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'Interventor' da crise, Braga Netto age para evitar dispensa de Mandetta e é alvo de ala ideológica

'Interventor' da crise, Braga Netto age para evitar dispensa de Mandetta e é alvo de ala ideológicaFoto: Estadão

Ala ideológica do governo e o chamado 'gabinete do ódio' desaprovam o poder concedido aos militares na equipe e, agora, na administração da crise provocada pela pandemia de coronavírus

Estadão Conteúdo - 07/04/2020 - 11:13:05

Escalado para comandar o comitê de crise e coordenar as ações do governo sobre o coronavírus , o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto , passou a ser tratado nos meios militares como uma espécie de “interventor” do Palácio do Planalto. O general do Exército assumiu a nova tarefa na semana passada, quando passou a mostrar efetivamente a que veio. Após reclamações do presidente Jair Bolsonaro sobre o protagonismo do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta , Braga Netto não apenas transferiu as entrevistas a respeito da pandemia para o Planalto como foi um dos que convenceram o chefe a não demitir o colega.

Na prática, os militares do governo avaliam que a dispensa de Mandetta, neste momento, fortaleceria governadores que travam uma queda de braço com Bolsonaro, como João Doria (São Paulo) e Wilson Witzel (Rio).

Nesse cenário, o chefe da Casa Civil assumiu sua função de gerente do governo, que atua com mão de ferro para proteger Bolsonaro. “Braga Netto é o homem certo, no lugar certo, na hora certa”, disse ao Estado o vice-presidente, Hamilton Mourão , que vira e mexe é criticado nas redes sociais pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

A ala ideológica do governo e o chamado “gabinete do ódio”, comandado por Carlos, filho “zero dois” do presidente, desaprovam o poder concedido aos militares na equipe e, agora, na administração da crise. Braga Netto, no entanto, diz não se aborrecer com os ataques e continua dando ordens aos colegas, até mesmo em bilhetinhos que passa para ministros durante entrevistas no Planalto .

Diante de novo fogo amigo, coube a Mourão sair em defesa do general. “Ele não está enquadrando ninguém, mas apenas fazendo a verdadeira governança. Assim, a Casa Civil passa a atuar como um verdadeiro centro de governo”, resumiu o vice. “Braga Neto está fazendo o que sabemos: colocar ordem na casa, coordenando as ações ministeriais, de modo que haja sinergia, cooperação e, como consequência, os esforços do governo sejam mais eficazes.”

A organização da Casa Civil, segundo Mourão, tem como meta estabelecer “um sistema de comando e controle que permita ao presidente tomar decisões”.

Na semana passada começaram a circular rumores de que Braga Netto seria o nome escolhido por uma Junta Militar para assumir o comando do País, deixando Bolsonaro como “rainha da Inglaterra”, que reina, mas não governa. A versão começou a ganhar força no fim de semana nas redes sociais, a ponto de usuários alterarem o dicionário online colaborativo Wikipédia para apontar o general como o 390º presidente do Brasil - a mudança foi desfeita assim que o site identificou.

A tese da “conspiração” é alimentada por filhos do presidente, que têm Mourão entre seus alvos prediletos. Em entrevista ao Estado, porém, o ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas foi enfático: “Ninguém tutela Bolsonaro” .

Freio

Ex-interventor na segurança pública do Rio em 2018, nomeado à época pelo então presidente Michel Temer , Braga Netto é conhecido pelo estilo durão. Nos últimos dias, ele tem tratado de assuntos tão diversos quanto importantes: da ciumeira relacionada aos holofotes sobre Mandetta à infraestrutura do País, passando por discussões econômicas e até por conversas com companhias aéreas para manutenção de voos durante a crise.

A poucos dias de completar dois meses no cargo, Braga Netto ainda está fazendo substituições na Casa Civil, pasta que, antes, era comandada por Onyx Lorenzoni , hoje titular do Ministério da Cidadania. Recentemente, por exemplo, ele nomeou o general Sérgio José Pereira - seu antigo auxiliar na época da intervenção federal, no Rio - para ajudá-lo a fazer a articulação com os demais ministérios.

O núcleo militar do governo considera que, por não ter aspiração política - ao contrário de Onyx, pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, em 2022 -, Braga Netto imporá rapidamente um freio de arrumação na equipe.

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