×
ContextoExato

Imprevisto com vacina que o Brasil mais aposta

Imprevisto com vacina que o Brasil mais apostaFoto: Pixabay

Imprevisto com vacina que o país mais aposta Horas depois de o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, prometer imunização para todo mundo no início de 2021, laboratório AstraZeneca anunciou a paralisação temporária dos testes com imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford

Ingrid Soares E Maria Eduarda Cardim - Correioweb - 09/09/2020 - 08:21:36

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, voltou a dizer que a previsão é de que as vacinas contra o novo coronavírus estejam disponíveis a partir de janeiro. A declaração ocorreu durante a reunião ministerial de ontem. O presidente Jair Bolsonaro levou uma youtuber mirim para fazer perguntas aos ministros. O vídeo foi disponibilizado nas redes sociais do presidente e a maioria dos membros estava sem máscara, assim como o mandatário e a criança. No microfone do chefe do Executivo, Esther Castilho, de 10 anos, indagou o general sobre os imunizantes: “Vai ter vacina para todo mundo e remédio, ou não vai?”, questionou a menina. “Estamos fazendo contratos com quem fabrica as vacinas. Esse é o plano. Está previsto que a vacina chegue para nós em janeiro. A partir de janeiro, a gente começa a vacinar todo mundo”, declarou.


Importante destacar que, em agosto, a pasta informou que serão adotados critérios de prioridade e que nem todos serão vacinados. Horas depois da declaração de Pazuello, o laboratório AstraZeneca, com quem o governo federal acertou um protocolo de intenções que prevê a disponibilização de 30 milhões de doses até o fim do ano, declarou ter interrompido os testes da vacina produzida com a Universidade de Oxford após uma suspeita de reação adversa.
A “vacina de Oxford”, como ficou conhecida, é testada no Brasil em 5 mil voluntários. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que recebeu um comunicado do laboratório sobre a interrupção do estudo, mas aguarda o envio de mais informações para se pronunciar oficialmente. A Anvisa deve posicionar-se ainda hoje.


A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmou ter sido informada pela AstraZeneca sobre a suspensão dos testes clínicos em fase 3 e declarou aguardar mais informações para emitir pronunciamento oficial. “A Fiocruz vai acompanhar os resultados das investigações sobre possível associação de efeito registrado com a vacina para se pronunciar oficialmente”, disse a nota. Procurado, o Ministério da Saúde disse levantar maiores informações e não voltou a se manifestar até o fechamento desta edição.


O governo federal está concluindo as negociações para o pagamento e a assinatura de um acordo final que incluirá também a transferência de tecnologia para produção nacional, que deverá ser conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Caso a vacina tenha sua eficácia comprovada, a previsão da pasta é produzir, inicialmente, 100 milhões de doses a partir de insumos importados. A produção integral da vacina na unidade técnico-cientifica Bio-Manguinhos, no Rio, deve começar a partir de abril de 2021.


Outras candidatas
Outros países também têm apresentado estudos para a produção da vacina, como Rússia e China, e integrantes da pasta de Saúde já disseram que podem também negociar caso alguma delas se mostre eficaz contra a covid-19. Na reunião no Planalto, a garantia de uma vacina em janeiro foi citada ainda por Marcelo Álvaro Antônio, chefe da pasta do Turismo. “A expectativa é que o próximo verão, com a vacina, seja o maior volume de turismo da história do turismo doméstico”, declarou. Segundo ele, o setor “vai voltar forte.”

Hidroxicloroquina
Mais tarde, em um encontro com um grupo de médicos defensores da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19, Bolsonaro reforçou a bandeira do medicamento — que não tem eficácia comprovada. O presidente pontuou ter ficado com “pecha de genocida” por defender a prescrição da medicação para o tratamento do vírus. “Eu estou com a pecha de genocida por falar da cloroquina e por alguns acharem que eu devia fazer algo mais. Como, se eu fui impedido em muitas coisas pelo STF (Supremo Tribunal Federal)?”

Sem representante em comitê da OMS

Segundo país mais afetado pela covid-19, o Brasil não tem representantes no comitê que avalia a resposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) frente à pandemia. Nas reuniões iniciadas, ontem, 23 especialistas da área representam os países mais influentes, fazendo análises da gestão da emergência pela entidade e estudando mudanças nas estratégias de condução. A ausência de brasileiros é uma clara demonstração de como a politização da crise e a consequente desvalorização da ciência afastaram o país da importante cúpula de debate. Segundo o especialista em políticas públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV) Daniel Vargas, as inúmeras as divergências entre lideranças brasileiras e orientações da OMS, “aliado ao elevado número de mortos pela covid-19 no Brasil, acabaram por minar a posição do país nas discussões de saúde internacionais.” (Bruna Lima)

Comentários para "Imprevisto com vacina que o Brasil mais aposta":

Deixe aqui seu comentário

Preencha os campos abaixo:
obrigatório
obrigatório