais vírus o Epstein-Barr e Citomegalovírus, são transmitidas pela saliva e entre sete a dez dias começam os primeiros sintomas como febre, moleza e o aparecimento de gânglios no pescoço, pode aparecer ainda com inflamação na garganta e diarreia. Vai depender do vírus”, explicou o chefe da triagem de doenças infecciosas e parasitárias do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), Filipe Prohaska.


Outra surpresa inesperada do beija beija do Carnaval pode ser a herpes labial. No caso desta doença alguns sinais podem ser percebidos e o beijo evitado. “A transmissão do herpes labial só ocorre quando há lesões ativas na boca, que são pequenas bolinhas, chamadas de vesículas. Contudo, mesmo assim, às vezes é difícil vê-las”, disse o médico. Ele lembra que diferente da mononucleose que se cura de uma vez após o período da infecção, a herpes ficará para sempre com o indivíduo e pode eclodir em vários momentos da vida.


Foliões especiais

Alguns brincantes têm questões de saúde que precisam de atenção redobrada nos focos de festa. São homens e mulheres com doenças e alergias preexistentes que não podem ser esquecidas nesta euforia. O massoterapeuta George Farias, 33 anos, é um deles. Portador de diversas alergias, ele leva consigo uma carteirinha com todos os medicamentos que são contraindicados. “É para o caso de uma necessidade e que não conseguir comunicar qual a minha condição. Situações de emergência. Neste papel estão todos os remédios que eu não posso tomar de jeito nenhum. Seria interessante que todos fizessem o mesmo”, esclareceu. A nutricionista Larissa Villa Nova, 31, também tem sua identificação especial. “Minha carteira explica que sou diabética e o que um socorrista ou qualquer pessoa podem fazer para me ajudar em situação de perigo, de hipoglicemia ”, contou. Tal procedimento ajuda num socorro mais ágil e preciso.


Brincante esperto e seguro

O porta-voz da Polícia Militar de Pernambuco, major Luiz Brito, enfatizou que a população pode ter uma etiqueta carnavalesca que torne as chegadas, saídas e presenças nas festas mais tranquilas. Além de todo o efetivo de policiais que estarão nas ruas para a vigilância e coerção de delitos, os foliões também devem ficar atentos a não se tornar uma vítima da criminalidade. O militar destaca que a população deve evitar andar com muito dinheiro e se ater com quantias necessárias para aquele momento. Outra dica é prestar bem atenção na hora de pagamento com cartões de crédito ou débito. “Naquela confusão de gente, você entrega seu cartão e sem atenção digita a senha num local impróprio que captura os dados e deixa ela pública. Depois lhe entregam um cartão semelhante ao seu depois do pagamento”, alertou. O sinal que a operação é fraudulenta é quando ao digitar a senha ao invés de na tela está as inscrições de asteriscos (*) estiver a numeração da senha normal.


O major ainda fez um apelo para que quem for curtir a folia não fique expondo demais os celulares e os carregue de forma discreta, próxima ao corpo. Já em caso de um assalto, a regra é nunca reagir, tentar se manter calmo e observar elementos que levem a caracterização do infrator pela polícia.

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