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Indígenas, LGBTI e ciganas falam sobre as dificuldades de serem meninas no Brasil

Indígenas, LGBTI e ciganas falam sobre as dificuldades de serem meninas no BrasilFoto: ONU Brasil

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres trabalham, em média, três horas por semana a mais do que os homens, combinando trabalhos remunerados, afazeres domésticos e cuidados de pessoas.

Onu Brasil - 13/10/2020 - 16:28:37

Reunir meninas, pessoas jovens e adolescentes de diferentes localidades para refletir sobre a condição de ser menina no Brasil foi o objetivo do webinário realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) na semana passada (7).

O evento foi realizado para a ocasião do Dia Internacional da Menina, celebrado anualmente em 11 de outubro. Em referência à data, a diretora-executiva do UNFPA, Natalia Kanem, emitiu declaração reforçando a importância de escutar e fazer ouvir as vozes das meninas.

“Com demasiada frequência suas vozes são silenciadas em casa, nas escolas e em âmbito público. Para milhões de meninas no mundo, esse silêncio se impõe por meio da mutilação genital feminina, do casamento infantil e outras práticas nocivas. Essas práticas não apenas violam a integridade e a autonomia corporal de uma menina; mas também roubam a confiança e a capacidade para tomar decisões informadas sobre sua vida”, disse.

O evento foi realizado para a ocasião do Dia Internacional da Menina, celebrado anualmente em 11 de outubro. Em referência à data, a diretora-executiva do UNFPA, Natalia Kanem, emitiu declaração reforçando a importância de escutar e fazer ouvir as vozes das meninas. Foto: UNFPA

Reunir meninas, pessoas jovens e adolescentes de diferentes localidades para refletir sobre a condição de ser menina no Brasil foi o objetivo do webinário realizado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) na semana passada (7).

Uma das participantes, a estudante e dançarina Vitória Rocha, de 14 anos, falou sobre a dificuldade de meninas conseguirem concluir seus estudos. “Muitas meninas quando passam para adolescência não têm condições para estudar, pois muitas ficam vulneráveis. Meninas ciganas não acessam a educação, é uma condição que a sociedade nos impõe, ficamos à margem”, disse.

Para a indígena Joana da Conceição Santos, de 14 anos, representante do povo Truká, "a sociedade vira as costas para meninas indígenas, quilombolas e ciganas, não oferecendo oportunidades". "Temos que lutar muito para poder nos formar, por exemplo. Eu vou lutar como mulher, como indígena, como jovem, e mostrar que eu posso estar e conquistar todos os meus espaços."

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres trabalham, em média, três horas por semana a mais do que os homens, combinando trabalhos remunerados, afazeres domésticos e cuidados de pessoas.

Mesmo assim, e ainda contando com um nível educacional mais alto, elas ganham, em média, 76,5% do rendimento dos homens. Isso quando ainda conseguem entrar no mercado de trabalho, pois elas precisam dedicar tempo nos cuidados de pessoas e afazeres domésticos, aos quais as mulheres trabalhadoras dedicavam 73% mais horas do que os homens.

Pesquisas, como a desenvolvida pela Plan International, confirmam as diferenças de percepção entre gêneros desde a infância. Na pesquisa, realizada com mais de 1,7 mil meninas de 6 a 14 anos em cinco regiões do Brasil, 37% das meninas acreditam que, na prática, as meninas e os meninos não têm os mesmos direitos.

“A hiperssexualização de meninas está muito enraizada, e isso traz a importância do empoderamento para que elas possam se cuidar e entender a sua realidade. Dentro de uma sociedade machista como a nossa, é como se o seu corpo fosse propriedade de qualquer um. Para termos essa consciência e buscar mudanças, precisamos empoderar cada vez mais as meninas”, disse Milena Neri Guimarães, de 21 anos, estudante de Fisioterapia do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), Integrante do projeto PET Multiplicando saúde: promoção da saúde de adolescentes na perspectiva da educação popular.

A importância do empoderamento também fez parte da fala da atriz e estudante Clara Marcela da Silva, de 19 anos, participante do projeto Agentes da Cidadania. “A vida de meninas é cheia de tabus, por exemplo, quando falo da relação com meu corpo, vejo que desde criança eu não compreendia as diferenças entre meus amigos. Mas a adolescência foi um período de descoberta, porque fui me empoderando, melhorando a relação com meu corpo, quebrando alguns padrões e respeitando a diversidade das outras pessoas também. Hoje, em cada marca, em cada cicatriz do meu corpo, vejo que meu peso não define minha saúde e quem eu sou”, declarou.

O reconhecimento do próprio corpo também foi abordado pela venezuelana Gaby Carolina Mencias Serano, de 17 anos, estudante e ativista LGBTQI+. Moradora de um abrigo em Boa Vista (RR), Gaby nasceu intersexo e contou com a família para passar pelos processos de socialização.

“Minha família foi muito importante no meu desenvolvimento, pois era meu apoio para me reconhecer. E isso não é uma realidade para todas. Conheci muitas meninas aqui no abrigo que são LGBTQI+, mas não falam sobre o que são por medo dos pais. Eu participo de grupos de apoio para esses garotos e garotas aqui no abrigo buscando integração, apesar do Brasil ter uma cultura diferente da Venezuela, ainda temos muitas dificuldades”, destacou.

“Os vários tipos de família não podem ser deixados de lado, quanto ao cuidado, porque muitas vezes entendemos que ‘cuidar de adolescente’ é excluir a família. O adolescente é um sujeito de direitos, portanto, é importante a busca pela autonomia. A família também pode ser um recurso terapêutico, e quando trabalhamos com a saúde da família e com o território, a abordagem familiar é essencial”, avaliou Denise Leite Ocampos, doutora hebiatra e médica de família e comunidade, especialista em saúde mental, gestão pública e ensino na saúde e Gerente de Atenção à Saúde de Populações em Situações Vulneráveis e Programas Especiais (GASPVP).

O evento foi realizado para a ocasião do Dia Internacional da Menina, celebrado anualmente em 11 de outubro. Em referência à data, a diretora-executiva do UNFPA, Natalia Kanem, emitiu declaração reforçando a importância de escutar e fazer ouvir as vozes das meninas.

“Com demasiada frequência suas vozes são silenciadas em casa, nas escolas e em âmbito público. Para milhões de meninas no mundo, esse silêncio se impõe por meio da mutilação genital feminina, do casamento infantil e outras práticas nocivas. Essas práticas não apenas violam a integridade e a autonomia corporal de uma menina; mas também roubam a confiança e a capacidade para tomar decisões informadas sobre sua vida”, disse.

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